INTERVENÇÃO LÚDICO-PSICOLÓGICA COM CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA   
1MARIANA CAROL ARRUDA FERREIRA, 2KELLE FERNANDA SCHIMIDT DOS SANTOS, 3KAUANA KAROL DE CASTRO DA SILVA, 4JOSAVIAS ANTHONY OSHIRO COSTA
1Acadêmica do curso de Psicologia da Unipar
2Acadêmica do Curso de Psicologia da Unipar
3Acadêmica do Curso de Psicologia da Unipar
4Docente da UNIPAR
Introdução: Neste trabalho apresentaremos as experiências vivenciadas no Estágio de Núcleo Comum I e II, do curso de Psicologia. As atividades desenvolvidas nesta disciplina foram realizadas em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) na cidade de Cianorte. Os pressupostos teóricos metodológicos que utilizamos no estágio e na intervenção se basearam na Psicologia Histórico-Cultural, que visa compreender o desenvolvimento do psiquismo humano, a partir de suas determinações histórico-sociais. Além disso, a Pedagogia Histórico-Crítica surge como um base para compreendermos a relevância dos processos educativos para a promoção do desenvolvimento humano (Martins, 2015). É importante definir que a educação infantil, como etapa inicial da educação básica, é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 e pela LDB nº 9.394/1996, sendo regulamentada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, 1996; Brasil, 2017). A primeira infância é um período crucial para o desenvolvimento humano, no qual as atividades lúdicas são essenciais para a aprendizagem e a formação de vínculos e com práticas que contribuem para o desenvolvimento social, cognitivo, motor e emocional das crianças (Silva; Barros, 2022). Ao longo de mais de 50 horas em campo, observamos, mapeamos, caracterizamos, entrevistamos e construímos uma hipótese diagnóstica que gerou o projeto de intervenção, no qual, os resultados serão relatados neste resumo. 
Objetivo: Nosso objetivo é apresentar os resultados da prática de estágio realizada no CMEI com crianças do maternal II. A experiência de estágio gerou um projeto de intervenção, no qual, utilizamos atividades lúdicas para melhorar as relações das crianças em sala de aula.   
Desenvolvimento: Durante o estágio aprendemos e nos aprofundamos em temas pertinentes a Psicologia Escolar e Educacional, focando na compreensão do papel da escola, na dinâmica do desenvolvimento humano e nas contribuições da Psicologia, enquanto ciência e profissão (CFP, 2019). Além disso, em campo, observamos, mapeamos, caracterizamos a instituição e entrevistamos profissionais para a construção do projeto de intervenção. Com toda essa base, percebemos que os alunos do Maternal II apresentavam dificuldades nas relações entre si. Dado isso, traçamos como objetivo melhorar as relações e interações das crianças em sala de aula, propondo como método uma intervenção dívida em três atividades lúdicas: "Bola do nome", "Corrente da amizade" e "Caça na história" que foram planejadas adaptadas conforme as necessidades das crianças. Destacamos que, a organização dessa atividade por meio da brincadeira, possibilitam as crianças a desenvolverem laços e vínculos de afeto que podendo impactar diretamente a vida adulta (Matos; Rabelo; Paiva, 2021). Nesse processo, as crianças demonstraram bons resultados ao longo das atividades propostas, mesmo com as divergências comuns para a idade como, a dificuldade na compreensão das instruções e breves discussões entre o grupo, foi possível trabalhar os objetivos da nossa intervenção e adaptar as brincadeiras diante das dificuldades que surgiram. O ponto positivo dessa intervenção foi a criação de um ambiente acolhedor e divertido, o que contribui para o desenvolvimento das competências socioemocionais, também, proporcionando a melhoria da convivência, estimulando a cooperação e a empatia entre as crianças – essas são habilidades importantes no processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças (Garcia, 2020). A experiência permitiu a vivência prática do funcionamento da rotina CMEI, a importância da ludicidade e o papel do psicólogo na promoção de um ambiente acolhedor e estimulante, além de ressaltar a relevância do trabalho em parceria com a equipe pedagógica. Cada atividade revelou aspectos do desenvolvimento das funções superiores na criança, como linguagem, atenção, memória, e também, a socialização e afetividade (Silva; Barroso, 2022). Como estudantes de Psicologia, nossas ações durante a intervenção foram orientadas pelo compromisso com o bem-estar de cada criança, sempre conforme os princípios da ética profissional. Bem como, na dimensão de práticas escolares que visam atuar como instrumento de transformação social e formação humana (Saviani, 2015). 
Conclusão: A experiência do estágio no CMEI foi fundamental para compreendermos, a práxis e o papel do psicólogo no desenvolvimento infantil. As intervenções realizadas nos possibilitaram observar como as brincadeiras podem fortalecer vínculos, estimular habilidades socioemocionais e contribuir para a formação de relações saudáveis desde os primeiros anos de vida. Além disso, a troca com os educadores e a resposta positiva das crianças tornaram essa experiência significativa, reforçando a importância do papel da ciência psicológica em contextos educativos desde a primeira infância.
Referências:
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 31 de maio. 2025.
BRASIL. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996 estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Edição atualizada até março de 2017.
CONSELHO, FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Referências técnicas para a atuação de psicólogas(os) na educação básica. Brasília: CFP, 2019. 
GARCIA, Monica Christina Brancovan. A importância dos jogos e brincadeiras no processo ensino-aprendizagem da educação infantil. Revista Cognitio, v. 1, n. 1, p. 1–13, 10 abr. 2020. Disponível em: https://revista.cognitioniss.org/index.php/cogn/article/view/38. Acesso em: 1 jun. 2025.
MARTINS, Ligia Márcia. O desenvolvimento do psiquimos humano e a educação escolarcontribuições à luz da Psicologia Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: autores associados, 2015. 
MATOS, Rosa Gabrielle Sousa; RABELO, Jeriane da Silva; PAIVA, Isabel de Carvalho. Brincadeiras e Interações como eixos norteadores na Educação Infantil. EnPe: Ensino em Perspectivas, v. 2, n., p.1-11. Ceará. 2021. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectiva/. Acesso em 25 de mai. 2025.
SAVIANI, Dermeval. Sobre a natureza e especificidade da educação. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, Salvador, v. 7, n. 1, p. 286-293, 2015. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/13575. Acesso em 31 de mai. de 2025
SILVA, Tatiana Maria Ribeiro. BARROSO, Felipe dos Reis. A brincadeira como instrumento de desenvolvimento na Educação Infantil a partir da teoria de Vigotski. Ensino em Perspectivas, Fortaleza, v. 3, n. 1, p. 1-11, 2022. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectiva/. Acesso em: 25 de mai. 2025.