MÉTODOS DE REPERFUSÃO MIOCÁRDICA  
1IAN BERNARDI WINTER, 2BEATRIZ NABAS VICENTE, 3GABRIEL DE OLIVEIRA ALUISO, 4HELOISA SANDES GROSSI, 5JULIA JASPER BUSETTI , 6REINALDO HIGASHI YOSHII
1Acadêmico do PEX/Unipar
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular no mundo, caracterizado por necrose do tecido cardíaco secundária à interrupção súbita do fluxo coronariano. A restauração precoce da perfusão é determinante para limitar o dano miocárdico, reduzir a formação de cicatriz e preservar a função ventricular. Estudos apontam que o atraso no tratamento está diretamente relacionado à maior mortalidade, reinfarto e insuficiência cardíaca (GOMES; et al., 2024). Nesse contexto, as terapias de reperfusão, tanto farmacológicas quanto intervencionistas, transformaram o prognóstico dos pacientes com IAM com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST), tornando-se pilares nas diretrizes internacionais da American Heart Association (AHA) e da European Society of Cardiology (ESC) (IBANEZ; et al., 2018).
Objetivo: Revisar as principais estratégias de reperfusão miocárdica, destacando evidências, indicações clínicas e avanços recentes.
Desenvolvimento: A terapia trombolítica foi o primeiro recurso eficaz para restaurar o fluxo coronariano. Agentes como alteplase e tenecteplase promovem a conversão do plasminogênio em plasmina, dissolvendo o trombo. Seu uso é indicado quando a intervenção coronariana percutânea (ICP) não é viável em tempo adequado. A eficácia é maior nas primeiras horas do evento, embora riscos como hemorragia intracraniana limitem sua aplicação (GOMES; et al., 2024). Os anticoagulantes e antiplaquetários desempenham papel adjuvante essencial, reduzindo complicações trombóticas após a reperfusão. Diretrizes atuais recomendam o uso combinado de heparinas e dupla antiagregação plaquetária, adaptando a duração conforme perfil de risco hemorrágico e trombótico (LEVINE; et al., 2016). A ICP primária consolidou-se como padrão-ouro sempre que disponível, especialmente se realizada dentro de 90 minutos após o primeiro contato médico. O procedimento, que envolve angioplastia com balão e implante de stent, mostrou-se superior à trombólise em mortalidade, reinfarto e AVC (GIOPPATTO; et al, 2024). Estudos recentes também apontam benefícios da trombectomia adjunta em cenários de elevada carga trombótica, embora sua indicação rotineira ainda seja debatida (GOMES; et al., 2024). Apesar do sucesso angiográfico, um desafio crescente é o fenômeno no-reflow, em que a microcirculação permanece comprometida mesmo após desobstrução da artéria epicárdica. Essa condição associa-se a pior prognóstico e vem estimulando investigações em estratégias farmacológicas intracoronarianas, dispositivos de proteção e agentes antiplaquetários mais potentes (IBANEZ; et al., 2018). Avanços recentes incluem o desenvolvimento de stents farmacológicos de segunda e terceira geração, que reduzem taxas de reestenose, e novas drogas em investigação, como anticoagulantes seletivos e antiplaquetários de ação rápida. Há também a exploração de estratégias de proteção miocárdica, como o pré-condicionamento isquêmico e o uso de agentes anestésicos com efeito cardioprotetor (ALMEIDA; et al., 2023).
Conclusão: A reperfusão miocárdica permanece a intervenção mais determinante no prognóstico do IAM, devendo ser instituída o mais precocemente possível. A ICP primária, quando disponível em tempo hábil, representa a modalidade preferencial, enquanto a trombólise mantém papel relevante em cenários de difícil acesso a centros especializados. O manejo atual combina reperfusão mecânica ou farmacológica com terapias adjuvantes anticoagulantes e antiplaquetárias
Referências:
ALMEIDA, M. S.. Estamos Chegando ao Fim do Caminho Evolutivo para Stents Metálicos Farmacológicos? Quais Stents de 4ª Geração Precisamos?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 120, n. 6, p. e20230302, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/MKsJxrC9X5V3J6phn3n4xmq/?lang=pt. Acesso em: 12 ago 2025.
GIOPPATTO, S.; et al. O Impacto Clínico e Econômico do Atraso na Terapia de Reperfusão: Evidências do Mundo Real. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 121, n. 5, e20230650, 13 maio 2024. DOI: 10.36660/abc.20230650. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC11081405/. Acesso em: 01 set. 2025
GOMES, M. E. S. et al. Terapias de reperfusão em infarto agudo do miocárdio: uma revisão atualizada. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 2, p. 1-7, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n2-315. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/68758&ved=2ahUKEwi0_IrDvMSPAxUFrZUCHcd4ANYQFnoECBcQAQ&usg=AOvVaw1k6yN5pnh2JlfDCiRbfAH5. Acesso em: 29 ago 2025
IBANEZ, B. et al. 2017 ESC Guidelines for the management of acute myocardial infarction in patients presenting with ST-segment elevation. European Heart Journal, v. 39, n. 2, p. 119-177, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28886621/. Acesso em: 04 set 2025.
LEVINE, G. N. et al. 2016 ACC/AHA guideline focused update on duration of dual antiplatelet therapy in patients with coronary artery disease. Journal of the American College of Cardiology, v. 68, n. 10, p. 1082-1115, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27026020/. Acesso em: 10 set 2025.