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| ANÁLISE DA PROGRAMAÇÃO FETAL E DA EPIGENÉTICA NO DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS | |
| 1BIANCA GASPARETTO REBERTI, 2ELMAR APARECIDO RAMBO, 3ERICK DOUGLAS MESQUITA COSTA, 4JOAO GABRIEL FEITOSA DE OLIVEIRA, 5LUCIANO SERAPHIM GASQUES | |
| 1Acadêmico do PIC/UNIPAR 2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A longevidade é amplamente moldada por fatores que atuam antes do nascimento, nesse contexto, a teoria da programação fetal, ou das Origens do Desenvolvimento da Saúde e da Doença (DOHaD), destaca que o ambiente intrauterino, os estímulos nos primeiros anos que regulam funções fisiológicas e o equilíbrio corporal, influenciando, assim, o risco de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) na vida adulta (Fall; Kumaran, 2019). Além disso, o conceito de “fenótipo econômico” sugere que a exposição fetal à desnutrição ou ao excesso de oferta alimentar, provoca adaptações metabólicas, as quais tornam-se fatores de risco para obesidade, para diabetes tipo 2 e para outras DCNT (Gluckman et al., 2004). Nesse contexto, a epigenética constitui um campo da biologia dedicado ao estudo das modificações químicas no DNA ou nas proteínas associadas que alteram a produção de proteínas, desempenhando papel fundamental no controle da expressão gênica e na predisposição a doenças, o que a torna uma área promissora para avanços na programação fetal aplicada à medicina (Farsetti; Illi; Gaetano, 2025). Objetivo: Verificar na literatura científica a associação entre o desenvolvimento fetal, seus dobramentos e implicações ao longo da vida com a saúde dos indivíduos, podendo representar a origem de múltiplas comorbidades futuras, como DCNTs. Desenvolvimento: O surgimento das DCNTs resulta de uma interação multifatorial entre componentes genéticos, epigenéticos e ambientais, sendo que a epigenética é central na programação fetal e na compreensão da origem de várias doenças (Moore et al., 2020). Consoante ao autor, entre seus mecanismos, destaca-se a regulação gênica por proteínas que identificam regiões-alvo do DNA, ativando ou reprimindo a transcrição conforme a compactação da cromatina, modulada por metilação, acetilação e fosforilação das histonas. A metilação do DNA, processo epigenético essencial, ocorre quando grupos metil se ligam à citosina em dinucleotídeos CG, formando 5-metilcitosina que é mantida pela DNA metiltransferase 1 (DNMT1). Esta condição persiste na replicação celular e garante herança epigenética. Segundo o mesmo autor, a metilação em regiões promotoras pode reprimir a transcrição, reduzindo a acessibilidade do DNA aos fatores de transcrição ou atraindo proteínas que bloqueiam sua ligação. Além disso ressalta, que durante o desenvolvimento embrionário, o epigenoma é amplamente reconfigurado por ondas de desmetilação e remetilação. Outrossim, na formação das células germinativas, uma nova onda restabelece padrões epigenéticos essenciais à função reprodutiva. Esses eventos envolvem mecanismos passivos, como inativação da DNA metiltransferase 1 (DNMT1), e ativos, via enzimas que removem grupos metil. Essa base molecular influencia a diferenciação celular, formação tecidual e susceptibilidade a doenças. Fatores ambientais em janelas críticas, como gestação e lactação, podem interferir nesses processos. Sob tal ótica, a superalimentação materna durante a gestação e outras condições nutricionais adversas, atuam como fatores de risco para a programação metabólica fetal, processo no qual mecanismos epigenéticos modulam a expressão gênica sem alterar a sequência do DNA, essa reprogramação está associada ao aumento do risco de obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica na vida adulta, configurando um elo direto entre o ambiente intrauterino e a predisposição a doenças crônicas não transmissíveis (Zhu et al., 2019).Também existem evidências que indicam que alterações epigenéticas envolvendo metilação do DNA, modificações de histonas e expressão de ncRNAs podem mediar esses efeitos, afetando genes relacionados ao crescimento, ao metabolismo energético e à sensibilidade à insulina, comprometendo a saúde metabólica da prole. Sob esse viés, a alimentação materna rica em doadores de grupos metil, como, carnes, peixes e ovos, influencia o perfil de metilação gênica, enquanto a exposição a compostos obesogênicos como ftalatos e bisfenol A, presentes no plástico podem agravar esse cenário (Farsetti; Illi; Gaetano, 2025). Conclusão: Constata-se que a epigenética é uma fonte explicativa plausível para a transmissão não genética do risco metabólico intergeracional. Assim, comportamentos como alimentação balanceada durante a gestação, suplementação adequada e aleitamento prolongado emergem como fatores promissores à saúde fetal, prevenindo alterações epigenéticas deletérias, como o aumento da metilação, principal razão pela expressão gênica alterada no indivíduo. Dessa forma, compreende-se que o ambiente parental influencia diretamente o epigenoma da prole, de modo que há uma correlação direta entre exposições precoces e a origem de doenças metabólicas nas gerações futuras, como a Diabetes Mellitus. |
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| Referências: FARSETTI, Antonella; ILLI, Barbara; GAETANO, Carlo. How epigenetics impacts on human diseases. European journal of internal medicine, v. 114, p. 15-22, 2023. FALL, Caroline HD; KUMARAN, Kalyanaraman. Metabolic programming in early life in humans. Philosophical Transactions of the Royal Society B, v. 374, n. 1770, p. 20180123, 2019. GLUCKMAN, Peter D.; HANSON, Mark A. Developmental origins of disease paradigm: a mechanistic and evolutionary perspective. Pediatric research, v. 56, n. 3, p. 311-317, 2004. MOORE, Keith L.; PERSAUD, Trivedi Vidhya Nandan; TORCHIA, Mark G. (Ed.). Embriologia clínica. Elsevier Health Sciences, 2020. ZENG, Yang; CHEN, Taiping. DNA methylation reprogramming during mammalian development. Genes, v. 10, n. 4, p. 257, 2019. ZHU, Ziqiang; CAO, Fang; LI, Xiaozhong. Programação epigenética e programação metabólica fetal. Frontiers in endocrinology , v. 10, p. 764, 2019. |
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