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| DIVERSIDADE COPROPARASITOLÓGICA EM PACA (Cuniculus paca) - RELATO DE CASO | |
| 1AMANDA VITORIA SERVIGNANI RAMOS, 2ANDRESSA MARTINS MOURO CASEIRO, 3ANA BEATRIZ BRAGA HERECK, 4GIOVANNA LOPES GUERREIRO, 5VINÍCIUS BUZATO SANTOS, 6CAIO JUNIOR BALDUINO COUTINHO RODRIGUES | |
| 1Discente do curso de Medicina Veterinária UEM 2Discente do curso de Medicina Veterinária UEM 3Discente do curso de Medicina Veterinária UEM 4Discente do curso de Medicina Veterinária UEM 5Médico Veterinário e Residente em Diagnóstico de Doenças Infecciosas e Parasitárias dos Animais UEM 6Docente do curso de Medicina Veterinária da UEM |
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| Introdução: A paca (Cuniculus paca) é um dos principais roedores silvestres caçados na América do Sul, em razão da ampla aceitação e valorização de sua carne (Morais et al., 2022). Além de sua importância alimentar, esse animal atua como hospedeiro natural de diversos endoparasitos, entre os quais se destacam Strongyloides spp., Trichuris spp. e Eimeria spp. (Ribeiro et al., 2015). Esses agentes parasitários afetam principalmente o trato gastrointestinal e, em alguns casos, podem comprometer a saúde do hospedeiro, evidenciando a necessidade de investigações parasitológicas regulares para caracterização e acompanhamento dessas infecções (Nascimento et al., 2020). O estudo da fauna parasitária em animais silvestres possui relevância para a saúde pública, já que muitas dessas infecções são zoonoses, com possibilidade de transmissão entre humanos e animais (Silva, 2004). Assim, compreender a diversidade parasitária da paca contribui para a vigilância epidemiológica e para o avanço de estratégias de manejo que considerem a interface entre saúde animal, humana e ambiental. Esse enfoque, alinhado ao conceito de Saúde Única, reforça a importância de medidas integradas de prevenção e controle (Rippel, 2023). O presente trabalho teve como objetivo relatar a ocorrência de endoparasitos das ordens Rhabditida e Strongylida em Cuniculus paca encontrada morta após resgate pela Polícia Ambiental do Paraná. Relato de caso: Foi registrado no Hospital Veterinário Universitário (HVU) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), campus de Umuarama, o ingresso de uma paca (Cuniculus paca), fêmea, encontrada morta após apreensão realizada pela Polícia Ambiental do Paraná em decorrência de caça ilegal. O animal apresentava lesão craniana, e o exame radiográfico confirmou a presença de um projétil alojado no crânio. Amostras fecais foram coletadas diretamente da ampola retal e encaminhadas ao Laboratório de Parasitologia Veterinária do HVU-UEM para análise coproparasitológica. O processamento seguiu a técnica de Faust (1938), baseada em centrífugo-flutuação em solução de sulfato de zinco (33%, densidade 1,18 g/mL). Para isso, 3 g de fezes foram homogeneizadas em 15 mL de água destilada, filtradas e centrifugadas por 1 minuto. O sobrenadante foi descartado e a centrifugação repetida até a obtenção de amostra límpida. O sedimento foi então homogeneizado, diluído em 15 mL de solução de sulfato de zinco e centrifugado novamente por 1 minuto. O tubo foi completado com a solução até a formação de menisco, sobre o qual se posicionou uma lamínula por 5 minutos. Em seguida, a lamínula foi transferida para lâmina de vidro contendo uma gota de Lugol e analisada ao microscópio óptico. Na observação em aumento de 100x, foram identificados dois tipos de ovos: (1) ovo elipsoide, sem opérculo, já contendo larva em seu interior, compatível com o gênero Strongyloides (ordem Rhabditida); e (2) ovo elíptico, de casca fina e transparente, com conteúdo morulado, compatível com a ordem Strongylida. Discussão: A presença de Strongyloides em pacas é um achado esperado, uma vez que este gênero de nematoides apresenta ampla distribuição em mamíferos silvestres e domésticos, incluindo roedores. Atualmente, são reconhecidas diversas espécies, sendo Strongyloides stercoralis