PARAFIMOSE EM EQUINO-RELATO DE CASO  
1GABRIEL AUGUSTO RATTI DE SOUZA, 2GEOVANA CRISTINA SARTORI ANDRE, 3THAIS SECUNDINI DACANAL, 4GUILHERME DA SILVA ASSALIN, 5CARLA FARIA ORLANDINI DE ANDRADE, 6ANDRE GIAROLA BOSCARATO
1Graduando de Medicina Veterinária da Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Acadêmica do Curso de Aprimoramento Em Medicina Veterinária - Clínica Médica, Cirúrgica e Reprodução de Grandes Animais da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Aprimoramento Em Medicina Veterinária - Clí­nica Médica, Cirúrgica e Reprodução de Grandes Animais da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução:  A exposição peniana permanente na espécie equina pode ser classificada como  priapismo, uma condição em que há persistência de ereção peniana desacompanhada de desejo ou estimulação sexual. O priapismo pode ser classificado como isquêmico ou não isquêmico (CAMPELO JUNIOR et al., 2016) e sua etiologia pode ser primária ou secundária a processos patológicos ou condições adversas (KEOGHANE; SULLIVAN; MILLER 2002) sendo considerada uma emergência urológica,  por conta de sua consequência ser a necrose peniana, necessitando desta forma uma penectomia quando o pênis é inviabilizado (Nelson e Couto 2015). Entretanto, em equinos idosos, a exposição peniana permanente é descrita em caso de lesão peniana e prepucial, desenvolvendo-se edema no tecido conjuntivo frouxo entre o pênis e a lâmina interna do prepúcio, e o peso do edema causa fadiga muscular, seguida de protrusão do pênis e da lâmina prepucial interna para fora da cavidade prepucial. A relação entre debilitação e paralisia peniana é obscura, mas a debilitação generalizada pode causar perda do tônus ​​muscular, permitindo que o pênis se projete e os nervos pudendos fiquem contundidos ou distendidos no arco isquiático (Schumacher J. 2019).
Relato de caso: Foi atendido na Clínica Escola Veterinária da Universidade Paranaense (UNIPAR) em Umuarama-PR, um equino, macho, com 17 anos de idade, pesando 400 kg, apresentando edema na região do glande do pênis. Foi avaliado, feito ducha, massagem com DMSO, administrado Dexametasona na dosagem de  5 mg/kg, Benzilpenicilina Benzatina correspondente a 30.000 UI/kg. No dia 20 de maio, foi realizada a cirurgia de orquiectomia e amputação da glande peniana. O animal foi submetido a indução anestésica geral com 10g de  éter gliceril guaiacol (EGG) associado a cetamina (2mg/ml) e detomidina 0,2mg/ml, é a manutenção anestésica trans- operatória foi feita com anestesia inalatória com isoflurano saturado a 2% em oxigênio. Já na mesa cirúrgica, foi realizada a sondagem uretral do cavalo e a antissepsia do campo cirúrgico. Para a amputação, foi utilizada a técnica de Williams onde é realizado uma incisão em formato triangular, e em seguida todas as camadas até a uretra. E para finalizar foi realizado a sutura de pele e da uretra, utilizando pontos simples separados. Dessa forma, a uretra ficará mais longa ventralmente. Como medicação pós operatório foi utilizado Benzilpenicilina Benzatina corresponde a 24.000 UI, sendo administrado pela via intramuscular, e Flunixina meglumine na dose de 1,1mg/kg, sendo administrado pela via intravenosa. No pós operatório foi realizada ducha e compressa de gelo durante 5 dias.
Discussão: Schumacher J. (2019) descreve que além de ser uma técnica confiável e difundida, a técnica de Williams, foi preconizada para evitar as desvantagens descritas da Técnica da Vinsont e Scott, como a possível estenose da uretra e o desenvolvimento de dermatite de contato em decorrência da urina. A técnica utilizada permite a rápida recuperação do animal, com melhora dos seus parâmetros fisiológicos e sem complicações em decorrência do procedimento, assim como ocorreu no caso de penectomia parcial realizada em Hospital Veterinário, onde se realizou o procedimento em um equino com carcinoma espinocelular (Ramalho L.N.et al.,2018). Além disso, a técnica apresenta custo reduzido, e a facilidade de ser feito também a campo. 
Conclusão: Pode- se concluir que a técnica cirúrgica empregada, técnica de Williams, mostrou- se eficiente, visto que não apresentou complicações, no pós operatório, e o equino teve uma boa recuperação, evitando problemas futuros e preservação do bem estar desse paciente.
Referências:
CAMPELO JUNIOR, F. A. C.; MACEDO, H. J. R.; FEITOSA, A. S.; ALVES, A. A.; ALBUQUERQUE, A. H de; MONTEIRO, C. L. B.; FERRAZ, R. E. O. Priapismo em cão tratado com penectomia seguida de uretrostomia: Relato de caso. PUBVET, v. 11, p. 103-206, 2016.
KEOGHANE, S. R.; SULLIVAN, M. E.; MILLER, M. A. W. The aetiology, pathogenesis and management of priapism. BJU international, v. 90, n. 2, p. 149-154, 2002.
NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. 5ª edição. Rio de Janeiro: Elsivier, 2015. 1474 p.
Ramalho L.N., Manzan L.B., Silva G.L.G., Oporto C.I.S., Yamada D.1. & Andrade Junior L.R.P. 2018. Penectomia parcial em equino com carcinoma espinocelular: relato de caso. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP. 16(3): 60-68.
Schumacher J. 2019. Penis and Prepuce. In: Auer J. & Stick J. (Eds). Equine Surgery. 5th edn. Saint Louis: Elsevier, pp.1035-1062.