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| RESISTÊNCIA DO STAPHYLOCOCCUS SPP. A ANTIBIÓTICOS UTILIZADOS EM ORTOPEDIA: UM ESTUDO COM AMOSTRAS AMBIENTAIS E INSTRUMENTAIS EM UMA UNIDADE ESPECIALIZADA | |
| 1KARINA SAKUMOTO, 2FRANCIELI GESLEINE CAPOTE BONATO, 3DAVIT WILLIAN BAILO, 4TÚLIO TOZZI FEDRIGO, 5LIDIANE NUNES BARBOSA, 6DANIELA DIB GONCALVES | |
| 1DOUTORANDO EM CIÊNCIA ANIMAL COM ÊNFASE EM PRODUTOS BIOATIVOS 2DOUTORANDO EM CIÊNCIA ANIMAL COM ÊNFASE EM PRODUTOS BIOATIVOS 3Acadêmico do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR 4Acadêmico do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR 5Docente da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A resistência antimicrobiana é reconhecida como uma das principais ameaças à saúde pública global pela OMS e este problema é agravado principalmente pelo uso indiscriminado de antibióticos (Silva et al., 2020). O tratamento de infecções ósseas e articulares pode ser desafiador, pois os antibióticos devem penetrar na estrutura óssea rígida. (Thabit, et al, 2019). A resistência antimicrobiana tem reduzido drasticamente a eficácia dos tratamentos com antimicrobianos convencionais, resultando em 4,95 milhões de mortes globais por infecções bacterianas em 2019, sendo Staphylococcus aureus um dos seis principais patógenos responsáveis por esses óbitos (Murray et al, 2022). Objetivo: Analisar a presença de Staphylococcus spp. em amostras ambientais e instrumentais ortopédicos utilizados em um setor de Ortopedia e Traumatologia da cidade de Umuarama-PR. Material e Métodos: Foram coletadas 28 amostras ambientais e de instrumentais ortopédicos em um setor de Ortopedia e Traumatologia de uma unidade pública de saúde na cidade de Umuarama-PR, no período de dezembro de 2023. A coleta foi realizada em instrumentais cirúrgicos ortopédicos.As amostras foram inoculadas em BHI e incubadas a 37 °C por 24 horas, após semeadas em ágar Manitol Salt, por 24–48 horas, para o isolamento de Staphylococcus spp.. As colônias analisadas por métodos microscópicos e submetidas a testes bioquímicos de catalase e coagulase, conforme Quinn et al . (1994).O perfil de resistência antimicrobiana foi avaliado por meio do teste de disco-difusão,. Foram testados os seguintes antibióticos de uso frequente em ortopedia: Clindamicina, Cefazolina, Cefoxitina, Ceftazidima, Ceftriaxona, Ciprofloxacino e Oxacilina. Resultados: Foram coletadas 28 amostras ambientais e de instrumentais ortopédicos. Metade dos isolados (50%, 14/28) foram identificados como Staphylococcus spp. Dentre estes, 42,8% (6/14) foram identificados como Staphylococcus coagulase negativa, enquanto 57,2% (8/14) foram identificados como Staphylococcus coagulase positiva. Os antibióticos que apresentaram isolados bacterianos com maior resistência foram a Clindamicina com 82,1% (23/28), seguido por Oxacilina 78,6% (22/28) e Ceftazidima com 64,3% (18/28) dos isolados resistentes. Discussão: A detecção de Staphylococcus spp. em 50% das nossas amostras analisadas demonstram que instrumentais ortopédicos e superfícies ambientais atuam como importantes reservatórios de microrganismos resistentes no ambiente hospitalar. A predominância de cepas coagulase positiva (57,2%) reforçam a literatura, que aponta o Staphylococcus aureus como principal agente em infecções associadas a procedimentos ortopédicos, sobretudo em cirurgias com implantes e maior tempo cirúrgico (Ribeiro et al., 2013; Villani et al., 2022). As elevadas taxas de resistência observadas neste estudo, em especial à Clindamicina (82,1%) e à Oxacilina (78,6%), aproximam-se do perfil de cepas resistentes à meticilina (MRSA), reconhecidas como um dos principais desafios terapêuticos em infecções ósseo-articulares (Mesquita et al., 2024). Em um hospital terciário, S. aureus foi o patógeno