A ENFERMAGEM NA PROMOÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO: BENEFÍCIOS E DESAFIOS NA SAÚDE MATERNO-INFANTIL
1LUDIARA LAIOLA DUIM, 2MARIA ALICE VIEIRA, 3RICARDO DE MELO GERMANO
1Acadêmica do curso de Enfermagem da Unipar
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente Titular de Fisiologia e do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UNIPAR
Introdução: O aleitamento materno ultrapassa o ato de nutrir o recém-nascido, sendo um processo de intensa conexão entre mãe e filho, que influencia diretamente o estado nutricional, imunológico, fisiológico, cognitivo e emocional da criança, além de impactar positivamente a saúde física e mental da mãe (Brasil, 2009). A prática é considerada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde como uma das estratégias mais eficazes, econômicas e acessíveis para a redução da morbimortalidade infantil, representando um ato de afeto, vínculo e proteção (Brasil, 2015). Nesse contexto, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e complementado até dois anos ou mais é reconhecido como fundamental para a promoção da saúde integral do lactente (Gonzales; Meireles, 2023).
Objetivo: Evidenciar a importância do aleitamento materno exclusivo, analisar os benefícios das diferentes fases do leite, discutir as dificuldades enfrentadas pelas mães e destacar o papel da enfermagem na promoção e manutenção dessa prática essencial à saúde materno-infantil.
Desenvolvimento:
Esta revisão tem como finalidade explorar e sintetizar o conhecimento disponível sobre “Aleitamento materno e o papel da enfermagem na sua promoção”. Para a seleção do material, foram consultadas bases de dados eletrônicas, bibliotecas virtuais e demais fontes de informação reconhecidas pela confiabilidade. Os descritores utilizados foram definidos a partir do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde): “Amamentação exclusiva”, “Lactente” e “Cuidados de enfermagem”. Foram excluídos os trabalhos cujos objetivos não apresentavam relação direta com a proposta da revisão. O leite materno é considerado um alimento completo, pois reúne vitaminas, minerais, proteínas, gorduras, enzimas e imunoglobulinas em quantidades adequadas, além de possuir propriedades imunológicas que não podem ser reproduzidas em leites artificiais ou fórmulas infantis (Uyeda; Martinez, 2015). Suas fases – colostro, leite de transição e leite maduro – apresentam composições específicas adaptadas às necessidades do bebê, garantindo aporte nutricional adequado em cada etapa do desenvolvimento, desmistificando a ideia de “leite fraco” (Brasil, 2022). O aleitamento exclusivo reduz a mortalidade infantil em até 13%, previne doenças infecciosas, respiratórias e gastrointestinais, diminui o risco de obesidade e doenças crônicas, além de favorecer o desenvolvimento bucal, motor e emocional do lactente (Silva et al., 2019). Ainda para os mesmos autores, o ato de amamentar também fortalece a microbiota intestinal, contribui para hábitos alimentares saudáveis e auxilia na maturação do sistema gastrointestinal e no desenvolvimento cerebral.  A técnica correta de amamentação, com pega e sucção adequadas, garante que o bebê extraia o leite de forma eficiente, evita fissuras mamilares e contribui para o desenvolvimento facial equilibrado (Brasil, 2015). O contato pele a pele intensifica o vínculo afetivo, regula a temperatura corporal, estabiliza glicemia, alivia a dor neonatal e estimula a liberação de ocitocina, que reduz o risco de hemorragia e acelera a involução uterina no pós-parto (Jung et al., 2020; Silva et al., 2021). Para a mãe, além dos benefícios emocionais, a amamentação contribui para a prevenção de câncer de mama e ovário, reduz a chance de osteoporose, auxilia na perda de peso, promove a recuperação do assoalho pélvico e fortalece o bem-estar físico e psíquico (Santos; Meireles, 2021; Geraldo et al., 2023). Contudo, a prática ainda enfrenta barreiras como insegurança materna, influência de mitos familiares, falta de suporte profissional, baixa escolaridade e disponibilidade de fórmulas artificiais, fatores que podem levar ao desmame precoce (Moraes et al., 2020). Nesse cenário, a enfermagem se destaca como categoria fundamental na promoção do aleitamento. O enfermeiro atua desde o pré-natal até o puerpério, oferecendo orientações educativas, identificando precocemente dificuldades, apoiando a pega correta e estimulando o alojamento conjunto, além de realizar visitas domiciliares e implantar grupos comunitários de apoio (Amorim; Andrade, 2009; Vargas et al., 2016). A assistência de enfermagem contribui para desconstruir mitos, oferecer informações de qualidade e promover um cuidado humanizado, essencial para fortalecer o vínculo entre mãe e bebê e garantir adesão ao aleitamento exclusivo (Silva et al., 2022; Bitencourt; Souratto, 2024).
Conclusão: O aleitamento materno constitui-se como prática vital para a saúde do bebê e da mãe, sendo considerado alimento completo e insubstituível. Apesar das dificuldades enfrentadas, a enfermagem possui papel decisivo no incentivo, promoção e apoio à amamentação, favorecendo um cuidado integral, humanizado e baseado em evidências. A capacitação contínua dos profissionais, associada a estratégias educativas e de acompanhamento, é fundamental para ampliar as taxas de aleitamento materno exclusivo e garantir benefícios duradouros para a saúde materno-infantil.
Referências:
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BITENCOURT, M. B. S. V.; SORATTO, M. T. O papel do enfermeiro frente às dificuldades na amamentação no puerpério. Inova Saúde, v. 14, n.6, p. 141-158, 2024.
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DOS SANTOS, A. C.; MEIRELES, C. P.. A importância da amamentação exclusiva nos seis primeiros meses de vida e o papel da enfermagem. Revista Coleta Científica, v. 5, n. 9, p. 58-69, 2021.
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