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| ESTRATÉGIAS PARA A MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS DO DÉFICIT HÍDRICO NA AGRICULTURA | |
| 1DERCIEL ALVES BATISTA, 2ADRIANO BATISTA, 3THIAGO ALBERTO ORTIZ | |
| 1Discente de Engenharia agronômica, Universidade Paranaense (UNIPAR) 2Discente de Engenharia agronômica, Universidade Paranaense (UNIPAR) 3Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR) |
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| Introdução: A agricultura desempenha papel central na economia global, ao garantir a produção de alimentos, fibras e insumos essenciais ao desenvolvimento humano. Entretanto, as mudanças climáticas têm intensificado os desafios do setor, sobretudo quanto à disponibilidade e ao uso eficiente da água (Santos et al., 2022). O déficit hídrico, resultante de alterações nos padrões de precipitação e do aumento das temperaturas, configura-se como uma das principais ameaças à produtividade agrícola, em especial em regiões tropicais e subtropicais, como o Brasil (Farias e Pontes, 2025). Nesse contexto, cresce o interesse em tecnologias voltadas à mitigação do estresse hídrico, destacando-se a necessidade de integrar práticas conservacionistas e ferramentas digitais (Silva et al, 2025). Apesar dos avanços, ainda há lacunas na literatura sobre os efeitos da combinação entre estratégias de manejo sustentável e inovações tecnológicas na agricultura tropical (Moraes et al., 2025). Assim, torna-se imprescindível investigar abordagens holísticas que conciliem aspectos agronômicos e tecnológicos, com vistas a soluções sustentáveis. Entre as alternativas em evidência estão o uso de coberturas vegetais, sistemas de irrigação de precisão e plataformas digitais de monitoramento climático, capazes de otimizar o consumo de água e apoiar decisões frente a eventos extremos (Freitas et al., 2021; Mendes et al., 2025). Objetivo: Analisar as principais estratégias de mitigação dos impactos do déficit hídrico na agricultura, com ênfase em práticas sustentáveis e inovações tecnológicas, visando contribuir para uma produção agrícola mais resiliente e eficiente frente às mudanças climáticas. Desenvolvimento: As práticas conservacionistas de manejo do solo e da água têm se consolidado como estratégias fundamentais para mitigar os efeitos do déficit hídrico. O Sistema Plantio Direto (SPD), ao manter cobertura vegetal sobre o solo, mostra-se até 23% mais eficiente no uso da água, resultando em maior produtividade com menor volume aplicado (Marouelli, Silva e Madeira, 2006). A rotação de culturas associada ao SPD tem sido determinante para ampliar a infiltração de água e reduzir a resistência à penetração do solo, em comparação ao plantio direto com sucessão de soja e milho (Pereira Martins e Lopes dos Santos, 2017). Nesse mesmo contexto, a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) tem apresentado ganhos expressivos em tolerância ao estresse hídrico e na regulação microclimática, contribuindo para o aumento da produtividade agrícola (Giese et al., 2019). No que se refere às tecnologias de irrigação, o sistema de gotejamento apresenta economia significativa de água, além de ganhos em produtividade e eficiência energética (Martins et al., 2007). A automação desses sistemas, aliada ao uso de sensores de umidade e estações meteorológicas, tem favorecido o uso mais racional dos recursos hídricos (Pinto, 2021). As ferramentas digitais de monitoramento também vêm ganhando espaço. O sensoriamento remoto, aliado a índices de vegetação, possibilita identificar áreas sob estresse hídrico e orientar intervenções mais precisas, reduzindo perdas produtivas (Marion, Andres e Hendges, 2021). Além disso, modelos preditivos baseados em inteligência artificial têm se mostrado capazes de prever períodos críticos de seca, permitindo ajustes antecipados no manejo agrícola (Pereira e Silva, 2025). Apesar dos avanços, persistem barreiras à adoção dessas estratégias, como o alto custo inicial, a necessidade de capacitação técnica e a limitação de acesso às tecnologias, especialmente entre pequenos e médios produtores (Rocha, Guimarães e Oliveira, 2024). Por outro lado, políticas públicas e linhas de crédito direcionadas têm favorecido a implementação de práticas sustentáveis, ampliando o acesso a tecnologias