mais frequentemente isolado em infecções associadas à implantação de dispositivos ortopédicos, com destaque para cepas resistentes (MRSA), reforçando a necessidade de vigilância e protocolos antimicrobianos rigorosos (Zheng et al., 2024). No contexto das infecções ortopédicas, a evolução das técnicas médicas tem desempenhado papel relevante e os avanços recentes incluem o desenvolvimento de biomateriais com maior compatibilidade tecidual, a utilização de técnicas minimamente invasivas como a artroscopia, o aperfeiçoamento das artroplastias, a introdução de terapias baseadas em células-tronco e o emprego de tecnologias digitais, como a realidade virtual, que contribuem para uma recuperação mais eficiente e segura dos pacientes (Silva et al., 2020). A elevada resistência à clindamicina identificada em nosso estudo alerta para a necessidade de incorporar, de forma sistemática, testes de sensibilidade antimicrobiana antes da escolha terapêutica. O uso empírico desse antimicrobiano, ainda comum em protocolos ortopédicos, pode resultar em falhas terapêuticas e consequencias drásticas. Assim, a adoção de estratégias de prevenção, vigilância microbiológica e protocolos mais rigorosos de controle de infecção hospitalar são medidas fundamentais para minimizar riscos e complicações. Conclusão: Os resultados demonstram que instrumentais ortopédicos e superfícies ambientais podem atuar como reservatórios de Staphylococcus spp. resistentes, com destaque para os elevados índices frente à Clindamicina, Oxacilina e Ceftazidima. Esse perfil evidencia o risco potencial de contaminação em ambientes cirúrgicos e a necessidade de fortalecer as práticas de biossegurança. Tais achados reforçam a importância de protocolos mais rigorosos de controle de infecção hospitalar, aliados à vigilância microbiológica contínua. Além disso, o uso racional dos antibióticos na ortopedia é uma medida essencial para reduzir falhas terapêuticas, otimizar o manejo clínico-cirúrgico e preservar a eficácia dos antimicrobianos ainda disponíveis. |
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| Referências: MESQUITA, L. E. S. et al. Osteomielite: uma revisão abrangente sobre fisiopatologia, diagnóstico, abordagem cirúrgica e farmacológica. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 2, p. 1-13, 2024. DOI: 10.34119/bjhrv7n2-237. MURRAY, C. J. L. et al. Global burden of bacterial antimicrobial resistance in 2019: a systematic analysis. The Lancet, London, v. 399, n. 10325, p. 629-655, 2022. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)02724-0. RIBEIRO, J. C. et al. Ocorrência e fatores de risco para infecção de sítio cirúrgico em cirurgias ortopédicas. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 26, n. 4, p. 344-349, 2013. DOI: 10.1590/S0103-21002013000400009. SILVA, R. A. et al. Resistência a antimicrobianos: a formulação da resposta no âmbito da saúde global. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 44, n. 126, p. 607-623, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-1104202012616. THABIT, A. K. et al. Antibiotic penetration into bone and joints: an updated review. International Journal of Infectious Diseases, Amsterdam, v. 81, p. 128-136, 2019. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ijid.2019.02.005. VILLANI, C. et al. Orthopaedic implant-associated staphylococcal infections: a critical review. Antibiotics, Basel, v. 11, n. 4, p. 467, 2022. DOI: https://doi.org/10.3390/antibiotics11040467. ZHENG, X. et al. Prevalence of Staphylococcus aureus infections in the implantation of orthopedic devices in a third-level hospital: an observational cohort study. Journal of Clinical Medicine, Basel, v. 13, n. 10, p. 2861, 2024. DOI: https://doi.org/10.3390/jcm13102861. |
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