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| O ENIGMA DA SÍNDROME DE KOUNIS: QUANDO A REAÇÃO ALÉRGICA DESAFIA O CORAÇÃO | |
| 1JÚLIA SALES LEHMKUHL, 2JEANDERSON RODRIGO DE OLIVEIRA | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 2Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A Síndrome de Kounis (SK), por vezes referida como a "angina alérgica", emerge como uma resposta alérgica ou imunológica que serve de estopim para eventos isquêmicos no miocárdio. Ainda carente de reconhecimento pleno na prática clínica diária, ela se desdobra quando mediadores liberados durante uma manifestação de hipersensibilidade perturbam o fluxo sanguíneo coronariano. (KOUNIS, 2016). Objetivos: Realizar uma pesquisa científica sobre a Síndrome de Kounis, condição ainda pouco reconhecida na rotina médica, em que reações alérgicas acabam afetando diretamente o coração; mostrando como uma alergia pode desencadear problemas sérios como espasmos nas coronárias ou até um infarto. Desenvolvimento: Alguns estudiosos descrevem a síndrome de Kounis (SK) como uma causa subestimada de sintomas cardiovasculares decorrentes de uma reação alérgica ou de hipersensibilidade, porém vem sendo cada vez mais reconhecida como responsável por diversos eventos coronarianos agudos sem doença arterial coronariana prévia. As manifestações vão desde espasmos transitórios nas artérias, até infarto cardíaco ou entupimento de stent por coágulo. A patogênese central da doença, envolve a ativação dos mastócitos, podendo ocorrer por anticorpos como IgE ou por estímulos diretos, sem envolver o sistema imunológico clássico. (KHAN, Bial., KEMP, S., 2011). Durante uma ocorrência alérgica intensa, essas células liberam substâncias inflamatórias que dilatam os vasos, aumentam a permeabilidade e podem causar espasmos nas coronárias, rompimento de placas e até coágulos. (KEMP, 2025). Essa síndrome pode ser classificada em três tipo: Tipo 1, com espasmos coronarianos em artérias normais; Tipo 2, com espasmos ou ruptura de placa em alguma artérias previamente ateroscleróticas; e Tipo 3, com trombose de stent farmacológico desencadeada por reação de hipersensibilidade (DUARTE, P et al., 2020). De acordo com Kounis (2016), algumas soluções, como opióides e contrastes usados em exames, também podem ativar esse processo. Identificar a Síndrome de Kounis exige atenção, principalmente quando sintomas cardíacos surgem após contato com alérgenos. Exames como ECG, dosagem de troponina, triptase no sangue e angiografia das coronárias ajudam a esclarecer o quadro e evitar outros diagnósticos, como angina por espasmo. (BROCKOW, K., FELDWEG, A., 2022). O tratamento precisa considerar tanto a ocorrência alérgica quanto o problema cardiovascular: é necessário administrar adrenalina com cuidado em casos de anafilaxia, além de fornecer oxigênio, hidratar o paciente, usar antialérgicos e corticóides, somando-se a medicamentos como nitratos e bloqueadores dos canais de cálcio em casos de espasmo coronariano, e procedimentos intervencionistas se houver inserção de stent. RODRIGUEZ-RUIZ, C et al., 2019). Evitar o fator desencadeante é essencial, com encaminhamento ao alergista, uso de cartões de alerta e prescrição de adrenalina autoinjetável, principalmente para quem já teve reações graves, garantindo um acompanhamento seguro e contínuo. Conclusão: A Síndrome de Kounis é um alerta importante para médicos e pacientes: sintomas cardíacos após uma alergia podem ter uma causa comum. Reconhecer isso a tempo pode salvar vidas. O cuidado com o diagnóstico e o tratamento deve ser individualizado e incluir medidas preventivas, como evitar os gatilhos conhecidos e garantir o acompanhamento com um especialista. |
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| Referências: BROCKOW, Knut; FELDWEG, Anna M. Exercise-induced anaphylaxis: clinical manifestations, epidemiology, pathogenesis and diagnosis. Waltham, MA: UpToDate, Inc., 2022. Atualizado em: 14 nov. 2022. Disponível em: https://www.uptodate.com. Acesso em: 27 ago. 2025. DUARTE, Pedro et al. Síndrome de Kounis: A propósito de um caso clínico. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v.32, n. 1, p. 149-152, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.5935/0103-507X.20200021. Acesso em 10 set. 2025. FELDWEG, Anna M. Exercise-induced anaphylaxis. Immunology and Allergy Clinics of North America, Philadelphia, v. 35, n. 2, p. 261-275, maio 2015. DOI: https://doi.org/10.1016/j.iac.2015.01.005. KEMP, Stephen F. Pathophysiology of anaphylaxis. Waltham, MA: UpToDate, Inc., 2024. Atualizado em: 6 mar. 2024. Disponível em: https://www.uptodate.com. Acesso em: 6 set. 2025. KHAN, Bilal Q.; KEMP, Stephen F. Pathophysiology of anaphylaxis. Current Opinion in Allergy and Clinical Immunology, Philadelphia, v. 11, n. 4, p. 319-325, ago. 2011. DOI: https://doi.org/10.1097/ACI.0b013e3283481ab6. KOUNIS, Nicholas G. Kounis syndrome: an update on epidemiology, pathogenesis, diagnosis and therapeutic management. Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (CCLM), Berlin, v. 54, n. 10, p. 1545-1559, 2016. DOI: https://doi.org/10.1515/cclm-2016-0010. RODRÍGUEZ-RUIZ, C. et al. Kounis syndrome: a more commonly encountered cause of acute coronary syndrome. Heart Views, v. 20, n. 3, p. 122-125, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.4103/HEARTVIEWS.HEARTVIEWS_43_19 . Acesso em: 11 set. 2025. |
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