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| ALOPECIA PSICOGÊNICA FELINA | |
| 1ANA JULIA DA SILVA CUNHA, 2ADRIELLE MARTINS BEM, 3ANA BEATRIZ DA SILVA MARQUES, 4LEANDRO LUÍS MARTINS, 5NATALIE BERTELIS MERLINI | |
| 1Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 2Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 3Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 4Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina 5Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP |
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| Introdução: Dermatite ou alopecia psicogênica é a condição caracterizada pelo grooming intenso e prolongada, lambedura e/ou mordidas, gerando alopecia e lesões cutâneas, na qual outras causas orgânicas foram descartadas (Talamonti et al., 2017). É considerado um distúrbio psicossomático, no qual fatores emocionais, como estresse e ansiedade, desempenham um papel crucial no comportamento do gato (Mills et al., 2021). Os fatores estressores podem incluir desde mudanças no ambiente familiar, como a chegada de um novo animal ou pessoa, até a privação de enriquecimento ambiental adequado, levando o gato a desenvolver comportamentos compulsivos. (Araujo; Meneguelli, 2024). Segundo Miller (2013), os gatos são particularmente suscetíveis a distúrbios psicossomáticos devido à sua sensibilidade a mudanças no ambiente e à sua natureza territorial. Objetivos: Esta revisão de literatura tem como objetivo abordar o tema de alopecia psicogênica em felinos, fornecendo uma ampla visão sobre sua etiologia, diagnóstico e manejo. Desenvolvimento: A alopecia psicogênica felina ou tricotilomania, é a condição na qual animal lambe e masca os pêlos em regiões que podem ser alcançadas facilmente, tais como a face medial dos membros pélvicos, as regiões abdominal ventral e lombossacra dorsal, resultando em alopecia bilateral simétrica (Wilkinson; Harvey, 1996). A perda de pelos resultantes da lambedura compulsiva não apenas causa desconforto físico, mas também pode levar a complicações secundárias, como infecções cutâneas e irritação (Mills et al., 2014). Essa condição é frequentemente associada a fatores emocionais e comportamentais, sendo diferente de outras doenças que causam com perda de pelos, como dermatites alérgicas ou infecções parasitárias (Wright; Nibblett, 2022; Tashiro et al., 2023). Nos animais submetidos a estresse, supõe se que ocorra um aumento dos níveis dos hormônios indutor dos melanócitos e adrenocorticotrópico, levando a uma maior produção de endorfinas, as quais podem gerar o comportamento anormal de lambedura, devido ao seu efeito narcótico (Willemse et al., 1989; Scott et al., 1996). O diagnóstico da dermatite psicogênica é essencialmente por exclusão, requerendo uma abordagem multidisciplinar, geral, dermatológica, neurológica e laboratorial (Talamonti et al., 2017). Os principais diagnósticos diferenciais a serem descartados compreendem doenças que cursam com prurido, tais como as dermatopatias alérgicas (alimentar e atopia), infecções fúngicas e parasitárias e presença de ectoparasitas (Ghaffari; Sabzevari, 2010; Miller et al., 2013). O tratamento consiste na modificação ambiental e a remoção dos fatores estressantes para o animal em combinação à medicação, sendo essencial para a resolução da dermatite psicogênica (Hnilica; Patterson, 2017; Miller et al., 2013). Isso pode incluir a criação de um espaço seguro, a introdução de arranhadores e brinquedos, e a redução de estressores como barulhos excessivos ou a presença de novos animais (Mills et al., 2014). Segundo Pfeiffer (1999) recomenda-se o tratamento medicamentoso apenas para os gatos refratários ao tratamento conservador ou em caso de automutilação, devido aos efeitos colaterais dos fármacos utilizados. Estudos mostraram que a clomipramina pode reduzir a lambedura excessiva em gatos com alopecia psicogênica, enquanto a fluoxetina demonstrou eficácia em melhorar a qualidade de vida dos felinos ao reduzir comportamentos compulsivos (Wright et al., 2019). O enriquecimento ambiental tem sido associado a melhorias no comportamento e bem-estar dos gatos, reduzindo a incidência de distúrbios comportamentais (Mills et al., 2014), o uso da fluoxetina também é relatado com sucesso (Hnilica; Patterson, 2017; Miller et al., 2013). Conclusão: Conclui-se que a alopecia psicogênica é uma doença comportamental que afeta negativamente os felinos domésticos quanto a sua qualidade de vida e que apresenta um diagnóstico desafiador devido a necessidade de descartar todas as possíveis causas, para que então conclua-se o diagnóstico de alopecia psicogênica. Em relação ao tratamento, a melhora ocorre de forma gradual e requer consistência e paciência, apresentando bom prognóstico quando realizadas as modificações ambientais associadas à medicação. |
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| Referências: ARAUJO, D. R.; MENEGUELLI, M. Alopecia psicogênica em felinos: revisão de literatura. Research, Society and Development, [s. l], v. 13, n. 10, p. 1-8, 2024. GHAFFARI, M. S.; SABZEVARI, A. Successful management of psychogenic alopecia with buspirone in a crossbreed cat. Comparative Clinical Pathology, [s. l], v. 19, n. 3, p. 317-319, 2010. HNILICA, K. A.; PATTERSON, A. P. Autoimmune and immune-mediated skin disorders. In: HNILICA, K. A.; PATTERSON, A. P. (Eds.). Small animal dermatology: a color atlas and therapeutic guide. 4. ed. Saint Louis, USA: Elsevier, 2017. p.245. MILLER, W. H.; GRIFFIN, C. E.; CAMPBELL, K. L. Muller and Kirkʼs Small Animal Dermatology. 7. ed. St. Louis: Elsevier, 2013. p. 654-657. MILLS, D. S.; DUMONT, A.; NEWBOLD, C. The efficacy of fluoxetine in the treatment of feline psychogenic alopecia. Journal of Feline Medicine and Surgery, [s. l], v. 23, n. 1, p. 34-42, 2021. MILLS, D. S.; FINK, C.; LACAN, A. Treatment of psychogenic alopecia in cats: A review. Journal of Feline Medicine and Surgery, [s. l], v. 16, n. 9, p.756-763, 2014. PFEIFFER, E.; GUY, N.; CRIBB, A. Clomipramine-induced urinary retention in a cat. The Canadian Veterinary Journal, [s. l], v. 40, n. 4, p. 265, 1999. SCOTT, D. W.; MILLER, W. H.; GRIFFIN, C. E. Dermatoses psicogênicas. In: SCOTT, D. W.; MILLER, W. H.; GRIFFIN, C. E. Dermatologia de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Interlivros, 1996. cap. 14, p. 790–802. TALAMONTI, Z.; CANNAS, S.; PALESTRINI, C. A. Case of tail self-mutilation in a cat. Macedonian Veterinary Review, [s. l], v. 40, n. 1, p. 103-107, 2017. WILLEMSE, T. et al. Feline psycogenic alopecia and the role of the opioid system. In: VON TSCHARNER, C.; HALLIWELL, R. E. W. (Eds.). Advances in veterinary dermatology. Vol. 1. London: Baillière Tindall, 1989. p. 195-198. WRIGHT, J. C.; NIBLETT, B. Pharmacological management of psychogenic alopecia in cats: Clomipramine and fluoxetine. Veterinary Clinics: Small Animal Practice, [s. l], v. 49, n. 4, p. 789-803, 2019. |
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