a de maior importância em saúde pública, por seu caráter zoonótico e ocorrência tanto em humanos quanto em animais (Viney & Lok, 2015). A transmissão ocorre principalmente pela penetração ativa de larvas filarioides infectantes através da pele, em contato direto com solo contaminado, embora também possam ocorrer infecções por via oral ou transmamária. Trata-se, portanto, de um parasito intimamente associado ao ambiente, pois necessita de condições específicas de umidade e temperatura para o desenvolvimento larval no solo. No caso das pacas, animais de hábito terrestre e estreita interação com o substrato, o contato frequente com ambientes úmidos favorece a infecção. Em condições de cativeiro, Strongyloides já foi identificado em Cuniculus paca, evidenciando sua susceptibilidade natural ao parasito (Ribeiro et al., 2015). Do ponto de vista de Saúde Única, ainda que com menor relevância clínica, ovos de Strongylida também já foram identificados em pacas mantidas em cativeiro (Ramírez-Herrera et al., 2001). Esse achado reforça que diferentes grupos de nematóides podem parasitar a espécie e, embora muitos sejam primariamente associados à fauna silvestre, sua presença evidencia potenciais interfaces entre saúde animal, humana e ambiental. Assim, tanto Strongyloides quanto representantes da ordem Strongylida em roedores silvestres como a paca reforçam a importância de monitoramento parasitológico contínuo, em consonância com a vigilância epidemiológica integrada. Conclusão: O conhecimento da fauna coproparasitológica de espécies silvestres, como a paca, permite supervisionar a saúde destes animais, identificando parasitoses precocemente. Além disso, fornece subsídios para orientar manejos in loco, especialmente para sobrevivência ou conservação, contribuindo para estratégias de prevenção, controle e bem-estar, alinhadas aos princípios de saúde animal e ambiental. |
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| Referências: MORAIS, G. B.; et al. Avaliação do desenvolvimento ponderal e rendimento de carcaça entre pacas (Cuniculus paca) submetidas a diferentes manejos alimentares. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 5, n. 3, p. 2882-2891, 2022. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJAER/article/view/50530. Acesso em: 1 set. 2025. NASCIMENTO, B. K. F.; et al. Relationship between coproparasitological and hematological examinations of Cuniculus paca in captivity. Semina: Ciências Agrárias, v. 41, n. 1, p. 191-198, 2020. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/semagrarias/article/view/36144. Acesso em: 1 set. 2025. RAMÍREZ-HERRERA, O.; et al. Annual follow-up of the gastrointestinal parasitosis of the tepezcuintle, Agouti paca, in captivity in the Mexican tropic. Revista de Biología Tropical, v. 49, n. 3–4, p. 1171–1176, 2001. Disponível em: https://www.scielo.sa.cr/scielo.php?pid=S0034-77442001000300036&script=sci_arttext. Acesso em: 1 set. 2025. RIBEIRO, V. M. F.; et al. Acompanhamento da carga parasitária intestinal e do manejo sanitário de um criatório de pacas. Ciência Animal Brasileira, Goiânia, v. 16, n. 4, p. 608–614, out./dez. 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cab/a/8xYYxQzRGBdqwjJnKpZ7bgR/?format=html&lang=pt. Acesso em: 1 set. 2025. RIPPEL, L. B. Avaliação da fauna parasitária de animais silvestres da região do planalto serrano catarinense. 2023. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) – Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade do Estado de Santa Catarina, Lages, 2023. Disponível em: https://www.udesc.br/arquivos/cav/id_cpmenu/4357/DISSERTA__O___LUISA_BARRETO_RIPPEL_17429954306608_4357.pdf. Acesso em: 1 set. 2025. VINEY, M. E.; LOK, J. B. A biologia de Strongyloides spp. In: WORMBOOK: Revisão online da biologia de C. elegans. Pasadena (CA): The C. elegans Research Community, 2015. p. 2005-2018. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK19795/. Acesso em: 2 set. 2025. |
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