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| PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS ÀS INTERNAÇÕES POR GLAUCOMA NO BRASIL (2015-2024) | |
| 1MARIANA COSTA DITZEL, 2ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da Unicesumar 2Docente Dra. do Curso de Medicina da Unicesumar |
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| Introdução: O glaucoma corresponde a um grupo de neuropatias ópticas cuja característica em comum é a degeneração progressiva do nervo óptico, com perda de células ganglionares da retina, afinamento da camada de fibras nervosas da retina e aumento da escavação do disco óptico. A perda progressiva das células ganglionares da retina leva a um comprometimento progressivo do campo visual, além de outros distúrbios oculares, como dificuldade de leitura, contraste e percepção de cores prejudicados (Schuster et al., 2020). Como a principal causa de cegueira irreversível no mundo, a doença afeta atualmente 3,5% dos indivíduos com idade entre 40 a 80 anos, tendo aumento da prevalência proporcional ao aumento da idade, chegando a 10,0% acima dos 90 anos em pessoas de ascendência europeia. Os homens são mais comumente afetados do que as mulheres, e os principais fatores de risco modificáveis e não modificáveis são: idade avançada, pressão intraocular (PIO) elevada, miopia alta, etnia e histórico familiar positivo de glaucoma (Schuster et al., 2020). No Brasil, o glaucoma representa um problema de saúde pública, com um número crescente de casos registrados anualmente. O acesso ao diagnóstico precoce em regiões carentes ainda é um desafio, principalmente quando se trata da realização de exames como a tonometria, campimetria e tomografia de coerência óptica. Como consequência da dificuldade de acesso, muitos pacientes recebem o diagnóstico tardiamente, o que contribui para a necessidade de internações hospitalares e procedimentos cirúrgicos mais frequentes, demandando maior intervenção por parte do Sistema Único de Saúde (SUS) (Tanuri et al., 2023). Objetivo: Esse estudo foi elaborado através de uma análise retrospectiva, fundamentada em um banco de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), do qual foram extraídos o número de internações por Glaucoma, utilizando a lista de morbidade da Classificação Internacional das Doenças (CID-10). Foram consideradas internações por Faixa etária, Sexo e Cor/raça segundo Regiões do Brasil nos anos de 2015 à 2024. Desenvolvimento: Através de uma análise retrospectiva, é possível observar uma prevalência de 52,2% de homens em relação a mulheres quanto às internações por Glaucoma, sendo em sua maioria na Região Sudeste, correspondendo a 47,6% das internações totais por Região no sexo masculino. No sexo feminino, temos prevalência de 47,8% em relação ao sexo masculino, sendo novamente em sua maioria na Região Sudeste, correspondendo a 48,6% das internações totais por Região no sexo feminino. Segundo Mavroudis et al. (2010), a maior prevalência no sexo masculino pode se justificar pelo efeito neuroprotetor dos hormônios sexuais femininos, que previne a perda de células ganglionares da retina (RGC). Além disso, há uma prevalência de internações na raça parda, correspondendo a 35,4% das internações totais. No entanto, 24,2% dos resultados totais correspondem sem informação, o que influencia na análise final. 48,1% das internações totais correspondem à Região Sudeste, sendo a região com índice mais alto em comparação as demais regiões do Brasil, seguido pela Região Nordeste, com 22,1% das internações. A prevalência das raças brancas e pardas são reflexo da composição demográfica do país, especialmente nas regiões onde estas populações são mais representativas (Brito et al., 2025). Em relação à faixa etária, é possível observar a prevalência em internações na faixa etária de 60 a 69 anos, correspondendo a 30,8% das internações totais, seguido pela faixa etária de 70 a 79 anos, com 24,6% de prevalência. A faixa etária com menor número de internações engloba 15 a 19 anos, com 0,78%. Schoff et al. (2001) mostraram a influência do envelhecimento na incidência do glaucoma. Aos 40 anos, surgem anualmente aproximadamente 1,6 novos casos de glaucoma para cada 100.000 habitantes e aos 80 anos, 94,3/100.000 habitantes, o que demonstra a relação avanço de idade e incidência da doença. Conclusão: O presente estudo evidenciou que as internações por glaucoma no Brasil, no período compreendido entre 2015 a 2024, apresentaram maior prevalência no sexo masculino, com destaque para a Região Sudeste, tanto em homens quanto em mulheres. Ainda foi possível observar que a faixa etária mais acometida é entre os 60 e 69 anos, seguido pelo grupo que engloba 70 a 79 anos, o que representa a relação entre envelhecimento da população e aumento da incidência da doença. Em relação à raça/cor, a maior prevalência foi registrada entre indivíduos pardos, embora os registros sem informação possam ter impactado a análise. A concentração maior de casos na Região Sudeste pode estar associada a fatores como maior densidade populacional, maior acesso aos serviços de saúde, e por consequência, número maior de casos registrados. Os achados demonstram a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmólogico regular, especialmente na faixa etária de maior risco e em populações com pouco acesso à saúde. Além disso, ressalta-se a necessidade de ampliação das estratégias de rastreamento, com melhora na captação e registro de informações, garantindo um acesso mais equitativo em todo o território nacional. |
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| Referências: BRITO, et al. Perfil epidemiológico dos pacientes internados por glaucoma no Brasil. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 2, p. 1349–1362, 2025. MAVROUDIS, L.; et al. Gender and glaucoma: what we know and what we need to know. Current Opinion in Ophthalmology, v. 21, n. 2, p. 91-99, mar. 2010. SCHOFF, E. O. et al. Estimated incidence of open-angle glaucoma in Olmsted County, Minnesota. Ophthalmology, v. 108, n. 5, p. 882-886, 2001. SCHUSTER, A. K. et al. The diagnosis and treatment of glaucoma. Deutsches Ärzteblatt International, v. 117, n. 13, p. 225–234, 2020. TANURI, F. P.; et al. Glaucoma: diagnóstico, tratamento e manejo: um estudo das estratégias de diagnóstico precoce, tratamento médico e cirúrgico e cuidados a longo prazo para pacientes com glaucoma. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, Maringá, v. 5, out. 2023. |
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