DETERMINANTES DA HIPERTENSÃO ARTERIAL EM ASPECTOS CLÍNICOS, SOCIOECONÔMICOS E DE ESTILO DE VIDA: UMA REVISÃO DA LITERATURA  
1YURY DINIZ GOMES, 2BEATRIZ LIMA BALIERO, 3BIANCA GASPARETTO REBERTI, 4MILENA APARECIDA TOLEDO DOMINGUES, 5DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO
1Acadêmico do curso de Medicina e do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A hipertensão arterial é uma condição silenciosa e assintomática, representando uma preocupação para saúde pública, podendo evoluir para alterações estruturais e funcionais importantes órgãos alvo, como o coração (Barroso et al., 2021). Trata-se de uma das principais causas de morte prematura em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 40 anos o número de hipertensos saltou para 536 milhões de pessoas, dois terços deles vivem em países de baixa e média renda (WHO, 2016). Neste contexto, torna-se necessária  a reflexão sobre as principais causas da hipertensão arterial no Brasil.
Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar as principais causas epidemiológicas da hipertensão entre a população brasileira, por meio de revisão bibliográfica integrativa, realizadas nas bases de dados Scielo e Biblioteca Virtual de Saúde - BVS, utilizando as palavras chaves “hipertensão arterial”, “estilo de vida”, “epidemiologia” e “Brasil”, com recorte temporal de 2018 a 2025.
Desenvolvimento: A hipertensão arterial é diagnosticada quando os valores pressóricos são iguais superiores a 140/90 mmHg, resultando de fatores genéticos, epigenéticos, ambientais, sociais, culturais e de estilo de vida (Barroso et al., 2021). Estima-se que cerca de 50,7 milhões de adultos brasileiros declararam ser hipertensos, com maior prevalência entre as mulheres, idosos, pessoas de cor da pele/raça preta, parda e outras etnias, além de indivíduos com baixa escolaridade, alto consumo de sal, ex-tabagistas, portadores de comorbidades e pior autopercepção de saúde (Malta et al., 2018). A idade figura como o fator de associação mais relevante, seguida por indivíduos autodeclarados pretos, pardos, amarelos e indígenas (Malta et al., 2022).  Quanto às condições socioeconômicas, verificou-se maior incidência da hipertensão arterial entre pessoas com menor nível de escolaridade, associada à vulnerabilidade social, exposição a fatores estressores, condições de vida desfavoráveis, limitação de acesso aos serviços de saúde, à menor oferta de ações de promoção da saúde e educação em saúde, bem como às restrições no acesso a uma alimentação adequada e ao cuidado contínuo (Fiório,  et al., 2020). Outros determinantes incluem estilo de vida e fatores individuais, como idade superior a 45 anos, tabagismo, etilismo e estado civil solteiro (Silva et al., 2023). A obesidade, sobretudo a visceral, é um dos principais fatores de risco, podendo responder por 65% a 75% dos casos de hipertensão (Hall, et al., 2019). A hipertensão arterial é um fator de grande impacto nos custos médicos e socioeconômicos, pois acarreta complicações em órgãos-alvo, como insuficiência cardíaca, acidente vascular encefálico isquêmico ou hemorrágico e doença arterial obstrutiva  periférica (Barroso et al., 2021). Nesse sentido, uma das metas globais da OMS no Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis é a redução da prevalência de hipertensão arterial. Contudo, o envelhecimento populacional e as dificuldades no controle dos fatores de risco configuram obstáculos para tal ação (Malta, et al., 2022).
Conclusão: A hipertensão arterial é uma condição multifatorial cuja prevalência aumenta com a idade e está associada a fatores genéticos, socioeconômicos e de estilo de vida. Observa-se maior incidência entre indivíduos com menor escolaridade e em populações preta, parda, amarela e indígena. Seu impacto clínico e econômico é elevado, dado o risco de complicações graves, como insuficiência cardíaca, acidente vascular encefálico e doença arterial periférica. O enfrentamento da hipertensão exige políticas públicas eficazes e ações de promoção da saúde, ainda que dificultadas pelo envelhecimento populacional e pela manutenção dos fatores de risco.
Referências:
BARROSO, W. K. S., et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021; 116(3):516-658. https://doi.org/10.36660/abc.20201238. Acesso em: 5 set. 2025.
FIÓRIO, C. E., et al. Prevalência de hipertensão arterial em adultos na cidade de São Paulo e fatores associados. Rev Bras Epidemiol. 2020; 23:e200052.https://doi.org/10.1590/1980-549720200052. Acesso em: 5 set. 2015.
HALL, J. E., et al. Obesidade, disfunção renal e hipertensão: ligações mecanicistas. Nat Rev Nephrol. 2019; 15(6):367-85. https://doi.org/10.1038/s41581-019-0145-4. Acesso em: 5 set. 2025.
MALTA, D. C., et al. Hipertensão arterial e fatores associados: Pesquisa Nacional de Saúde, 2019. Rev Saude Publica. 2022;56:122. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2022056004177. Acesso em: 5 set. 2025.
MALTA, D. C., et al. Prevalência de hipertensão arterial segundo diferentes critérios diagnósticos, Pesquisa Nacional de Saúde. Rev Bras Epidemiol. 2018;21. https://doi.org/10.1590/1980-549720180021.supl.1. Acesso em: 5 set. 2025.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Meta global de DNT: prevenir ataques cardíacos e derrames por meio de terapia medicamentosa e aconselhamento. Genebra (CH): OMS; 2016. Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/312283. Acesso em: 03 set. 2025.
SILVA, M. V. B. da, et al. Efeitos dos determinantes sociais da saúde na hipertensão: uma revisão sob a luz do modelo de Dahlgren e Whitehead. Journal of Education Science and Health. v. 3, n. 1, p. 1–13, 2023. Disponível em: https://bio10publicacao.com.br/jesh/article/view/172.  Acesso em: 5 set. 2025.