ABORTO: A IMPORTÂNCIA DO CUIDADO HUMANIZADO PRESTADO PELA ENFERMAGEM   
1MARIA IZABEL SCHNEM PESENTE, 2AMANDA KAMILA DE MACEDO PALAVICINI, 3AMANDA LUIZA BONATTO, 4EDILAINE GOMES, 5MARICELI SILVEIRA GOMES, 6LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmica PIC/UNIPAR
2Acadêmica PIC/UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
6Docente do departamento de Enfermagem UNIPAR
Introdução: O abortamento é definido pela morte do feto, que ocorre quando a gestação é interrompida antes da 20° a 22° semana gestacional, ou se apresentava peso menor do que 500g. Neste sentido, o produto gerado nesse processo é nominado aborto (Brasil, 2022). O papel da enfermagem é de grande valia nesse momento e está relacionado ao consolo aos envolvidos, acometidos pelo sofrimento ao luto. Geralmente, esses profissionais dispõem do primeiro contato de assistência aos pacientes, cujo atendimento abrange palavras de apoio, orientações emocionais, incentivo ao bem-estar e zelo com a saúde mental dos indivíduos que estão envolvidos no processo da perda. Desta maneira, demonstrar cuidado é essencial (Santos et al., 2021).
Objetivo: Verificar, por meio da revisão bibliográfica, a importância da humanização na assistência prestada pelos profissionais de enfermagem nas situações de aborto.
Desenvolvimento: O aborto é um grande problema de saúde pública que ocasiona empasses sociais, culturais, religiosos, políticos e científicos. Na atualidade, tem-se maiores conflitos sobre o tema, pois de um lado pretende-se garantir o direito à vida; e de outro, prioriza-se a decisão da mulher sobre a vida reprodutiva (Silva et al., 2023). Ademais, a legislação atual no Brasil permite que o procedimento seja realizado em três situações: risco de vida para a mãe, gravidez resultante de estupro e constatação de anencefalia fetal (Melo et al., 2023). Independentemente da classificação do abortamento, há risco de evolução para mortalidade materna que, nestes casos, enquadram-se como óbitos evitáveis (Martins et al., 2021). Os tipos de aborto são caracterizados como espontâneo ou provocado. No primeiro citado, a expulsão do feto ocorre de maneira inevitável ou acidental (Nonato et al., 2022). Dados epidemiológicos apontam que entre os anos de 2017 e 2021, em determinada pesquisa, obteve-se o total de 14.095 casos de abortos espontâneos em macrorregiões específicas do Paraná, em que foram consideradas mulheres da faixa etária entre 10 e 44 anos de idade (Botiglieri; Evangelista, 2022). Quanto ao abortamento realizado de maneira voluntária, pela utilização de medicamentos ou por interrupção cirúrgica, é denominado aborto provocado (Nonato et al., 2022). No cenário mundial, a estimativa de realização de abortamentos induzidos foi de 55,7 milhões por ano, em que foi considerado o período de 2010 a 2014, e, deste total, aproximadamente, 54,9% foram efetivamente seguros (Melo et al., 2023). Para se realizar de maneira precoce e eficaz o diagnóstico de abortamento, é imprescindível que os profissionais se atentem aos sinais e sintomas que a mulher irá apresentar, dentre eles, os mais relatados são sangramento vaginal, cólicas e dores abdominais. Portanto, quanto maior a agilidade na identificação do caso, melhor é o manejo clínico aplicado à paciente. Além disso, caso o aborto ocorra durante o segundo trimestre de gestação, há maiores riscos de complicações diversas e, consequentemente, intervenções médicas (Guerra et al., 2024). O luto no processo de abortamento é considerado evento traumático para os familiares, especialmente para os pais que almejam e esperam a chegada de uma nova vida. Embora essa resposta ao sofrimento seja considerada normal, muitos casais podem