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| INFECÇÃO URINÁRIA DE REPETIÇÃO E RISCO DE PIELONEFRITE | |
| 1MARIA EDUARDA HAGA MATIUSSI, 2SOFIA HECK SCHEUER, 3KELORI PAVLAK MORETTO, 4IZA PAULA DA SILVA PONDIAN | |
| 1Acadêmica do curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A infecção do trato urinário (ITU) é uma condição caracterizada pela presença de microrganismos patogênicos ao longo do sistema urinário, que incluem a bexiga, uretra, ureteres e os rins (SONCIN et al., 2025). Trindade et al. (2019), consideram que a ITU é uma moléstia que ocorre com extrema frequência e que acomete qualquer faixa etária, sendo mais prevalente no sexo feminino, no início da fase adulta ou início da atividade sexual, sendo que 50% a 80% das mulheres apresentarão pelo menos um quadro de infecção do trato urinário ao longo de sua vida e 15%, ao menos uma vez ao ano. As infecções urinárias de repetição, segundo Simões (2014), são definidas com a existência de pelo menos duas infecções dentro de um período de 6 meses, ou três episódios em 1 ano, na qual a Escherichia coli é o agente etiológico isolado com maior frequência, sendo responsável por 70-95% do total dos casos. Este microrganismo possui determinantes genéticos de virulência e de resistência aos antibióticos, que desempenham um papel relevante em infecções urinárias de repetição. A pielonefrite é uma inflamação aguda ou crônica ascendente dos rins, que geralmente começa no túbulo intersticial e depois se espalha para afetar outras estruturas, como o sistema colector e o interstício (MARQUES; CARVALHO, 2016). Martins et al. (2024), complementam que a forma aguda é a mais frequente, caracterizada por uma infecção ascendente que percorre da uretra ao rim, e a crônica, por outro lado, que geralmente ocorre em associação com anomalias anatômicas ou funcionais do trato urinário que predispõem o paciente a infecções repetidas. Estas condições são consideradas relevantes dentro da prática clínica, visto a sua potencial gravidade, que podem levar a complicações sistêmicas, como sepse e à possibilidade de dano renal permanente. Objetivo: Realizar uma revisão de literatura integrativa acerca da infecção do trato urinário de repetição e o risco de pielonefrite. Desenvolvimento: A recorrência de ITU após a primoinfecção acontece em 50% das meninas durante o primeiro ano de seguimento, e em 75% dos casos no período de dois anos de evolução; não há dados comparativos para o sexo masculino (LARCOMBE, 1999 apud KOCH; ZUCCOLOTTO, 2003). A principal agente etiológica das ITUs de repetição é a bactéria Escherichia coli, responsável por até 85% dos casos, seguida por outros agentes como Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae e Enterobacter (MARQUES; CARVALHO et al., 2016). Diversos fatores contribuem para a recorrência das infecções urinárias. Entre os principais, destacam-se a anatomia feminina (uretra curta e proximidade ao ânus), alterações hormonais (como no climatério), uso de espermicidas, constipação intestinal, presença de refluxo vesicoureteral (RVU) em crianças e doenças crônicas (como diabetes mellitus). Além disso, pacientes com histórico de sondagem vesical ou que utilizam cateteres urinários também apresentam risco aumentado para infecções recorrentes e complicações renais subsequentes. (MARTINS et al., 2024). A pielonefrite, quando associada à ITU de repetição, pode resultar em complicações sérias como abscesso renal, urosepse, cicatrização renal crônica e, em casos extremos, insuficiência renal terminal. Crianças com RVU, por exemplo, apresentam maior risco de lesões renais irreversíveis, o que reforça a importância da detecção precoce e tratamento adequado (MARTINS et al., 2024). Segundo Heilberg e Schor et al. (2003), o diagnóstico das ITUs recorrentes