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| EM DEFESA DE UM INCONSCIENTE POLÍTICO: NOTAS SOBRE A CRÍTICA CULTURAL MATERIALISTA DE FREDRIC JAMESON AO DESEJO EM PSICANÁLISE | |
| 1JHONATAN FONTOURA KUHN, 2LUIZ AUGUSTO MUGNAI VIEIRA JUNIOR | |
| 1Acadêmico de Psicologia - PIC/UNIPAR - Cascavel 2Docente e Pesquisador da UNIPAR/PIC - Cascavel |
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| Introdução: O eixo deste trabalho partirá da obra do filósofo Fredric Jameson “O Inconsciente Político” de 1981, para verificar quais são as suas críticas ao conceito de desejo ou satisfação do anseio em psicanálise como um dos métodos interpretativos mais influentes nos últimos tempos. Jameson(1981) estava preocupado com as formas interpretativas vigentes de sua época e também com as teorias contra a interpretação, como a de Susan Sontag (1981), que falham por não considerar o contexto histórico e social. O autor argumenta que nossa capacidade de análise não é uma escolha livre, mas é determinada objetivamente pela estrutura da sociedade em que vivemos. A validade de um método de análise (ou da sua recusa) depende de como ele se alinha com os subsistemas de uma cultura complexa. Ou seja, a maneira como produzimos e consumimos cultura é um reflexo de como a sociedade nos forma. Objetivo: O objetivo deste estudo se caracteriza por percorrer uma das obras de Fredric Jameson: “O Inconsciente Político”, que servirá de base para verificar as críticas que o autor faz, a partir do marxismo à psicanálise. Desenvolvimento: É preciso historicizar sempre! Este era o lema que Jameson (1981, p.9) nos ensina, autor que morreu ano passado, deixa um legado de obras incomensuráveis para pensarmos o futuro. Jameson (1981) defende que é preciso historicizar radicalmente o próprio freudismo, diria inclusive o mesmo ao lacanismo, contudo, não basta situarmos Freud em Viena de sua época. Mas sim como nossa forma de pensar o mundo vem se fragmentando desde o início do capitalismo. No entanto, para Jameson (1981, p. 56). isso acontece pois temos uma dificuldade de entender que a estrutura psique é histórica e tem uma história, assim como os órgãos do corpo humano são resultados de um longo processo de diferenciação ao longo da história humana. Partindo deste ponto, para o filósofo marxista o objeto de estudo de Freud não é a sexualidade e sim o desejo e sua dinâmica como um todo — em outras leituras veremos como satisfação do anseio (Jameson, 1981, p. 58), e que o sexual e sua temática devem ser entendidas como ocasiões para que a hermenêutica freudiana possa advir e não como seu mecanismo fundamental. A satisfação do anseio, nesse sentido, fornece o que há de mais individual em cada um de nós. Seria a nossa psicobiografia individual e, para dizer de uma vez, a possibilidade de se estudar a satisfação do anseio no momento em que se deu a interpretação freudiana, só é possível devido a uma abstração total dessa “função” por meio do qual se aparta algo da vida social — a tal fragmentação da psique, desconsiderando sua história, como citei logo acima. Só podemos estudar o mundo de forma abstraída até o ponto em que o próprio mundo já se tornou abstrato (Jameson,198). Deste modo, o conceito de satisfação do anseio permanece preso nas amarras as quais se fez, na problemática de um sujeito individual. A psicanálise exige que o sujeito se responsabilize por sua própria história, indo além de uma visão individualista. Fredric Jameson (1981) propõe que o desejo não é apenas um conceito para interpretar, mas uma metafísica que forma toda uma visão de mundo. As releituras de Lacan (1998) reorganizam Freud (2011), mostrando que o desejo não está no ego, mas se constitui através do corpo individual. Assim, a psicanálise cria uma nova narrativa sobre o sujeito, conectando-o às estruturas sociais e jurídicas que o moldam. Considerações Finais: Com isso, reafirmamos a fundamental contribuição de uma análise marxista, isto é, o marxismo não como mais uma opção no mercado intelectual de métodos (o chamado pluralismo), mas sim por sua riqueza semântica e sua capacidade de tornar a História uma categoria essencial de análise. Em outras palavras, o método marxista busca integrar outras teorias, identificando seus limites e incorporando seus achados mais relevantes. A dialética marxista faz isso ao contextualizar historicamente seus conceitos. O resultado é uma abordagem que entende o tema investigado, o investigador e as ferramentas de análise como elementos interconectados dentro do contexto social e histórico do fenômeno em questão (Jameson, 1981, p. 43). |
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| Referências: FREUD, Sigmund. O ego e o id. In: FREUD, Sigmund. Obras completas. Volume 16: "O eu e o isso", "Autobiografia" e outros textos (1923-1925). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. JAMESON, Fredric. O inconsciente político: a narrativa como ato socialmente simbólico. Tradução de Valter Lellis Siqueira. São Paulo: Ática, 1992. LACAN, Jacques. O estádio do espelho como formador da função do eu. In: LACAN, Jacques. Escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. SONTAG, Susan. Contra a interpretação. In: SONTAG, Susan. Contra a interpretação e outros ensaios. Tradução de Rogério Bettoni. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. |
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