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| CARDIOMIOPATIA HIPERTRÓFICA FELINA - REVISÃO DE LITERATURA | |
| 1ANA JULIA DA SILVA CUNHA, 2ADRIELLE MARTINS BEM, 3ANA BEATRIZ DA SILVA MARQUES, 4LEANDRO LUÍS MARTINS, 5NATALIE BERTELIS MERLINI | |
| 1Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 2Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 3Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 4Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina 5Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP |
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| Introdução: A Cardiomiopatia Hipertrófica CMH é um distúrbio clinicamente heterogêneo caracterizado por aumento da massa cardíaca através de espessamento, que varia de discreto a severo, da câmara ventricular, primariamente dos músculos papilares e das paredes ventriculares do ventrículo esquerdo VE, associado à disfunção diastólica (Kittleson et al., 1999). Segundo Moizes e Silva (2021) o diagnóstico da CMH em gatos é complexo, por se tratar de uma doença primária ou secundária. O tratamento de animais assintomáticos é um assunto discutido e estudado insistentemente, já que não está claro se a progressão da doença pode ser retardada ou a sobrevida pode ser prolongada antes das manifestações dos sinais clínicos (Nelson; Couto, 2023). Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo abordar, de forma ampla, os aspectos relacionados à afecção denominada como cardiomiopatia hipertrófica na espécie felina, buscando reunir as informações disponíveis sobre esta afecção. Desenvolvimento: A cardiomiopatia hipertrófica CMH é a doença miocárdica mais comum que acomete felinos e se caracteriza por hipertrofia do ventrículo esquerdo. É classificada como secundária, quando resultante de doenças primárias como o hipertireoidismo, a hipertensão sistêmica e a estenose subaórtica (Norsworthy et al., 2009; Nelson; Couto, 2023) e se tratando de sua forma primária, as teorias mais aceitas apontam para causas genéticas, sob esse aspecto, sua ocorrência se dá devido a alterações nos genes que possuem a função de produzir proteínas sarcômeras, o que leva a uma hipertrofia cardíaca congestiva, com mudanças anatômicas do lado esquerdo do coração (Silva et al., 2021). Do mesmo modo que nos humanos, a CMH nos felinos também apresenta caráter hereditário, sendo mais prevalente em algumas raças do que em outras (Norsworthy et al., 2009; Nelson; Couto, 2023), a afecção pode cursar com uma doença subclínica que persistem ao longo da vida até a morte ou com Insuficiência Cardíaca Congestiva ICC e Tromboembolismo Aórtico Cardiogênico (Kittleson et al., 1999; Rishniw; Pion, 2011). Gatos com CMH podem apresentar-se sintomáticos ou assintomáticos, podendo desenvolver sinais clínicos após um evento estressante. Também podem manifestar sinais de ICC e/ou sinais de doença tromboembólica (Tylley; Goodwin, 2002), desconforto respiratório, relacionado ao edema pulmonar e derrame pleural, são as manifestações clínicas mais comumente observadas em felinos, anorexia e letargia também são relatados (Abbott, 2010; Nelson; Couto, 2023). O diagnóstico pode ser realizado por meio da anamnese, exame físico e exames complementares, tais como, ecocardiografia, radiografia e eletrocardiografia, muitos pacientes não apresentam sinais clínicos, e o diagnóstico ocorre diante de um sopro sistólico, ritmo de galope ou arritmias, captados em um exame de rotina (Norsworthy et al., 2009). A ecocardiografia é padrão ouro para diagnóstico da CMH em felinos (Moizes; Silva, 2021), achados como o espessamento miocárdico são comuns e a hipertrofia frequentemente tem distribuição assimétrica entre as várias regiões da parede ventricular esquerda, do septo e dos músculos papilares. Para animais sintomáticos, os objetivos do tratamento são: melhorar o preenchimento ventricular, diminuir a congestão, controlar as arritmias, minimizar a isquemia e prevenir o tromboembolismo (Nelson; Couto, 2023), animais com risco de morte súbita por edema pulmonar ou efusão pleural devem receber tratamento emergencial (Tilley; Goodwin, 2002). O prognóstico nesses felinos depende da gravidade e estágio da doença cardíaca (Norsworthy et al., 2009). Os animais assintomáticos geralmente possuem uma sobrevida média de cinco anos, casos de insuficiência cardíaca congestiva e tromboembolismo conferem um prognóstico reservado, com média de 2 a 6 meses de sobrevida (Atkins, 2009; Nelson; Couto, 2023). Conclusão: Conclui-se que a Cardiomiopatia Hipertrófica CMH é uma doença cardíaca importante na espécie felina. É de grande ajuda informações da anamnese e exame físico do paciente, assim como exames de rotina podem ser fundamentais para a identificação da doença, colaborando para um diagnóstico precoce que permite fornecer melhores condições de vida ao paciente e um melhor prognóstico. |
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| Referências: ABBOTT, J.A. Feline Hypertrophic Cardiomyopathy: An Update. Veterinary Clinic of North America: Small Animal Practice, [s. l.] v.40, p.685-700, 2010. ATKINS, C. E. Feline Hypertrophic Cardiomyopathy. In: Proceedings of the European Veterinary Conference. Voorjaarsdagen, Amsterdam, Netherlands, 23-25 April, p. 6-9. 2009. KIENLE, R.D. Feline Cardiomyopathy. In: TILLEY, L.P.; SMITH, S.W.K.; OYAMA, M. A. et al. (Eds.). Manual of Canine and Feline Cardiology. 4.ed. St Louis: W.B. Saunders, 2008, p. 151-175. KITTLESON, M.D.; MEURS, K.M.; MUNRO, M.J. et al. Familial hypertrophic cardiomyopathy in Maine Coon cats: An animal model of human disease. Circulation, [s. l.], v. 99, p. 3172-3180, 1999. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/01.CIR.99.24.3172. Acesso em: 30 ago. 2025. MOIZES, M. M. N.; SILVA, R. K. R. S. Diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica felina: revisão de literatura atual. Revista Multidisciplinar em Saúde, [s. l.] v. 2, n. 3, p. 139, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.51161/rems/2413. Acesso em: 30 ago. 2025. NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina Interna de Pequenos Animais. 6ª. ed. St. Louis: Mosby, 2023. p.1560. NORSWORTHY, G. D.; CRYSTAL, M.A.; GRACE, S. F.; TILLEY, L. P. O Paciente Felino. 3ª ed. São Paulo: Roca, 2009. p.801. RISHNIW, M.; PION, P.D. Treatment of feline hypertrophic cardiomyopathy based in science or faith? A survey of cardiologists and a literature search. Journal of Feline Medicine and Surgery. London; Philadelphia: WB Saunders Co., v. 13, p. 487-497, 2011. SILVA, R. K. R. S. et al. Cardiomiopatia hipertrófica felina: uma revisão de literatura atual. Revista Multidisciplinar Em Saúde, [s. l.] v. 2, n. 3, p. 110, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.51161/rems/1931?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 30 ago. 2025. TYLLEY L.P.; GOODWIN J.K. Manual De Cardiologia para Cães e Gatos. 3.ed. São Paulo: Roca, 2002, p. 161-166. |
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