VARIAÇÕES VASCULARES HUMANAS: ASPECTOS ANATÔMICOS E RELEVÂNCIA MÉDICA  
1KAUANY PONCE RISSATO, 2RAFAEL DE SOUZA RIBEIRO, 3ALANNE MAIA SANTANA, 4NATALIA SILVA FURLAN, 5LAINY LEINY DE LIMA
1Discente do Curso de Medicina e PIC/UNIPAR
2Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
3Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
4Discente do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente do Curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: A anatomia humana apresenta variações que desafiam a concepção tradicional, especialmente no sistema vascular. Conhecer as alterações mais frequentes é essencial na prática médica, pois, tanto em procedimentos cirúrgicos quanto na clínica, compreender a origem e o destino do fluxo sanguíneo é fundamental para avaliar riscos e manejar complicações, como a gravidade de uma hemorragia. As reconstruções vasculares são outro fator que sofre interferência das alterações do corpo humano, já que, muitos procedimentos usam como referência as modificações do corpo para que tenha a menor chance de ocorrer algum problema (Aragão et al., 2017). As principais variações anatômicas concentram-se no tórax, abdome, cabeça e pescoço, regiões altamente vascularizadas que demandam maior suprimento sanguíneo, aumentando, assim, a probabilidade de ocorrência dessas alterações (Itacarambi et al., 2014).
Objetivo: Este resumo tem como objetivo descrever as principais alterações anatômicas vasculares em humanos, relatadas na literatura.
Desenvolvimento: Segundo Cotrim e colaboradores (2024), as principais alterações vasculares humanas observadas ocorrem na artéria carótida externa (ACE), em vasos da circulação hepática, nos ramos do arco aórtico e no círculo arterial cerebral (CAC), também conhecido como polígono de Willis. Os autores relatam que a ACE irriga grande parte da cabeça e pescoço oferecendo oxigênio a essas regiões, ela normalmente vem da artéria carótida comum (ACC), as principais variações são: bifurcação alta da ACC na altura de C3, trifurcação da ACC que emite um ramo acessório chamado de artéria faríngea ascendente que segue o caminho próximo ao nervo hipoglosso, a não bifurcação da ACC, torções de bifurcação carotídea fazendo com que a carótida externa e interna tenham posições diferentes da padrão, e a não formação das artérias facial, occipital, tireóidea superior maxilar, tronco tireolingual e do tronco tireolinguofacial. Já Pereira (2019) aborda que as variações nos ramos do arco aórtico são de extrema importância anatômica, uma vez que vem da maior artéria do corpo humano e dá origem às artérias subclávia esquerda, carótida comum esquerda (CCE) e ao tronco braquiocefálico, as alterações mais comuns nela é a artéria vertebral se originando do arco, como também a artéria CCE surgindo juntamente com o tronco braquiocefálico, sendo esta região do corpo de extrema importância, pois órgãos sensíveis e fundamentais a vida se localizam nesta área. Variações na circulação hepática, mais especificamente no hilo hepático, ocorrem na artéria hepática própria (AHP) e na veia porta (VP), como: ausência, duplicação, vaso acessório ou algum substituto desses vasos (Biz et al., 2025). E por fim, as modificações estruturais do corpo humano que ocorrem no CAC, uma rede complexa de vasos arteriais que fazem anastomoses, principalmente entre a carótida interna e o sistema vertebrobasilar, as alterações mais frequentes são hipoplasia da artéria cerebral anterior, artéria comunicante anterior plexiforme, artéria cerebral anterior ázigo, artéria cerebral anterior tripla, bifurcação da artéria cerebral média, artéria cerebral média acessória, artéria cerebelar inferior posterior extradural, agenesia da artéria carótida interna, assimetria do topo da basilar, fenestrações, duplicações e anomalias no curso da artéria cerebral anterior, as variações essa região que já é sensível se tornam ainda mais complexa, possibilitando que infecções atinjam novos locais. Estima-se que apenas 20 a 31% dos indivíduos apresentem a configuração anatômica clássica das artérias intracranianas que compõem o CAC. Variantes anatômicas específicas podem aumentar o risco de arteriosclerose intracraniana e de suas complicações, como acidente cerebrovascular e demência, uma vez que a distribuição do fluxo sanguíneo e da pressão arterial difere significativamente em casos de ausência ou hipoplasia de segmentos arteriais. Assim, tais variações podem comprometer a circulação cerebral normal (Berghout, et al., 2025).
Conclusão: O corpo humano apresenta diversas alterações anatômicas no sistema circulatório, que exigem atenção especial na prática médica para o manejo de doenças e traumas. Muitas dessas variações são inatas, mas podem servir como referência em procedimentos cirúrgicos, especialmente quando a configuração padrão não pode ser utilizada, permitindo a reconstrução e reconexão de vasos acometidos. Dessa forma, o estudo detalhado dessas variações é fundamental para aumentar a eficácia de intervenções médicas e salvar vidas, seja lidando com acometimentos naturais ou utilizando o conhecimento da anatomia vascular heterogênea na formação de novas estruturas.
Referências:
ARAGÃO, J. A.; SILVA, A. C.; ANUNCIAÇÃO, C. B.; REIS, F. P. Median artery of the forearm in  human  fetuses  in northeastern  Brazil:  anatomical  study  and  review  of  the  literature. Anat Sci Int, v. 92, n. 1, p. 107-111, 2017.
BIZ, M. E. Z.; SALAME, J. P.; CORREIA, G. G.; MOREIRA, R. S. Variações anatômicas na circulação hepática: estudo em 500 tomografias computadorizadas de abdome. Jornal vascular brasileiro, v. 24, n. 1, p. 1-10, 2025.
BERGHOUT, B. P.; SOYUPAK, R. F.; IKRAM, M. K; BOS, D. Variations in intracranial arterial anatomy of the circle of Willis and their association with arteriosclerosis in patients with ischemic cerebrovascular disease. Int J Stroke. v. 20, n. 7, p. 843-851, 2025.
COTRIM, M. W.; COAN, M. N.; OLIVEIRA, R. M. M. L.; GUIMARÃES, F. F. M.; ROCHA, J. V. C.; LINDENMEYER, A. D.; KOCH, E. S.; LOVERA, H. S.; TENÓRIO, L. H. R.; SARTORI, R. Variações anatômicas da artéria carótida externa: uma revisão narrativa. Variações anatômicas: o avanço da ciência no Brasil, v. 5, n. 6, p. 978-996, 2024.
ITACARAMBI, A. A.; SANTOS, G. L.; OLIVEIRA, I. G.; GUIMARÃES, N. N. Análise das variações anatômicas mais frequentes descritas entre 2010 e 2012. Revista eletrônica de educação da faculdade de Araguaia, v. 5, p. 114-122, 2014.
PEREIRA, T. S. B. Variações anatômicas dos ramos do arco aórtico: relato de caso. Revista da faculdade de ciência médica de Sorocaba, v. 8, n. 1, p. 21-45, 2019.