para mitigação dos impactos do déficit hídrico na agricultura (Cunha e Fornazier, 2025). Entretanto, a escolha das estratégias mais adequadas deve considerar fatores edafoclimáticos, econômicos e socioambientais regionais, de modo a garantir soluções que conciliem produtividade, eficiência e sustentabilidade a longo prazo. Conclusão: Não existe solução única para o estresse hídrico, mas sim um conjunto de práticas e tecnologias adaptadas a cada sistema produtivo. O SPD e a ILPF destacam-se pela melhoria da estrutura do solo, aumento da infiltração e retenção de água, além de benefícios ambientais. Tecnologias de irrigação eficiente, como gotejamento e automação por sensores, reduzem significativamente o consumo hídrico e podem gerar retorno econômico em médio prazo. Ferramentas digitais de monitoramento e modelos preditivos apoiam decisões mais precisas e antecipadas. Contudo, o alto custo inicial e a falta de capacitação limitam sua adoção por pequenos produtores, reforçando a necessidade de políticas públicas e apoio técnico. A integração de diferentes estratégias, em abordagem sistêmica, mostra-se mais eficaz do que ações isoladas. Assim, a construção de uma agricultura resiliente frente às mudanças climáticas depende da combinação de práticas sustentáveis, inovações tecnológicas e políticas que ampliem o acesso a recursos e informação. |
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| Referências: Cunha, A. P.; Fornazier, A. O papel das políticas públicas de crédito rural no desenvolvimento sustentável do campo: uma revisão de literatura. Caderno Pedagógico, v. 22, n. 4, e14210, 2025. Farias, T. P. de; Pontes, R. J. A. de. Desertificação e mudanças climáticas no Ceará: impactos futuros sobre as populações mais vulneráveis. Epitaya E-Books, v. 1, n. 98, p. 1-104, 2025. Freitas, W. B. de et al. Influência do uso e manejo do solo na infiltração de água: uma revisão. In: Guimarães, L. L.; Freitas, P. G. de (org.). Meio ambiente: gestão, preservação e desenvolvimento sustentável: volume 3. Rio de Janeiro: e-Publicar, 2021. cap. 28. Giese, M. et al. Dinâmica da água em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. In: Bungenstab, D. J. et al. (org.). ILPF: inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2019. cap. 14. Marion, F. A.; Andres, J.; Hendges, E. R. Evolução dos índices de vegetação e sua relação com o estresse hídrico: uma revisão. Geofronter, v. 7, n. 1, 2021. Marouelli, W. A.; Silva, H. R. da; Madeira, N. R. Uso de água e produção de tomateiro para processamento em sistema de plantio direto com palhada. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 41, n. 9, p. 1399-1404, 2006. Martins, C. C. et al. Manejo da irrigação por gotejamento no cafeeiro (Coffea arabica L.). Bioscience Journal, v. 23, n. 2, p. 61-69, 2007. Mendes, W. R. et al. Sensoriamento remoto aplicado ao monitoramento agrícola e ambiental. Revista de Gestão e Secretariado, v. 16, n. 6, e4874, 2025. Moraes, J. D. S. de et al. Efeitos das mudanças climáticas na agricultura: uma abordagem bibliográfica. Revista Acadêmica Online, v. 11, n. 56, e1397, 2025. Pereira, V. V.; Silva, B. L. O uso da inteligência artificial no manejo de pastagem. Observatorio de la Economía Latinoamericana, v. 23, n. 4, 2025. Pereira Martins, F.; Lopes dos Santos, E. Taxa de infiltração da água e a resistência do solo à penetração sob sistemas de uso e manejo. Acta Iguazu, v. 6, n. 4, p. 28-40, 2017. Pinto, C. A. S. O uso de um sistema de automação na gestão de recursos hídricos para a irrigação periódica de hortas familiares: uma proposta para uma casa de vegetação. Revista Interface Tecnológica, v. 18, n. 1, 2021. Rocha, L. O. de S.; Guimarães, C. R. R.; Oliveira, R. A. P. de. Exploração do uso eficiente de recursos hídricos na agricultura: investigação de técnicas de irrigação e tecnologias para a minimização do desperdício de água. Revista Foco, v. 17, n. 4, e4950, p. 01-18, 2024. Santos, B. P. dos et al. Agricultura e irrigação no Brasil no cenário das mudanças climáticas. Revista de Tecnologia & Gestão Sustentável, v. 1, n. 2, 2022. Silva, A. K. P. de M. et al. Convivência com o semiárido: políticas públicas e tecnologias para mitigar a escassez hídrica. Caderno Pedagógico, v. 22, n. 7, e16181, 2025. |
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