deve ser confirmado por urocultura com antibiograma, o que permite identificar o agente e escolher o antimicrobiano apropriado. Em casos suspeitos de pielonefrite, exames de imagem como ultrassonografia, tomografia ou cintilografia renal (DMSA) podem ser utilizados para avaliar a presença de alterações estruturais, como obstruções ou malformações do trato urinário. Em relação ao tratamento, o uso de antibióticos profiláticos em baixa dose por período prolongado, principalmente à noite, aliado a orientações comportamentais como aumento da ingestão de água, micção após relações sexuais, higiene íntima e uso de estrogênio vaginal em mulheres na pós-menopausa. No entanto, o uso indiscriminado de antibióticos deve ser evitado para prevenir resistência bacteriana, conforme destacado por Trindade et al. (2019). Em casos de pielonefrite aguda, o tratamento exige antibióticos de amplo espectro, muitas vezes intravenosos, com possível necessidade de internação, especialmente em grupos de risco como gestantes e imunossuprimidos. Heilberg e Schor et al. (2003), complementam as estratégias não farmacológicas, como probióticos, suco de cranberry e mudanças no estilo de vida, também são úteis na prevenção das recorrências e diminuem a necessidade de antibióticos a longo prazo. Conclusão: As infecções do trato urinário recorrentes representam não apenas um transtorno desconfortável e recorrente, mas também um fator de risco significativo para a pielonefrite e suas potenciais complicações. A abordagem diagnóstica e terapêutica precisa ser individualizada, levando em consideração os fatores de risco de cada paciente e priorizando o reconhecimento precoce dos fatores predisponentes aliado à prevenção para reduzir a morbidade associada a essas infecções. |
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| Referências: HEILLBER, I. P.; SCHOR, N. Abordagem diagnóstica e terapêutica na infecção do trato urinário: ITU. Rev. Assoc. Med. Bras. v. 49, n. 1, jan. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ramb/a/d9yDDkYdZJyBvhnfgTvyxzv/. Acesso em: 26 jul 2025. KOCH, V. H.; ZUCOLLOTTO, S. M. C. Infecção do trato urinário: em busca das evidências. J. Pediatr. v. 79 n. 1, Jun. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jped/a/tLKdwFRczXyFRsmHJprMb8k/. Acesso em: 26 jul 2025. MARQUES, B. T.; CARVALHO, M. M. Pielonefrite. ACTA MSM: Periódico da Escola de Medicina Souza Marques. v. 4 n. 1, 2016. Disponível em: https://revista.souzamarques.br/index.php/ACTA_MSM/article/view/116. Acesso em: 20 jul 2025. MARTINS, L. R. S., et al. PIELONEFRITE: UMA REVISÃO DE LITERATURA. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. São Paulo, v. 10, n. 8, ago. 2024. ISSN:2675-337. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/15462/8181. Acesso em: 25 jul 2025. SIMÕES, M. L. L. INFECÇÃO URINÁRIA DE REPETIÇÃO NA MULHER ADULTA SAUDÁVEL: ESTADO DA ARTE. Universidade de Coimbra (Portugal) ProQuest Dissertations & Theses. 2014. Disponível em: https://www.proquest.com/openview/72a8e62be36201b446abb7a3d407412f/1?pq-origsite=gscholar&cbl=2026366&diss=y. Acesso em: 22 jul 2025. SONCIN, L. M. F., et al. INFECÇÃO URINÁRIA DE REPETIÇÃO COMO FATOR DE PIORA DA QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA. Arquivos Catarinenses de Medicina. [S. l.], v. 53, n. 2, p. 17–30, 2025. DOI: 10.63845/4y5g1p08. Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/1421. Acesso em: 20 jul 2025. TRINDADE, J. P. L., et al. INFECÇÃO URINÁRIA DE REPETIÇÃO EM PACIENTE PORTADOR DE BEXIGA NEUROGÊNICA: RELATO DE CASO. Anais do Seminário Científico da UNIFACIG. n. 5, 2019. Disponível em: https://pensaracademico.unifacig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/view/1392. Acesso em: 22 jul 2025. |
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