PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS HEPATITES VIRAIS NA MACRORREGIÃO NOROESTE DO PARANÁ DE 2014 A 2023  
1FERNANDA EMANOELI SOUZA, 2EMERSON FRANCO DE NOVAIS, 3KAUAN MAYER REVERS, 4BRUNA VIEIRA TOKANO RAMOS, 5MARIANA VITORIA GASPERIN
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: As hepatites virais são um desafio de saúde pública, causadas por vírus (HAV, VHB, VHC, VHD e VHE) que podem ser assintomáticas autolimitadas até levar à falência hepática aguda. (Neuhoff, 2025; Odenwald; Paul, 2022) São classificadas (A, B, C, D e E) segundo o vírus etiológico, possuem diferentes vias de transmissão, manifestação, diagnóstico e prevenção. As hepatites A e E estão mais associadas à transmissão fecal-oral e tendem à autolimitação. Enquanto a hepatite B,C e D estão relacionadas à transmissão parenteral ou sexual, com propensão à cronificação. O modo de transmissão define o perfil epidemiológico, associando o primeiro grupo a áreas com saneamento reduzido, e o segundo a características comportamentais. (Odenwald; PAUL, 2022)
Objetivo: Identificar o perfil epidemiológico dos casos confirmados de hepatites virais na macrorregião noroeste do Paraná nos anos de 2014-2023.
Material e Métodos: Estudo ecológico, descritivo e analítico, com dados secundários do SINAN do DATASUS. Analisando as variáveis fonte de infecção, faixa etária, raça e distribuição geográfica dos casos conforme região notificada.
Resultados: Houve um total de 3.085 casos de hepatites virais neste período. As Regionais de Saúde de Maringá (55,9%), Campo Mourão (15,5%) e Umuarama (12,2%) representaram a maioria dos casos. Houve um pico em 2019 (n=389), seguido do menor número registrado (n=221) em 2020, recuperação parcial em 2021 (n=245) e 2022 (n=250), porém seguidas de declínio em 2023 (n=225) em todas as regiões. Quanto à distribuição de sexo, o masculino (56,95%) foi predominante em todos os anos, com maior disparidade no ano de 2019 (242 vs. 147). Porém, a partir de 2020, houve redução da diferença, tendo o menor valor em 2023 entre homens e mulheres (117 vs. 108). Sobre a faixa etária, as mais afetadas foram as de 40-59 anos (47,5%), seguida por 20-39 (27%) e 60-64 (8,7%). Houve um decréscimo global em 2020, porém com recuperação gradual até 2022, onde passam a reduzir novamente. Em relação às raças, houve predomínio da população branca (66,8%), parda (21,2%) e preta (7,2%). E quanto às fontes de infecção, a transmissão sexual (11,3%) foi a mais frequente, seguida da domiciliar (5,2%), por outro motivo (4,7%), transfusional (4,2%), tratamento dentário (2,5%) e drogas injetáveis (2,3%). A transmissão vertical teve seu pico anual em 2014-2016 (n=12), seguido de declínio até 2023 (n=1). Não houve novos casos de origem por hemodiálise após 2019. Contudo, notou-se aumentos sucessivos de origens ignoradas/em branco desde 2014 até 2023 (62,7%), com exceção de 2020, que apresentou um declínio significativo.
