MÉTODO BOBATH: UMA ABORDAGEM PARA O DESENVOLVIMENTO MOTOR EM CRIANÇAS HIPOTÔNICAS COM SÍNDROME DE DOWN
1RAFAELLA CUCATO BARIZÃO, 2LUDMYLLA SOARES DUTRA, 3ANA CLARA GOUVEIA SALAPATA, 4MARIA EDUARDA MARQUEZONI PEREIRA, 5JOAO RICARDO CRAY DA COSTA
1Acadêmica do Curso de Fisioterapia da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Fisioterapia da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Fisioterapia da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Fisioterapia da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A Síndrome de Down (SD) é uma condição genética, decorrente a uma desordem cromossômica, ocasionada por um erro na distribuição dos cromossomos das células no par 21, o qual é identificado um cromossomo extra neste par, presente desde o desenvolvimento intrauterino (MÉGARBANÉ et al., 2009). A SD caracteriza-se por alterações motoras significativas decorrentes da hipotonia muscular, que de certa forma acabam comprometendo a aquisição de marcos motores fundamentais para o desenvolvimento infantil, podendo apresentar uma dificuldade significativa na postura da criança até a sua vida adulta. Estudos apontam que a falta de uma intervenção apropriada pode comprometer não somente o aspecto motor da criança, mas também seu desenvolvimento cognitivo e social. Dentro desse contexto, o Método Bobath se apresenta como uma ótima terapêutica a ser utilizada pelos fisioterapeutas nessas ocasiões, o qual visa estimular a transferência de peso, trazendo consigo aquisições motoras, estimulação e a facilitação de padrões de movimentos normais, contribuindo para o avanço da habilidade funcional (RODRIGUES E SILVA, 2024; SANTOS E LAMB et al., 2023; PEREIRA et al., 2021). 
Objetivo: O estudo visa examinar a contribuição do Método Bobath para o desenvolvimento motor em crianças com SD, com enfoque nas que apresentam hipotonia, considerando sua influência na melhoria das habilidades motoras.
Desenvolvimento: O Método Bobath tem apresentado benefícios significativos no tratamento de crianças com SD, considerando que esta técnica se encontra altamente relacionada à revitalização de lesões do Sistema Nervoso Central ao contribuir para a plasticidade cerebral e atribuições neuromotoras. A terapia de Neurodesenvolvimento potencializa portadores de SD a inserção de movimentos compensatórios (RUIZ, 2020), estes são aspectos vinculados à área responsável pela motricidade. Por sua vez, a fisioterapia utiliza de critérios como reações de endireitamento, equilíbrio e verticalização para o desempenho da estimulação precoce que visa resultados positivos na independência e funcionalidade do indivíduo (SILVA E NETO, 2023).Cabe salientar que o estudo de Ungureanu et al. (2022) registrou em até 5 meses, com a inserção do método integrado a outras técnicas, cerca de 70% a 93% de restauração do tônus. De forma abrangente, o processo consistia na intenção de modular o tônus muscular e a ativação de maneira positiva dos reflexos tônicos em bebês. Entretanto, diversos aspectos estão ligados à recuperação parcial ou total destes pacientes, entre eles a intensidade, o nível e a duração do tratamento. Ainda, há estudos que relacionam o sexo do sujeito com resultados bem-sucedidos, dado que a maior concentração de testosterona contribui beneficamente para a força muscular, crescimento e manutenção da matriz óssea, além da influência na síntese de neurotransmissores responsáveis pela contração muscular (RAMOS et al., 2018; CAVALCANTI et al., 2016). Alguns estudiosos como Álvarez-Gonzalo et al (2021) e Lucas et al. (2024) apontam ainda a importância da contribuição parental neste processo, com práticas favoráveis nessa recuperação no cenário doméstico, de forma complementar às sessões de fisioterapia.
Conclusão: A abordagem do método Bobath na Fisioterapia é extensivamente reconhecida em caráter de intervenção eficaz para favorecer o desenvolvimento motor em crianças com SD. A técnica abordada traz evidências significativas na melhora de habilidades motoras e reações de equilíbrio, oferecendo ao paciente maior independência, funcionalidade e melhor qualidade de vida.
Referências:
ÁLVAREZ-GONZALO, V. et al. Validation of the PDMS-2 scale in the Spanish population. Evaluation of physiotherapy intervention and parental involvement in the treatment of children with neurodevelopmental disorders. Revista de Neurología, Barcelona, v. 73, n. 3, p. 81-88, 2021.
CAVALCANTI, B. A. et al. Interação entre os hormônios testosterona, cortisol e aspectos psicobiológicos no exercício físico: uma revisão integrativa. Revista Educação Física, v. 85, n. 4, p. 406-418, 2016.
GONÇALVES, D. G. F. et al. A influência do método Bobath no desenvolvimento motor da criança com síndrome de Down. Ciências da Saúde, v. 29, n. 141, 2024.
LUCAS, B. R. et al. The Best Start Trial: A randomised controlled trial of ultra-early parentadministered physiotherapy for infants at high risk of cerebral palsy or motor delay. Early Human Development, Amsterdam, v. 198, 106111, 2024.
MÉGARBANÉ, A. et al. The 50th anniversary of the discovery of trisomy 21: The past, present, and future of research and treatment of Down syndrome. Genetics in Medicine, v. 11, n. 9, p. 611-616, 2009. DOI: 10.1097/GIM.0b013e3181b2e34c.
PEREIRA, et al. Método Bobath no tratamento fisioterapêutico de crianças com Síndrome de Down: revisão sistemática. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, v. 10, n. 15, e572101523292, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i15.23292.
RAMOS, H. C. et al. Análise da força muscular dos membros inferiores em mulheres praticantes de musculação nas diferentes fases do ciclo menstrual. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício, v. 12, n. 72, p. 29-37, 2018.
RODRIGUES, A. C.; SILVA, F. S. Eficácia do método Bobath na melhora do controle postural de crianças com síndrome de Down: estudo de caso. Anais New Science Publishers | Editora Impacto, [s.l.], 2024. DOI: 10.56238/I-CIMS-017.
RUIZ, L. J. M. Técnica de Bobath en el tratamiento fisioterapéutico del retraso psicomotor en niños con síndrome de Down. 90 f. – Facultad de Ciencias de la Salud, Universidad Nacional de Chimborazo, Riobamba, 2020.
SANTOS; LAMB, et al. Efeitos da intervenção fisioterapêutica no desenvolvimento motor de crianças com Síndrome de Down: uma revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 12, n. 12, e17121243789, 2023. DOI: 10.33448/rsd-v12i12.43789.
SILVA, E. R. S. da; NETO, J. M. S. Fisioterapia na estimulação precoce na Síndrome de Down: um estudo de revisão. Research, Society and Development, v. 12, n. 13, e110121344254, 2023. DOI: 10.33448/rsd-v12i13.44254.
UNGUREANU, A. et al. Abordagem de reabilitação do equilíbrio pelos métodos Bobath e Vojta na paralisia cerebral: um estudo piloto. Children, v. 9, p. 1481, 2022. DOI: 10.3390/children9101481.