PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE GESTANTES COM SÍFILIS NO PARANÁ: CONHECENDO OS CASOS NOTIFICADOS ENTRE 2020 E 2023  
1CAMILLA MARTINS, 2KARINY EDUARDA RODRIGUES DOS SANTOS, 3IZABELLE MIRIÃ PEREIRA PADILHA, 4JAQUELINE GODOIS FERREIRA, 5ARISTANY DOS SANTOS CABREIRA, 6DAISY CRISTINA RODRIGUES
1Graduanda em Enfermagem pela Universidade Paranaense-UNIPAR, Cascavel PR
2Graduanda em Enfermagem pela Universidade Paranaense-UNIPAR, Cascavel PR
3Graduanda em Enfermagem pela Universidade Paranaense-UNIPAR, Cascavel PR
4Graduanda em Enfermagem pela Universidade Paranaense-UNIPAR, Cascavel PR
5Graduanda em Enfermagem pela Universidade Paranaense-UNIPAR, Cascavel PR
6Docente da UNIPAR
Introdução: Sendo considerado um agravo de grande importância na saúde materna e infantil, a sífilis, uma infecção causada pelo Treponema pallidum, essencialmente transmitida por via sexual e placentária, pode acarretar danos gestacionais que podem resultar desde o aborto, óbito e até mesmo sequelas que poderão se manifestar até os dois anos de vida da criança (Fernandes.,2016). Nesse sentido, é de suma relevância compreender os aspectos inerentes ao perfil materno mais suscetível a essa infecção.
Objetivo: Conhecer as características sociodemográficas das gestantes diagnosticadas com sífilis no estado do Paraná, no período de 2020 a 2023, a partir dos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Material e Métodos: Estudo ecológico do tipo descritivo realizado nas bases de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), integrado ao DATASUS, mediante as variáveis de sífilis em gestante com casos confirmados notificados no Paraná. Os anos de busca foram os quatro anos mais recentes disponíveis, no período compreendido entre 2020 e 2023, em casos confirmados por escolaridade e faixa etária de 10 a 59 anos. Vale ressaltar que foi utilizado a base de dados da SciELO para a busca de artigos para a discussão, através dos descritores de saúde "Infecções Sexualmente Transmissíveis" e "Gravidez", associados aos operadores booleanos.
Resultados: Constataram-se 12.034 casos confirmados de gestantes com sífilis no recorte temporal estipulado, sendo predominante o ensino médio completo com 3.162 (26%) casos e idade entre 20-39 anos, com 9.437 (78%) casos. Ao verificar os dados por faixa etária: 10-14 anos resultaram em 77 (0,6%) dos casos, desses com maior predomínio de 37 com 5ª a 8ª série incompleta; 15 a 19 anos identificaram-se 2.271 (18%) casos, 590 com ensino médio incompleto; 20-39 anos com 9.437 (78%) casos e ensino médio completo; 40-59 anos com 249 (2%) casos, desses 55 possuíam ensino médio completo.
Discussão: Os dados identificados mostram que, apesar da maioria das gestantes que possui a infecção sexualmente transmissível ter concluído o ensino médio, a baixa escolaridade nas faixas etárias mais jovens reforça a vulnerabilidade, pois dificulta a compreensão sobre a prevenção e o tratamento, dificultando-os (Conceição et al., 2019). Ademais, a idade é relevante porque gestantes mais jovens ou mais velhas podem apresentar diferenças no acesso aos serviços de saúde, na adesão ao pré-natal e no risco de complicações, incluindo infecção por sífilis (Soares et al., 2017).
Conclusão: Observou-se que mulheres em idade fértil de 20 a 39 anos, apesar de possuírem ensino médio completo, foram as que mais apresentaram acometimento por sífilis. Dessa forma, os dados demonstram falhas nas políticas de educação em saúde realizadas, principalmente pela atenção primária para esse público, no que se refere aos meios de prevenção. Com isso, o presente estudo reforça a necessidade de investigar as lacunas no que tange a essa prática.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS: Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. TabNet. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/sifilisgestantepr.def. Acesso em: 10 nov. 2024.
CONCEIÇÃO, Maria Luiza et al. Perfil epidemiológico da sífilis em gestantes no Brasil: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, Recife, v. 19, n. 4, p. 927-936, out./dez. 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/M97FZbnrgbCxk7hRjbwSJSv/?lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2025.
FERNANDES, C. E.; SÁ, M. F. S. Guia prático: infecções no ciclo grávido-puerperal. 2. ed. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2016. 92 p.
SOARES, Gabriela de Oliveira et al. Sífilis em gestantes: análise da atenção básica à saúde em municípios do estado do Rio de Janeiro. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 41, n. 113, p. 1002-1016, out./dez. 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/V5sfBFJ843smX8y8n99Zy6r/?lang=pt. Acesso em: 21 ago. 2025.