ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO - UMA REVISÃO NARRATIVA  
1IGOR JUNIOR FERNANDES DA SILVA, 2RICARDO DE MELO GERMANO
1ACADÊMICO DO CURSO DE ENFERMAGEM- UNIPAR
2Docente Titular de Fisiologia e do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UNIPAR
Introdução: A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica e multifatorial, caracterizada pelo acúmulo de placas lipídicas, especialmente lipoproteína de baixa densidade (LDL), no endotélio arterial. Tal processo desencadeia respostas inflamatórias que podem evoluir para a obstrução vascular (Barbalho, 2015; Xavier, 2013). No Brasil, o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é a principal doença cardiovascular em todas as faixas etárias, resulta de uma isquemia súbita que provoca necrose do miocárdio, geralmente por obstrução coronariana podendo causar sequelas físicas, psicológicas e sociais, e até levar ao óbito (Lima et al., 2018; Costa et al., 2018). Os sintomas clássicos do IAM incluem dor torácica intensa, irradiada para o braço esquerdo, mandíbula ou pescoço; dispneia, sudorese; náuseas e vômitos, também podem surgir sinais atípicos, como fadiga intensa ou dor abdominal, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos (Castro et al., 2024). O diagnóstico do IAM fundamenta-se em uma avaliação clínica criteriosa aliada à realização de exames complementares, sendo o eletrocardiograma (ECG) a principal ferramenta diagnóstica inicial (Bertrand et al., 2002; Savonitto 1999). A recomendação atual é que o ECG seja realizado em até 10 minutos após o primeiro contato médico com o paciente, especialmente nos serviços de emergência (Bertrand et al., 2002; Savonitto 1999).
Objetivo: O objetivo é fornecer uma base teórica, a partir de uma revisão narrativa, para discutir o IAM e sua relevância clínica através de estudo realizados a importância do Infarto Agudo do Miocárdio como princípal doença cardiovascular no Brasil, sintomas clássicos e diagnóstico.
Desenvolvimento: Esta pesquisa se caracteriza como uma revisão narrativa, baseada na abordagem proposta por Lakatos e Marconi (2003) que envolve um levantamento e análise de literatura já publicada a fim de obter informações atualizadas e embasadas cientificamente. A finalidade desta revisão é explorar e sintetizar o conhecimento existente sobre a assistência de enfermagem ao paciente com infarto agudo do miocárdio, para tanto foram consultadas bases de dados eletrônicas, bibliotecas virtuais e outras fontes de informação confiáveis, utilizando descritores e palavras-chave relacionadas ao tema. Foram considerados estudos publicados entre os anos de 2010 a 2022 e escritos em português. As pesquisas foram realizadas em bases de dados e plataformas digitais disponíveis na internet, como Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), SCIELO (Scientific Electronic Library Online) e LILACS (Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde). Os descritores utilizados foram selecionados a partir do DeCS (Descritores em Ciências de Saúde) são eles: “Infarto Agudo do Miocárdio”; “Cuidados de Enfermagem”; “Infarto, diagnóstico e intervenção”. A atuação do enfermeiro vai além da simples observação dos sintomas. Ele deve saber diferenciar o IAM de outras condições com sintomas semelhantes, como ansiedade, distúrbios gástricos e pericardite (Aguiar et al., 2022). A utilização de instrumentos clínicos, como protocolos de triagem, escalas de dor e listas de verificação de sintomas, contribui para uma avaliação sistemática e eficaz (Aguiar et al., 2022). O enfermeiro também é responsável por elaborar um plano de cuidado sistematizado, priorizando intervenções seguras e baseadas em evidências (Oliveira et al., 2021).  O enfermeiro deve manter-se constantemente atualizado quanto às diretrizes de manejo do IAM considerando que os protocolos clínicos são frequentemente revisados e atualizados com base em novas evidências científicas (Melo et al., 2024). Conforme a V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, outubro de 2013 os fatores de risco para o desenvolvimento da aterosclerose são divididos em dois grupos: modificáveis, como tabagismo, obesidade, sedentarismo, hiperlipidemia e hipertensão arterial sistêmica (HAS); e não modificáveis, como trombofilias, sexo, idade, hereditariedade e doenças metabólicas, como o diabetes mellitus (Xavier, 2013). A hiperlipidemia é um dos principais fatores relacionados à formação de ateromas e ao surgimento de doenças cardiovasculares (Xavier, 2013). A formação e progressão da aterosclerose são favorecidas por hiperlipidemia, obesidade, idade avançada e tabagismo, fatores que elevam o LDL e a lesão endotelial, mas que podem ser controlados por hábitos de vida saudáveis e acompanhamento médico (Xavier, 2013; Melo, 2018).
Conclusão: Por meio de uma assistência qualificada, a SAE representa um método científico que estrutura o cuidado e permite a prevenção de complicações por meio da avaliação contínua e planejamento nas necessidades do paciente. O comprometimento do enfermeiro é manter sempre atualizados nos protocolos e diretrizes quanto ao manejo do IAM considerando que os protocolos clínicos são frequentemente revisados e atualizados com base em novas evidências científicas.
Referências:
AGUIAR, Alana Luísa Carvalho et al. Assistência de enfermagem ao paciente com infarto agudo do miocárdio. Research, Society and Development, v. 11, n. 4, p. e40711426743-e40711426743, 2022.
BARBALHO, S. M. et al. Síndrome metabólica, aterosclerose e inflamação: tríade indissociável. Jornal vascular brasileiro, v. 14, p. 319-327, 2015.
BERTRAND, M. et al. Management of acute coronary syndromes in patients presenting without persistent ST-segment elevation. European heart journal, v. 23, n. 23, p. 1809-1840, 2002.
CASTRO, L. F. S. O. et al. Abordagem avançada na gestão da dor torácica aguda: avaliação e direcionamento de condutas no setor de emergência. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 6, p. e16728-e16728, 2024. Disponível em: https://acervomais.com.br. Acesso em: 26 out. 2024.
LIMA, A. E. F. et al. Perfil da mortalidade por infarto agudo do miocárdio por idade e sexo no município de Paulo Afonso no estado da Bahia. Revista Rios Saúde, v. 3, n. 1, p. 26-37, 2018.
MELO, J. D. et al. Atendimento a infartados na emergência: a atuação da enfermagem baseada em protocolos. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 3, p. e70330-e70330, 2024.
MELO, K. S. P. et al. Aterosclerose como fator predisponente para a ocorrência do Infarto Agudo do Miocárdio: um recorte bibliográfico. AMAZÔNIA: SCIENCE & HEALTH, v. 6, n. 2, p. 6-10, 2018.
OLIVEIRA, C. C. G. et al. Processo de trabalho do enfermeiro frente ao paciente acometido por infarto agudo do miocárdio. Revista Humano Ser, v. 3, n. 1, 2018.
SCLAROVSKY, S. Electrocardiography of acute myocardial ischaemic syndromes. Londres: Martin Dunitz Ltd., 1999.
SAVONITTO, S. et al. Prognostic value of the admission electrocardiogram in acute coronary syndromes. JAMA: The Journal of the American Medical Association, v. 281, n. 8, p. 707-713, 24 fev. 1999.
XAVIER, H. T. et al. Diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose. Arquivos brasileiros de cardiologia, v. 101, p. 1-20, 2013.