IMPACTO DA DOENÇA DE CROHN E RETOCOLITE ULCERATIVA NA QUALIDADE DE VIDA DOS PORTADORES  
1MARIA EDUARDA DE ANDRADE CHINELLATO MORÍLIA, 2ALEXIA PAOLA ULIANA, 3IGOR MALAVAZI SERRANO, 4RENAN IZIDORO DE OLIVEIRA, 5PAULO ROBERTO SCARPANTE
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: Segundo Pilon et al., (2025), as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), que compreendem a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, são uma condição crônica imunomediada do trato gastrointestinal, cujos impactos extrapolam o domínio físico, afetando significativamente a saúde mental e a qualidade de vida dos pacientes. Além de causarem considerável morbidade, as doenças inflamatórias intestinais (DII) têm visto um aumento em sua incidência nos últimos anos, estabelecendo-se como uma verdadeira epidemia global (CERVANTES et al., 2025).
Objetivo: Realizar um levantamento bibliográfico a respeito do impacto da Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa na qualidade de vida dos portadores.
Desenvolvimento: As Doenças Inflamatórias Intestinais impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes, não apenas pelas manifestações físicas, mas também pelos aspectos emocionais e sociais (ARAGÃO et al., 2024). De acordo com Cervantes et al., (2024), a Doença de Crohn caracteriza-se por inflamação transmural e descontínua, que pode acometer qualquer segmento do trato gastrointestinal, embora seja mais comum no íleo terminal e no cólon, enquanto a Retocolite Ulcerativa tem como uma de suas características o processo inflamatório que atinge somente o reto e cólon em suas mucosas e submucosas superficial. Segundo diretrizes da organização norte americana Crohnʻs & Colitis Foundation (2023), as DII apresentam sintomatologia variada, caracterizada por diarreia crônica, dor abdominal, sangramento retal, urgência evacuatória, fadiga persistente e perda de peso. Além disso, ainda segundo a organização, é frequente a ocorrência de manifestações extra intestinais, que podem envolver articulações, pele, olhos e fígado, contribuindo para a complexidade clínica e maior comprometimento da qualidade de vida dos portadores. Em um estudo transversal realizado em 103 pacientes com DII, cadastrados na farmácia de alto custo de Cuiabá, 62 eram portadores de retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) e 41 de doença de Crohn (ASSIS et al., 2025). Ainda segundo os autores, os participantes responderam ao questionário SF-36, cujos resultados permitiram concluir que tanto RCUI quanto a DC afetam diretamente a qualidade de vida de seus portadores, além de que, fatores psicossociais mostraram-se de extrema importância no desencadeamento de crises relacionadas às doenças. Observou-se ainda, uma melhora na qualidade de vida entre as mulheres em comparação aos homens, sendo que, nestes, o tabagismo esteve associado à piora da qualidade de vida. Essas afecções muitas vezes exigem que os pacientes adaptem suas rotinas devido aos sintomas imprevisíveis, mudanças na alimentação e no estilo de vida, podendo levar a sentimentos de tristeza e restrição (ARAGÃO et al., 2025). Conforme Assis et al., (2025) a incerteza em relação à doença inflamatória intestinal pode ter um impacto significativo na saúde mental e no bem-estar psicológico dos pacientes, tendo em vista a complexidade dessas doenças, que podem manifestar-se de formas diversas e exigir diferentes especialidades médicas, como reumatologia, dermatologia e nefrologia, pode gerar apreensão nos pacientes. De acordo com Silveira e Ronchete (2024), A complexidade das doenças inflamatórias intestinais, incluindo a possibilidade de afetar outros órgãos além do trato gastrointestinal, requer uma abordagem multidisciplinar para o acompanhamento dos pacientes, a qual envolve diferentes especialidades médicas, como gastroenterologia, psicologia, nutrição e outras áreas relevantes para atender às necessidades variadas dos pacientes e fornecer um cuidado completo e personalizado.
Conclusão: As Doenças Inflamatórias Intestinais afetam muito mais do que o corpo: interferem na rotina, nas relações sociais e no bem-estar emocional dos pacientes. Por isso, é fundamental um cuidado integral, que considere tanto o controle dos sintomas físicos quanto o apoio psicológico e social, visando uma melhor qualidade de vida.
Referências:
ARAGÃO, Camila Andrade et al. Avaliação da qualidade de vida em pacientes com doenças inflamatórias intestinais: uma revisão de literatura. Revista FT - Medicina. Volume 29 - Edição 142/JAN 2025/31 jan 2025.
ASSIS, Gabriely Cristina Silva et al. Retocolite ulcerativa: revisão narrativa sobre aspectos colônicos, terapêuticos e qualidade de vida. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences. Volume 7, Issue 7 (2025), Page 506-530. 
CERVANTES, Marianna H. et al. Retocolite ulcerativa: uma revisão dos aspectos etiopatogênicos, clínicos, diagnósticos e terapêuticos. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação - REASE, [S.l.], v. 15, p. 1-XX, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.51891/rease.v15i5.13639. 
CROHNʼS & COLITIS FOUNDATION. Extraintestinal Manifestations of IBD. New York, 2023. Disponível em: https://www.crohnscolitisfoundation.org/sites/default/files/2023-06/Extraintestinal%20Manifestations%20of%20IBD_05302023.pdf.
PILON, João Paulo Galletti; MEDEIROS, Rodolfo de Oliveira; PARUSSO, Maria Luiza Cesto; SILVA, Antony Oliveira; LOSASSO, Marina Ribas. Doença Inflamatória Intestinal: repercussões psicossociais e impacto na qualidade de vida. Revista Caderno Pedagógico, Curitiba, v. 22, n. 8, p. 319, 2025. DOI: 10.54033/cadpedv22n8-319.
SILVEIRA, Maressa Bartles; RONCHETE, Cristiane Furlan. Aspectos psicológicos acarretados pela DII - Doença de Crohn. Ciência e Saúde em Foco. Serra, v.1,maio, 2024.