FORÇA OU FRAGILIDADE: O PREÇO REAL DO USO DE ANABOLIZANTES  
1LETICIA DE ALENCAR PASSOS BRAGA, 2TAYNARA DE OLIVEIRA ROCHA, 3TAMYRIS PALHANO XIMENES, 4GABRIELLA GABARRÃO SILVA, 5ROSILEY BERTON PACHECO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: Após o primeiro isolamento da testosterona em 1935, intensificaram-se os esforços para sintetizar artificialmente hormônios esteróides, com o objetivo de obter anabolizante puro, sem efeitos androgênicos (Bezerra, et al., 2022). Assim, os esteróides anabolizantes são substâncias sintéticas semelhantes à testosterona, desenvolvidas para potencializar o crescimento muscular e minimizar os efeitos adversos em comparação ao hormônio natural (Oliveira; Cavalcante Neto, 2018). Entretanto, o uso indiscriminado dessas substâncias pode resultar em  efeitos colaterais graves e, em alguns casos, até mesmo em morte súbita entre jovens fisiculturistas (Bezerra, et al.,2022).
Objetivo:  Realizar uma revisão de literatura acerca do uso descomedido de esteróides anabolizantes e seus impactos na população jovem, abordando seus efeitos fisiológicos e riscos associados à saúde.  
Desenvolvimento: Na medicina, os anabolizantes são prescritos em situações de saúde graves, como anemias severas, tratamentos para AIDS, suporte durante a quimioterapia contra o câncer e reposição hormonal masculina em casos de deficiência causada por traumas. Embora proporcione vantagens terapêuticas, os anabolizantes vêm sendo utilizados para o aumento da força e da massa muscular na melhoria do desempenho físico, tanto por atletas quanto pela sociedade em geral (Conceição; Oliveira, 2024; Oliveira; Cavalcante Neto, 2018). Nesse contexto, os meios de comunicação exercem um grande impacto na valorização da perfeição estética, pois a exibição frequente de corpos definidos, muitas vezes esculpidos por procedimentos e cirurgias, reforça um padrão idealizado de aparência, podendo levar ao desenvolvimento de diversos transtornos relacionados à imagem corporal, como a vigorexia, um transtorno dismórfico muscular (Sousa, Silva, Ferreira; 2023). Assim, a insatisfação com a própria aparência, impulsionada por padrões amplamente divulgados, induz o indivíduo a buscar mudanças constantes, sobretudo os jovens, na tentativa de se adequar à sociedade, de modo que o uso de esteroides anabolizantes ocorre como uma resposta à necessidade imposta socialmente e motivada por um ideal de corpo inalcançável (Oliveira; Cavalcante Neto, 2018). No entanto, essa automedicação está relacionada a consequências dermatológicas, musculoesqueléticas, endócrinas, geniturinárias, psicológicas, cardiovasculares e hepáticas, incluindo também  alterações graves de humor, que vão desde mudanças de personalidade até episódios psicóticos reversíveis após a descontinuação, além de aumento da agressividade, depressão e pensamentos ou tendências suicidas (Bezerra, et al., 2022; Conceição; Oliveira, 2024; ). Nesse contexto, os principais riscos nos homens incluem infertilidade, impotência, redução testicular, aumento da próstata e possível desenvolvimento de tumores prostáticos, enquanto nas mulheres os efeitos mais comuns são virilização, como engrossamento da voz, irregularidade menstrual e aumento do clitóris, e em ambos os sexos, podem ocorrer calvície, acne, alterações hepáticas, desenvolvimento de tumores, alteração de sono, cânceres, problemas cardiovasculares, entre outros efeitos adversos (Oliveira; Cavalcante Neto, 2018). Pesquisas demonstram que a maioria dos usuários apresenta pelo menos um efeito  adverso, sendo que cerca de 70% experimentam três ou mais complicações, mas apesar dos riscos graves, incluindo óbito, a prática permanece frequente entre jovens adultos na musculação. Assim, torna-se indispensável investir em conscientização e medidas preventivas por meio da educação em saúde, oferecendo informações claras e acessíveis que auxiliem na redução do consumo entre os jovens, quando não houver indicação médica (Sousa, Silva, Ferreira; 2023). 
Conclusão: Fica evidente que, embora os esteróides anabolizantes ofereçam benefícios terapêuticos em contextos médicos específicos, seu uso indiscriminado para fins estéticos ou de desempenho físico provoca múltiplos efeitos adversos graves, comprometendo diversos sistemas do corpo e a saúde mental. A prática recorrente, impulsionada por padrões corporais idealizados, reforça a necessidade urgente de estratégias de conscientização e educação em saúde para prevenir danos e reduzir o consumo inadequado dessas substâncias. Nesse sentido, incentivar alternativas saudáveis e responsáveis em relação aos cuidados com o corpo e a saúde contribui para a mudança de comportamento dos jovens e para a diminuição das estatísticas de uso indevido.
Referências:
BEZERRA, A. S. et al. Risks related to the use of anabolic steroids for aesthetic purposes. Research, Society And Development, v. 11, n. 7, p. E18811729983-E18811729983, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.33448/rsd-v11i7.29983. Acesso em: 19 Fev 2025.
DA CONCEIÇÃO, R. L.; DE OLIVEIRA, T. B. Riscos Do Uso Inadequado De Esteroides Anabolizantes Androgênico Por Jovens Em Academias: Uma Análise Das Consequências E Fatores Motivacionais. Observatório De La Economía Latinoamericana, v. 22, n. 11, p. E7944-E7944, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.55905/oelv22n11-215. Acesso em: 19 Fev 2025.
OLIVEIRA, L. L.; CAVALCANTE NETO, J. L. Fatores Sociodemográficos, Perfil Dos Usuários E Motivação Para O Uso De Esteroides Anabolizantes Entre Jovens Adultos. Revista Brasileira De Ciências Do Esporte, v. 40, p. 309-317, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.rbce.2018.03.015. Acesso em: 19 Fev 2025.
SOUSA, S. L.; SILVA, S. P.; FERREIRA, T. V. Fatores Associados Ao Uso De Esteroides Anabolizantes Por Praticantes De Exercícios Físicos. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, v. 9, n. 8, p. 2724-2736, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.51891/rease.v9i8.11130. Acesso em: 19 Fev 2025.