AVALIAÇÃO BIOLÓGICA DO SOLO: DA PADRONIZAÇÃO ÀS ABORDAGENS ÔMICAS  
1LAURA CHRISTINA CALGARO, 2JULIA MAEBATA TRINCA, 3MARIA ELOISA APOLINÁRIO NUNES, 4GLACY JAQUELINE DA SILVA
11Discente do Programa de Pós Graduação em Biotecnologia aplicada à Agricultura da Universidade Paranaense Unipar, Umuarama-Pr
2Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Paranaense Unipar, Toledo-Pr
3Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Paranaense Unipar, Toledo-Pr
4Docente da UNIPAR
Introdução: A degradação dos solos é uma das principais ameaças à segurança alimentar e à manutenção dos serviços ecossistêmicos. Estimativas recentes apontam que cerca de 1,66 bilhão de hectares de solo já estão degradados em decorrência da ação humana, sendo mais de 60% em áreas agrícolas (FAO, 2024; 2025). Globalmente, calcula-se que aproximadamente 40% da superfície terrestre apresente algum grau de degradação, e a UNESCO (2024) alerta que 75% dos solos do mundo já se encontram comprometidos. No contexto latino-americano, o primeiro Mapa de Saúde do Solo da América Latina e Caribe (Poppiel et al., 2025) indicou que 38% dos solos da região são considerados não saudáveis, evidenciando a urgência de estratégias de conservação e restauração.
Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo discutir os avanços nos métodos e técnicas de avaliação biológica do solo, enfatizando seu papel na construção de indicadores robustos de qualidade e na integração com ferramentas emergentes de biotecnologia e ciência de dados.
Desenvolvimento: Historicamente, os estudos de saúde do solo priorizaram parâmetros físico-químicos, enquanto os indicadores biológicos eram pouco utilizados e apresentavam baixa padronização (Bünemann et al., 2018). Nesse cenário, o lançamento da metodologia BioAS (Bioindicadores da Qualidade do Solo Agrícola), pela Embrapa Cerrados em 2019 (Mendes et al., 2019), representou um marco nacional ao incorporar de forma sistemática as enzimas β-glicosidase e arilsulfatase como bioindicadores. Esses parâmetros passaram a ser interpretados por faixas de referência, permitindo avaliações mais objetivas e cientificamente embasadas. Apesar de inicialmente restritas ao bioma Cerrado, essas referências vêm sendo ampliadas para outros contextos agrícolas, embora ainda limitadas diante da diversidade edafoclimática brasileira. Mais recentemente, os avanços em biologia molecular, com destaque para as técnicas de metagenômica e metataxonomia, têm revolucionado a análise biológica do solo. Essas abordagens permitem identificar microrganismos não cultiváveis, mapear genes associados a processos ecologicamente relevantes e calcular índices de diversidade microbiana com alta resolutividade. Dessa forma, superam limitações dos métodos tradicionais e conferem maior sensibilidade e reprodutibilidade à avaliação biológica do solo. Contudo, persistem desafios relacionados ao custo elevado e à ausência de padronizações adaptadas a diferentes solos e sistemas de cultivo. No âmbito da Rede Agrogenômica do Paraná, iniciativas de pesquisa buscam integrar análises metagenômicas, além de outras análises biológicas, bioinformática, espectrorradiometria, dados físicos e físico-químicos, com o objetivo de predizer padrões de saúde do solo e seus impactos sobre a produtividade agrícola, a qualidade ambiental e a saúde pública. O uso de inteligência artificial para integrar essas informações possibilitará o reconhecimento de padrões complexos e a modelagem preditiva de cenários agroecológicos, constituindo um modelo inovador de agricultura baseada em ciência de ponta e tomada de decisão fundamentada em evidências.
Conclusão: A convergência entre métodos tradicionais, ferramentas moleculares e análises em big data representa um avanço decisivo para a avaliação da saúde dos solos. Ao incorporar a dimensão biológica com maior robustez e confiabilidade, abre-se caminho para uma agricultura regenerativa, inteligente e microbiologicamente consciente. Esse movimento inaugura uma nova era no monitoramento do solo, essencial para a sustentabilidade agrícola e ambiental com potencial de expansão para diferentes regiões da América Latina.
Referências:
BÜNEMANN, E. K.; et al. Soil quality – A critical review. Soil Biology and Biochemistry, Frick, v. 120, p. 105-125, 2018. https://doi.org/10.1016/j.soilbio.2018.01.030
FAO.  FAO study reveals alarming agricultural land degradation in the Arab region. 2025. Disponível em:
https://www.fao.org/newsroom/detail/fao-study-reveals-alarming-agricultural-land-degradation-in-the-arab-region/en. Acesso em: Jul 2025.
FAO. Desertification and Drought Day 2024: United for Land – Our Legacy, Our Future. 2024. Disponível em:
https://www.fao.org/neareast/news/details/desertification-and-drought-day-2024--united-for-land--our-legacy--our-future/en. Acesso em: Ago 2025.
MENDES, I. C.; et al. BioAS – Tecnologia de bioanálise de solo: lançamento e aplicação no Cerrado brasileiro. Embrapa Cerrados. 2019 Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/6047/bioas--tecnologia-de-bioanalise-de-solo, Acesso em: Jul 2025. 
POPPIEL, R. R., CHERUBIN, M. R., NOVAIS, J. J. M., & DEMATTÊ, J. A. M.. Soil health in Latin America and the Caribbean. Communications Earth & Environment, v. 6, Article 141. 2025. https://doi.org/10.1038/s43247-025-01025-6
UNESCO. Widespread soil degradation alarms UNESCO. 2024. Disponível em:
https://www.lemonde.fr/en/environment/article/2024/07/16/widespread-soil-degradation-alarms-unesco_6685619_114.html. Acesso em Ago 2025.