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| INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS E CULTURAIS NA OCORRÊNCIA DE TOXOPLASMOSE DURANTE A GESTAÇÃO | |
| 1AMANDA BEATRICE DA ROSA , 2ANA JULIA CIA GOMES, 3ISADHORA CORREA PEREIRA, 4GIOVANNA AMATUZI ULIANO, 5ANA LAURA NOGUEIRA, 6MARCELA MADRONA MORETTO DE PAULA | |
| 1Acadêmico do PIC/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A toxoplasmose é uma zoonose de ampla distribuição geográfica, causada pelo protozoário intracelular obrigatório Toxoplasma gondii, que acomete humanos e animais, sendo considerada uma das infecções mais comuns no mundo (CAMARGO; VALCACIO, 2025). A toxoplasmose é, em sua maior parte, uma infecção assintomática, transmitida pela ingestão de oocistos esporulados através da ingestão de água e alimentos contaminados, por cistos teciduais encontrados em alimentos malcozidos, podendo, quando adquirida pela primeira vez durante a gestação, configurar a toxoplasmose gestacional e evoluir para transmissão vertical, com risco de graves consequências à saúde materna e fetal (OLIVEIRA et al., 2023). Além disso, a toxoplasmose é influenciada por diversos fatores culturais, sociais e ambientais, que desempenham um papel preditor na exposição ao Toxoplasma gondii. Aspectos como a renda, o ambiente social e físico, a escolaridade, a raça/etnia, o acesso saneamento básico, estão diretamente relacionados à vulnerabilidade à infecção (CAMARGO; VALCACIO, 2025). Nesse sentido, segundo Melo et al. (2024), a facilidade de transmissão do Toxoplasma gondii tem contribuído para o aumento dos casos registrados em saúde pública, evidenciando a necessidade de ampliar as ações de conscientização e prevenção, sobretudo entre gestantes e populações mais vulneráveis. Objetivo: Foi realizada uma revisão bibliográfica em artigos científicos disponíveis em bases de dados acadêmicas, como PubMed, SciELO e Google Acadêmico, priorizando estudos que abordam a influência de fatores sociais e culturais na exposição e prevenção da toxoplasmose durante a gestação. Desenvolvimento: Segundo Sampaio et al. (2020), a toxoplasmose é considerada uma doença negligenciada e, diante das dificuldades diagnósticas e das limitações do tratamento durante a gestação, a educação em saúde é apontada como a estratégia mais eficaz de prevenção, especialmente no acompanhamento pré-natal. A infecção por toxoplasmose apresenta maior predominância em países de clima tropical, estando fortemente associada a fatores socioeconômicos, como renda, qualidade da água e condições de saneamento básico, de modo que situações de saneamento precário podem favorecer significativamente a prevalência da doença e reforçam a importância de identificar determinantes sociais e ambientais que ampliam a vulnerabilidade das populações, sendo fundamental compreender essas causas para subsidiar intervenções mais eficazes em saúde pública (OLIVEIRA et al., 2023). Nesse sentido, dados recentes evidenciam a relevância crescente da doença: entre 2019 e 2022 houve um aumento de 43,6% nos novos casos de toxoplasmose congênita no Brasil, sendo as regiões Sudeste e Nordeste as mais afetadas, reforçando a importância de compreender os fatores associados à infecção e seus impactos na gestação (DE JESUS PRATA et al., 2023). A toxoplasmose congênita pode ocasionar lesões irreversíveis no feto, cuja frequência e gravidade variam conforme a idade gestacional, e quando a infecção materna ocorre no primeiro trimestre há maior risco de complicações graves, incluindo a tétrade de Sabin, caracterizada por coriorretinite, calcificações cerebrais e alterações neurológicas, além de poder resultar em parto prematuro, baixo peso ao nascer, estrabismo, icterícia e hepatomegalia, comprometendo de forma significativa o desenvolvimento da criança (DINIZ, 2019; SAMPAIO et al., 2020). Entre os fatores de risco individuais, os autores Moura et al. (2019) evidenciam a relação com o consumo de água não tratada, a ingestão de carne crua e a manipulação de areia contaminada. Ainda que variáveis sociodemográficas, como escolaridade, não apresentem associação estatística significativa, observa-se que gestantes com maior acesso a informações apresentam menores taxas de infecção, ressaltando o papel da informação e do conhecimento na prevenção. Além disso, aspectos como baixa renda, moradias inadequadas e ausência de saneamento básico, incluindo o despejo de esgoto em rios e córregos, agravam a exposição ao Toxoplasma gondii. Diante desse cenário, a educação continuada das gestantes e o fortalecimento de políticas públicas que considerem fatores sociais, econômicos e culturais são essenciais para reduzir a prevalência da toxoplasmose. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) assume papel estratégico como porta de entrada do Sistema Único de Saúde, ao promover ações preventivas e de cuidado contínuo (MELO et al., 2024). Conclusão: A toxoplasmose, embora muitas vezes assintomática, representa um risco significativo durante a gestação, podendo ocasionar complicações graves ao feto. Os fatores socioeconômicos, culturais e ambientais desempenham papel determinante na exposição ao Toxoplasma gondii, reforçando que a vulnerabilidade social aumenta a prevalência da doença. Nesse contexto, a ampliação das ações de educação em saúde, o fortalecimento do acompanhamento pré-natal e o investimento em políticas públicas voltadas para o saneamento básico e a redução das desigualdades sociais são fundamentais para prevenir a infecção e reduzir seus impactos na saúde materna e infantil. |
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| Referências: CAMARGO, Sara Rafaela Valcacio. Prevalência de toxoplasmose em gestantes de acordo com a raça ou etnia: uma revisão sistemática. 2025. DE JESUS PRATA, B. et al. Análise da incidência epidemiológica de toxoplasmose congênita nas regiões brasileiras durante os anos de 2019 a 2022. The Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 27, p. 103498, 2023. DINIZ, E. et al. Qual é a recomendação atual para o tratamento da toxoplasmose congênita? Revista da Associação de Medicina, São Paulo: Editora Plumas, v. 49, n. 1, jan. 2019. MELO, Danielle Vaz Carvalho de et al. Toxoplasmose gestacional e congênita no estado do Maranhão–MA: análise epidemiológica. 2024. MOURA, I. P. S. et al. Conhecimento e comportamento preventivo de gestantes sobre toxoplasmose no município de Imperatriz, Maranhão, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, p. 3933-3946, 2019. OLIVEIRA, Anaylle Leitão et al. Fatores relacionados com a suscetibilidade e transmissibilidade da toxoplasmose em gestantes: uma revisão sistemática. Research, Society and Development, v. 12, n. 6, p. e17512642249-e17512642249, 2023. SAMPAIO, G. L. et al. Toxoplasmose congênita na atenção primária à saúde: importância da prevenção no controle de uma doença negligenciada. Revista de Epidemiologia e Controle de Infecção, p. 104-113, 2020. |
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