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| ÚLCERA DE CÓRNEA EM GAMBÁ-DE-ORELHA-BRANCA (Didelphis albiventris) | |
| 1LUIS MIGUEL DA SILVA RODRIGUES, 2ANA ELIZA CASAGRANDE PIROZZI, 3ALANIS CAROLINA ARIAS, 4RENATA ALFREDO, 5FLÁVIO HARAGUSHIKU OTOMURA, 6NATALIE BERTELIS MERLINI | |
| 1Discente do curso de Medicina Veterinária na Universidade Estadual do Norte do Paraná 2Discente do curso de Medicina Veterinária na Universidade Estadual do Norte do Paraná 3Médica Veterinária e Residente em Anestesiologia na Universidade Estadual do Norte do Paraná 4Bióloga e Responsável Técnica do Instituto de Pesquisa em Vida Selvagem e Meio Ambiente (IPEVS) 5Docente do curso de Medicina Veterinária na Universidade Estadual do Norte do Paraná 6Docente do curso de Medicina Veterinária na Universidade Estadual do Norte do Paraná |
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| Introdução: O Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) é um marsupial de ampla distribuição no território brasileiro. Considerado uma espécie sinantrópica, é frequentemente encontrado em área urbana, o que torna a espécie suscetível a diversos impactos antrópicos, como atropelamentos, além de conflitos com animais domésticos (Cubas; Silva; Catão-Dias, 2014; Melo; Sponchiado, 2012). Apesar disso, possui status de conservação pouco preocupante na lista vermelha de espécies ameaçadas (Cubas; Silva; Catão-Dias, 2014). A úlcera de córnea é definida pela perda do epitélio corneano, sendo classificada em relação a profundidade, etiologia e grau de infecção (Silva, 2024; Marcon; Sapin, 2021; Queiroz; Reis, 2023). Este trabalho relata a abordagem clínica de uma úlcera de córnea em um filhote de Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris). Relato de Caso: Foi atendido no Hospital Veterinário Escola da Universidade Estadual do Norte do Paraná, por meio do Serviço de Atendimento à Animais Selvagens (SAAS UENP), na cidade de Bandeirantes - Paraná, uma fêmea filhote de Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) de aproximadamente três meses, encaminhada pela Defesa Civil local. O indivíduo apresentava apatia e desidratação leve. O exame físico não evidenciou nenhuma anormalidade em relação aos parâmetros vitais, no entanto, foi observado opacidade corneana, secreção ocular e blefaroespasmo. Seguiu-se, então, para o exame oftalmológico, no qual através do teste do fluoresceína foi detectada úlcera de córnea no olho direito. Foi abordado primeiramente a desidratação, com administração intraperitoneal de 0,5ml de soro fisiológico, seguido de administração oral de glicose a 5%. Para a úlcera de córnea, o tratamento de escolha foi colírio a base de Tobramicina e colírio a base de Hialuronato de Sódio, ambos uma gota no olho direito a cada 6 horas, até nova avaliação. Posteriormente, o animal foi encaminhado para o Instituto de Pesquisa em Vida Selvagem e Meio Ambiente (IPEVS) para continuidade do tratamento. Após 30 dias o animal retornou para novo atendimento, no qual foi submetido novamente ao teste de fluoresceína que constatou cura clínica da lesão. Com a estabilização do quadro clínico geral, o animal foi encaminhado para soltura. Discussão: Devido aos hábitos crepusculares e a acuidade visual inferior a primatas e mamíferos, os gambás possuem especializações oculares que objetivam a melhora da capacidade visual. Dentre as especializações, estão o aumento relativo do bulbo ocular, cristalino esférico de grande diâmetro e extensa área corneana (Hokoç et al., 2012). Em relação a córnea, esses e outros marsupiais não possuem grandes diferenças anatômicas quando comparados a outros mamíferos (Reynolds et al., 2022). A úlcera de córnea é uma das afecções mais comuns em animais domésticos, sendo definida como a destruição do epitélio corneano e o comprometimento parcial ou total do estroma. A etiologia dessa afecção é diversa, em animais domésticos destacam-se as causas traumáticas e secundárias a alterações palpebrais e distúrbios do filme lacrimal (Silva, 2024; Marcon; Sapin, 2021; Queiroz; Reis, 2023). Em marsupiais, soma-se a ocorrência de alteração no filme lacrimal secundária a desidratação sistêmica, comumente observada em cangurus jovens (Reynolds et al., 2022). Úlceras superficiais se limitam apenas ao epitélio, camada mais superficial da córnea, os principais sinais clínicos são fotofobia, secreção ocular, blefaroespasmo, miose e dor. Quanto às úlceras profundas, são caracterizadas pelo comprometimento estromal, o que as torna mais complicadas e com riscos de perda de visão. São poucos os relatos de úlcera de córnea em animais selvagens, Rosa et al (2023) relataram úlcera de córnea em Bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans) atacado por ouriço. Não foram encontrados relatos dessa afecção em Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris). Neste relato, a úlcera de córnea foi abordada com colírios à base de tobramicina e hialuronato de sódio. O uso de tobramicina se justifica por sua forte ação contra bactérias, sendo essencial independente da classificação da úlcera, com o objetivo de evitar infecções secundárias à lesão corneana (Silva, 2024; Rosa et al., 2023; Marcon; Sapin, 2021; Queiroz; Reis, 2023). A frequência de administração dos antibióticos é definida de acordo com as características da lesão, podendo ser administrados de 6 a 12 horas no caso de pomadas, e de 4 a 12 vezes ao dia, no caso de soluções. Os colírios lubrificantes, como o hialuronato de sódio, proporcionam conforto e reforço na barreira epitelial, atuando também contra o crescimento bacteriano. Com a terapêutica adequada, a cicatrização das lesões corneanas superficiais ocorre dentro de 7 a 14 dias. No caso de úlceras profundas, a recuperação leva mais tempo, sendo indispensável o monitoramento constante, bem como o cumprimento do protocolo clínico instituído, até que existam evidências de cura clínica completa (Silva, 2024; Marcon; Sapin, 2021; Queiroz; Reis, 2023). Conclusão: O presente relato busca contribuir para a escassa literatura científica sobre o Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), especialmente em relação ao sistema visual da espécie. |
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| Referências: HOÇOK, Jan Nora. et al. A Visão em Marsupiais: Características e Evolução. CÁCERES, N. C. Os Marsupiais do Brasil. Campo Grande, Mato Grosso do Sul: Editora UFMS, 2012. p. 159-171. MARCON, I. L; SAPIN, C. F. Causas e correções da úlcera de córnea em animais de companhia – Revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 10, n. 7, p. e57410716911, Jul. 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/16911. Acesso em: 30 Ago. 2025. MELO, Geruza; SPONCHIADO, Jonas. Distribuição Geográfica dos Marsupiais do Brasil. CÁCERES, N. C. Os Marsupiais do Brasil. Campo Grande, Mato Grosso do Sul: Editora UFMS, 2012. p. 95-112. NASCIMENTO, Claudia Carvalho do; HORTA, Maurício Claudio. Didelphimorphia (Gambá e Cuíca). CUBAS, Z. S; SILVA, J. C. R; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de Animais Selvagens. São Paulo: Roca, 2014. p. 1442-1493. QUEIROZ, O. A. A; REIS, A. L. S. Úlcera de córnea - Revisão Bibliográfica. Scientia 21, Brasília, Distrito Federal, v. 2, n. 1, 2023. REYNOLDS, Benjamin D. et al. Ophthalmology of Marsupials: Opossums, Koalas, Kangaroos, Bandicoots, and Relatives. MONTIANI-FERREIRA, F; MOORE, B. A; BEN-SHLOMO, G. Wild and Exotic Animal Ophthalmology. Springer, 2022. p. 11-38. ROSA, C. C. et al. Úlcera de córnea em bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans) - tratamento com soro heterólogo. Acta Scientiae Veterinariae, Porto Alegre, v. 51, n. 858, 2023. SILVA, Alexandre de Almeida Goes. Abordagens clínicas e terapêuticas para úlcera de córnea em pequenos animais: uma revisão de literatura. 2024. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em Medicina Veterinária) - Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Sergipe, Sergipe, 2024. |
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