COINFECÇÃO POR HPV E Candida sp.: IMPLICAÇÕES PARA LESÕES CERVICAIS E SAÚDE GINECOLÓGICA  
1JOÃO FRANCISCO VELASQUEZ MATUMOTO, 2AMABILLY CRISTINA MARTIM, 3JAQUELINE BORGES GOMES REZENDE, 4MARIA ANDREA DOS SANTOS DE MORAIS, 5MARIA GRACIELA IECHER FARIA NUNES
1Acadêmico do PIC/Unipar
2Acadêmica do Curso de Farmácia da UNIPAR
3Discente em pós-graduação em biotecnologia aplicada a agricultura
4Discente em pós-graduação em biotecnologia aplicada a agricultura
5Docente da UNIPAR
Introdução: Papilomavírus Humano (HPV) é considerado uma das infecções virais mais prevalentes no mundo onde, atualmente, mais de 200 tipos já foram identificados, entre estes ao menos 12 tipos são considerados oncogênicos, em especial os tipos 16 e 18 que estão presentes em 70% dos casos registrados de câncer de colo de útero (Ministério da Saúde, 2023). Leveduras do gênero Candida sp., por sua vez, são fungos pertencentes à microbiota vaginal feminina, sendo responsáveis pela candidíase vulvovaginal, um problema ginecológico presente em 75% das mulheres ao longo da vida (Christóvão et al., 2017). 
Objetivo: Realizar um breve levantamento sobre o Papilomavírus Humano (HPV) e sua relação com a Candida sp
Desenvolvimento: Gultekin e Can (2023) avaliaram amostras de 350 mulheres e destas 24 % eram HPV positivas e dentre estas 59,4% apresentaram candidíase vulvovaginal. Assim, sugere-se que estas leveduras, quando causando candidíase vaginal, podem alterar o epitélio cervical, aumentando a chance de infecção pelo HPV, permitindo que o vírus entre nas células basais do epitélio. Moreira et al. (2023) demonstraram que 75 % das mulheres HPV positivas, tendem a ter vulvovaginite fúngica. Dessa forma, a identificação de achados microbiológicos é de grande importância, visto que a orientação, diagnóstico e o tratamento adequados, tendo como objetivo principal restaurar o equilíbrio da microbiota e prevenir complicações. Zhang et al. (2024) analisaram dados de 5528 pacientes positivos para HPV e a relação coinfecção HPV/Candida, destas 800 apresentaram levedura e vírus. Estes autores verificaram que a coinfecção por fungos e HPV pode diminuir o risco de lesões cervicais em comparação à infecção por HPV isoladamente. No grupo de coinfecção, em comparação à infecção por HPV isoladamente, o risco de lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau foi reduzido em 27%, o risco de lesões intraepiteliais escamosas de alto grau foi reduzido em 35% e o risco de câncer cervical foi reduzido em 43%. Em conclusão, este estudo revelou um potencial papel protetor da coinfecção com fungos e HPV contra lesões cervicais em comparação com a infecção por HPV isoladamente em nossa população de estudo. Considerando esses aspectos, observa-se a necessidade das mulheres realizarem o exame Papanicolau todo ano, pois garante uma diminuição na cadeia de transmissão dos microrganismos associados à inflamação na incidência de lesões pré malignas e malignas do colo de útero, resultando no controle indireto de HPV (Oliveira Câmara et al., 2025).  
Conclusão: A infecção pelo Papilomavírus Humano representa um importante problema de saúde pública, devido à sua alta prevalência, potencial oncogênico e capacidade de comprometer o sistema imunológico. Apesar de alguns estudos demonstrarem que a presença de candidíase pode facilitar a infecção por HPV, já existem relatos de que a presença da levedura pode reduzir o risco de lesões de alto grau e até mesmo câncer.  Nesse contexto, destaca-se a importância do diagnóstico precoce por meio do exame Papanicolau, da orientação profissional adequada e do tratamento das infecções associadas, visando restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal. Mas, ainda há necessidade de mais estudos sobre a relação HPV/Candidíase vulvovaginal.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Queda da cobertura vacinal contra o HPV representa risco de aumento de casos de cânceres evitáveis no Brasil. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/fevereiro/queda-da-cobertura-vacinal-contra-o-hpv-representa-risco-de-aumento-de-casos-de-canceres-evitaveis-no-brasil Acesso em: 5 jul. 2025.
CHRISTÓVÃO, Renata Gomes et al. Espécies de candida predominantes em secreção vaginal de mulheres sintomáticas e não: uma revisão integrativa. Conversas Interdisciplinares, v. 13, n. 3, 2017. Dísponivel em: http://www.periodicos.ulbra.br/index.php/ci/article/view/3983. Acesso em: 5 jul. 2025. 
DE OLIVEIRA CÂMARA, Ana Carolina et al. Análise epidemiológica da infecção feminina pelo papilomavírus humano em uma Unidade Básica de Saúde de Olinda, Pernambuco. Anais da Faculdade de Medicina de Olinda, v. 1, n. 13, p. 1–13, 2025. Dísponivel em: https://afmo.emnuvens.com.br/afmo/article/view/364 . Acesso em: 5 jul. 2025
MOREIRA, Débora et al. Fatores socioeconômicos e microbiológicos (“Candida albicans”) relacionados à infecção pelo HPV em mulheres atendidas em hospital de São Paulo/Brasil. The Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 27, p. 103538, 2023. Dísponivel em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1413867023007985. Acesso em: 5 jul. 2025.
OKTAY GULTEKIN, Efdal; CAN, Behzat. Prevalence of Candida albicans in High‐Risk Human Papillomavirus‐Positive Women: A Study in Diyarbakır Province, Turkey. Canadian Journal of Infectious Diseases and Medical Microbiology, v. 2023, n. 1, p. 9945561, 2023. Dísponivel em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37854871/. Acesso em: 5 jul. 2025.
ZHANG, Yulong et al. Unveiling the hidden link: fungi and HPV in cervical lesions. Frontiers in Microbiology, v. 15, p. 1400947, 2024. Dísponivel em:https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39257614/ Acesso em: 5 jul. 2025