apresentar dificuldades na adaptação emocional, podendo, então, desencadear depressão ou outros distúrbios psicológicos. A busca por ajuda psicológica e o apoio familiar são maneiras de minimizar o período de sofrimento em relação ao luto (Oliveira et al., 2022). A perda gestacional, independentemente do estágio, deve ser integrada ao amparo fornecido por indivíduos próximos e profissionais atuantes na área da saúde. Apesar de o aborto estar cada vez mais frequente na sociedade, não se deve minimizar as consequências psicológicas vivenciadas, associadas à perda. As intervenções nestas circunstâncias necessitam de abordagem holística, acompanhadas de maneira individualizada e empática para cada pessoa, considerando o meio social, como culturas e crenças espirituais e/ou religiosas (Borelli; Machado; Piedade, 2024). O cuidado humanizado a essas mulheres em situações de vulnerabilidade pós-perda deve ser realizado de maneira ética, visando garantir os direitos legais e proporcionar a igualdade, o livre arbítrio, a dignidade da pessoa humana. Além disso, a escuta ativa e o exame físico desenvolvidos por enfermeiros devem ser relacionados à percepção dos sinais e sintomas apresentados neste período, tanto emocionais, quanto fisiológicos. Esta conduta holística tem finalidade de proporcionar à paciente condutas terapêuticas e encaminhamentos necessários (Maia et al., 2022).
Conclusão: Diante do exposto, a assistência prestada pela equipe de enfermagem é de extrema importância, no que tange às circunstâncias do pós-abortamento e ao contexto dos sentimentos sofridos do luto referente ao processo de perda. Portanto, a abordagem holística, humanizada e empática tem por finalidade proporcionar à paciente atendimento individualizado que considere as particularidades sociais, psicológicas e fisiológicas.
Referências:
BORELLI, A.; MACHADO, I.; PIEDADE, F. Aborto espontâneo e luto gestacional – Valorizar e gerir: um relato de caso. Rev Port Med Geral Fam., [S.l.]. 2024.
BOTIGLIERI, T. R. A.; EVANGELISTA, F. F. Perfil demográfico e prevalência de aborto espontâneo nas macrorregiões de saúde do estado do Paraná. Research, Society and Development, Paraná, v. 11, n. 12, p. 1-8, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção técnica para prevenção, avaliação e conduta nos casos de abortamento. Brasília: Distrito Federal, 2022. 
GUERRA, D. K. H.; et al. Aborto espontâneo: diretrizes para um diagnóstico eficaz. Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, [S.l.], v. 16, n. 2, p. 1-9, 2024. 
MAIA, S. A. S.; et al. Impactos psicossociais em mulheres com perda gestacional: revisão integrativa de literatura. Brazilian Journal of Development, Curitiba, Paraná, v. 8, n. 9, p. 64.123-64.148, Set., 2022. 
MARTINS, D. C.; et al. Aborto em mulheres parceiras de apenados: prevalência e fatores associados. Revista Gaúcha de Enfermagem, Maringá, Paraná, v. 42, 2021.
MELO, A. B. L.; et al. Aborto no Brasil e no mundo: uma revisão integrativa de literatura. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, Paraná, v. 6, n. 4, p. 15.272-15.280, 2023. 
NONATO, A. L.; et al. Repercussões do aborto induzido e espontâneo na saúde física e mental da mulher. Revista Eletrônica Acervo Saúde, Bahia, v. 15, n. 10, p. 1-8, 2022. 
OLIVEIRA, C. M.; et al. Efeitos da satisfação conjugal e da utilidade de rituais na vivência do luto no abortamento. Cogitare Enfermagem, Paraná, v. 27, 2022.
SANTOS, R. C.; et al. Sentimentos de mulheres advindos da experiência em um processo de abortamento. Cogitare Enfermagem, Paraná, v. 26, 2021.
SILVA, A. R.; et al. Aborto em Marabá, Pará: fatores e motivos associados. Journal of Nursing and Health, Marabá, Pará, v. 13, n. 1, 2023.