POCUS NO DIAGNÓSTICO DA INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA: APLICABILIDADE CLÍNICA DO PROTOCOLO BLUE   
1HELOISA SANDES GROSSI, 2MARIA CRISTINA TRENTINI PAGNUSSAT, 3 MARIA FERNANDA MAGALHÃES ALMEIDA , 4THAYNA MONTEIRO TAVARES, 5NIARA ARANTES OLIVEIRA SILVA , 6REINALDO HIGASHI YOSHII
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A insuficiência respiratória aguda (IRA) é uma das emergências mais frequentes em unidades de pronto atendimento e terapia intensiva, exigindo diagnóstico rápido para guiar condutas imediatas e reduzir mortalidade (BOUHEMAD et al. 2015). A ultrassonografia à beira do leito (POCUS) emergiu como ferramenta valiosa neste cenário, especialmente com o protocolo BLUE (Bedside Lung Ultrasound in Emergency), desenvolvido por Lichtenstein e Mezière, que oferece diagnóstico em minutos sem necessidade de transporte do paciente (LICHTENSTEIN, MEZIÈRE. 2008). Essa aplicabilidade ganha relevância no Brasil, onde há limitações estruturais e alta demanda por métodos diagnósticos rápidos (DEXHEIMER NETO et al., 2015).
Objetivo: Demonstrar, com base em literatura nacional e internacional, o diferencial clínico do protocolo BLUE na abordagem da IRA, ressaltando sua rapidez, acurácia, aplicabilidade no contexto brasileiro e vantagens sobre métodos convencionais.
Desenvolvimento: O protocolo BLUE é um algoritmo de ultrassonografia pulmonar que, a partir da avaliação de pontos anatômicos específicos no tórax, identifica padrões ultrassonográficos — como linhas A, linhas B, consolidações e ausência de deslizamento pleural — para diferenciar as principais causas de IRA: edema pulmonar, pneumonia, pneumotórax, doença pulmonar obstrutiva e embolia pulmonar (LICHTENSTEIN, MEZIÈRE. 2008). Essa abordagem permite diagnóstico em cerca de três minutos, com acurácia superior a 90% (RADIOPAEDIA, 2021). Estudo brasileiro conduzido em UTI de Porto Alegre demonstrou que o BLUE alcançou sensibilidade de 86% e especificidade de 89% para pneumonia, e valores ainda mais elevados para edema cardiogênico, mesmo com operadores de treinamento básico (Dexheimer Neto et al., 2015). Essa rapidez diagnóstica é crucial para evitar atrasos que, em quadros graves, podem ser fatais (BOUHEMAD et al. 2015). Comparado à radiografia de tórax, o BLUE apresenta maior sensibilidade para pneumotórax e consolidações subpleurais, além de não expor o paciente à radiação (FAMUS, 2023). A tomografia computadorizada, embora seja padrão-ouro em muitas situações, demanda deslocamento, tempo e estabilidade hemodinâmica — fatores nem sempre presentes em pacientes críticos (SARTINI et al.2024). A aplicabilidade do BLUE no Brasil também se beneficia da portabilidade dos aparelhos de ultrassom, que podem ser utilizados desde grandes hospitais até unidades móveis de atendimento, ampliando o acesso a diagnósticos rápidos (USP–Bauru, s.d.). Além disso, reduz custos com exames complementares e otimiza leitos, fatores relevantes para o sistema público (FAMUS, 2023). Em casos relatados por equipes da área da saúde, o POCUS permitiu identificar pneumotórax hipertensivo antes mesmo da radiografia, possibilitando drenagem imediata com reversão rápida da instabilidade hemodinâmica (VOLPICELLI et al 2012). Em outro exemplo, um paciente com IRA e ausculta inespecífica teve diagnóstico precoce de pneumonia pelo BLUE, antecipando antibioticoterapia e evitando piora respiratória (DEXHEIMER NETO et al., 2015). Além do aspecto diagnóstico, o POCUS na IRA favorece decisões terapêuticas mais assertivas, pois permite reavaliações seriadas durante a internação, monitorando a resposta ao tratamento (SARTINI et al, 2024). Esse acompanhamento dinâmico é uma vantagem inexistente nos métodos radiológicos convencionais.
Conclusão: Diante da análise da literatura nacional e internacional, constatou-se que o protocolo BLUE realmente se configura como um diferencial clínico na abordagem da insuficiência respiratória aguda, cumprindo o objetivo proposto. Sua aplicação via POCUS alia rapidez e acurácia diagnóstica a uma elevada aplicabilidade no contexto brasileiro, inclusive em cenários de recursos limitados, e apresenta vantagens significativas em relação a métodos convencionais, como a redução de atrasos diagnósticos e da exposição à radiação. Assim, sua incorporação sistemática tem potencial para qualificar a assistência, acelerar condutas terapêuticas e impactar positivamente a sobrevida dos pacientes.
Referências:
BOUHEMAD, Belaïd et al. Ultrasound for “lung monitoring” of ventilated patients. Anesthesiology, v. 122, n. 2, p. 437-447, 2015.
CARROLL, David et al.  Bedside lung ultrasound in emergency (approach). Radiopaedia.org. DOI: https://doi.org/10.53347/rID-61395
DEXHEIMER NETO, Felippe Leopoldo et al. Acurácia diagnóstica do protocolo de ultrassom pulmonar à beira do leito em situações de emergência para diagnóstico de insuficiência respiratória aguda em pacientes com ventilação espontânea. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 41, p. 58-64, 2015.
FAMUS -Focused Acute Medicine Ultrassond. BLUE Protocol. Disponível em: https://famus.com.br/blue-protocol/.
LICHTENSTEIN, D. A.; MEZIÈRE, G. A. Relevance of lung ultrasound in the diagnosis of acute respiratory failure: the BLUE protocol. Chest, v. 134, n. 1, p. 117-125, 2008.
SARTINI, Stefano et al. The role of pocus in acute respiratory failure: a narrative review on airway and breathing assessment. Journal of Clinical Medicine, v. 13, n. 3, p. 750, 2024.
USP–BAURU. Pulmonar – ultrassonografia point-of-care na graduação. POCUS USP. Disponível em: Pulmonar – ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE NA GRADUAÇÃO. Acesso em: 1 ago. 2025.
VOLPICELLI, Giovanni et al. International evidence-based recommendations for point-of-care lung ultrasound. Intensive Care Medicine, v. 38, n. 4, p. 577-591, abr. 2012. DOI: 10.1007/s00134-012-2513-4.