Discussão: Os resultados coincidem com as tendências da literatura, porém possui aspectos que diferem dos dados tidos como consenso. A distribuição de casos entre as Regionais de saúde, estão de acordo com valores esperados quando se considera a densidade populacional de cada área, e a disponibilidade de serviços de saúde que facilitem o acesso a detecção. (Paraná, 2024; Paraná, 2015) A predominância masculina (56,95%) era esperada por exercerem maiores comportamentos de risco, porém a redução da disparidade entre a população feminina, leva ao questionamento sobre as alterações de comportamento na população da região após a pandemia da COVID-19, onde houve aumento da recusa da procura por assistência médica preventiva pela população masculina e aumento da feminina. (Silva et al., 2020) A faixa etária condiz com estudos anteriores, ao afetar mais a população economicamente ativa, que estão mais suscetíveis a todas as formas possíveis de exposições. (Silva et al., 2025; Malacrina et al., 2016) Quanto ao fator racial, o grupo branco foi mais afetado concordando com a predominância demográfica da região, porém a raça preta se destaca ao considerar que representa 4,2% da população do estado mas representar um valor mais de 50% maior entre os afetados pelo vírus, demonstrando a necessidade de uma atenção maior para esse grupo. (IBGE, 2022) A alta transmissão sexual aponta a necessidade de mais campanhas para uso de preservativo e vacinação. Além disso, nota-se que ainda há falhas nos procedimentos de biossegurança ao se considerar os casos por tratamento dentário e transfusional. Enquanto o acompanhamento de gestação e aplicação dos protocolos em serviços de hemodiálise vem se mostrando efetivos. (Brasil, 2022; Madeira et al., 2021) A grande quantidade de casos deixados em branco/ignorados tornam-se preocupantes pois a falta de dados contribui restringem a análise dos dados e assim compromete o planejamento de políticas públicas. (Vieira et al., 2022). A diminuição global ocorrida em 2020 possivelmente se deve a diminuição do acesso à testagem no período da pandemia, seja pela quarentena ou por reorganização estatal que priorizaram outros serviços da saúde. (Glerian; Chaves; Ferreira, 2022)
Conclusão: Nota-se que a Macrorregião Noroeste do Paraná acompanha as tendências mundiais. Sendo a população da Regional de Saúde de Maringá, masculina, branca em idade sexual e economicamente ativa a mais afetada. Porém, com tendência de mudanças nesse cenário. Além de seguir com dificuldades no preenchimento da ficha de notificação.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_hiv_sifilis_hepatites.pdf. Acesso em: 27 ago. 2025.
GLERIANO, J. S.; CHAVES, L. D.; FERREIRA, M. D. C. A subnotificação no contexto da pandemia da Covid-19: uma análise a partir da comparação dos indicadores de saúde. Saúde e Pesquisa, Maringá, v. 15, n. 2, p. 1-10, maio/ago. 2022. Disponível em: https://ojs.unirg.edu.br/index.php/2/article/view/5608/2518. Acesso em: 27 ago. 2025.
IBGE. Censo Demográfico 2022: Panorama. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/. Acesso em: 27 ago. 2025.
MALACRINA, E. L. et al. Perfil epidemiológico das hepatites virais no estado do Paraná, Brasil. Saúde e Pesquisa, Maringá, v. 9, n. 2, p. 381-388, maio/ago. 2016. Disponível em: http://dx.doi.org/10.177651/1983-1870.2016v9n2p381-388. Acesso em: 27 ago. 2025.
NEUHOFF, S. Viral Hepatitis in Pregnancy. Clinical Obstetrics & Gynecology, Philadelphia, v. 68, n. 1, p. 71-80, mar. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1097/grf.0000000000000938. Acesso em: 27 ago. 2025.
ODENWALD, M.; PAUL, S. Viral hepatitis: Past, present, and future. World Journal of Gastroenterology, Beijing, v. 28, n. 14, p. 1405-1429, abr. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.3748/wjg.v28.i14.1405. Acesso em: 27 ago. 2025.
PARANÁ. Secretaria de Estado da Saúde. Plano Diretor de Regionalização da Saúde do Paraná. Curitiba: SESA, 2016. Disponível em: https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2020-05/pdr_compilado_final_correcao_em_08_07_2016_0.pdf. Acesso em: 27 ago. 2025.
PARANÁ. Secretaria de Estado da Saúde. Plano Estadual de Saúde: 2024-2027. 1. ed. Curitiba: SESA, 2024. 228 p.
SILVA, R. T. et al. Tendência temporal e distribuição espacial das hepatites virais em uma região do Paraná. Varia Scientia - Saúde, Cascavel, 2025. Disponível em: https://10.18606/2318-1419/amazonia.sci.health.v13n2p189-205. Acesso em: 27 ago. 2025.
VIEIRA, L. M. et al. Análise da completude do preenchimento das fichas de notificação de hepatites virais no Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Revista Variáveis Saúde, Cascavel, v. 1, n. 1, p. 1-15, 2022. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/variasaude/article/view/30358. Acesso em: 27 ago. 2025.