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| FILME “OS CROODS”: A TERRITORIALIZAÇÃO RÍGIDA E OS RIZOMAS DA ATUALIDADE | |
| 1MARIA VITORIA DA SILVA SOBRAL, 2SARA SUDA ESTEVÃO, 3BARBARA COSSETTIN COSTA BEBER BRUNINI | |
| 1 Acadêmica do Curso de Psicologia da Universidade Paranaense - UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Somos constantemente atravessadas pela construção histórica e cultural, e, embora tenhamos avançado enquanto sociedade, não podemos negar que a história da nossa nação impacta grandemente na forma como agimos e pensamos. “Nosso cérebro é modificado pelas nossas atividades culturais — sejam elas ler, estudar música ou aprender uma nova língua” (Doidge, 2024, p.305). Assim, à medida que nos apropriamos da tecnologia consequentemente modificamos a nossa cultura, e formas de interagir em comunidade. Objetivo: Analisar o filme "Os croods (2013)" a partir do referencial esquizoanalítico, refletindo sobre a modificação do pensamento cultural com relação ao novo, os atravessamentos que influenciam na subjetivação então, cartografar como as linhas molares compõem o processo de adaptação das gerações mais antigas favorecendo uma territorialização rígida. Desenvolvimento: Levando em consideração a história desenhada no filme, “Os Croods (2013)”, uma família pré-histórica, que vivenciou a experiência da perda de vários amigos e vizinhos próximos, que morreram ao ter curiosidade com o novo, nos deparamos com o conceito de territorialização de Deleuze e Guattari (2002), em sua obra “Mil Platôs”, quando descrevem essa, como processo de adaptação. No filme a territorialização é construída através do personagem Grug, que mostra resistência aos novos modos de existir. Esse processo de territorialização rígida, representado por Grug, pode ser analisado a partir da perspectiva de Suely Rolnik (1989), que o vê como uma micropolítica de reprodução da ordem dominante. Em contrapartida a personagem Eep, representa a criação de novas cartografias existenciais. Ao longo da história, memórias associadas ao medo, bem como no filme, têm sido fortalecidas por linhas molares, o poder das relações, onde o sujeito é posto sob padrões construídos histórica e socialmente. Segundo Foucault (1979, p.245) em sua obra "Microfísica do poder” afirma que onde há poder, há resistência e esta resistência nunca está em posição de exterioridade em relação ao poder. Assim a territorialização é expressa pelo sujeito atravessado por essas linhas de poder, como uma forma de reprodução da hierarquia patriarcal construída, no seu processo de subjetivação como também proposto por Rolnik. Nesse sentido, avanços tecnológicos têm proporcionado rizomas, e linhas de fuga que favorecem a desconstrução, e desterritorialização de formas tradicionais de existir, retomando a escrita de Deleuze e Guattari (2002, p.37) que apresentam o rizoma como algo que não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo, nesse caminho a internet traz ao sujeito a possibilidade de se criar no meio, tornando mais flexível a desterritorialização, o romper com essas estruturas de captura do desejo. O rizoma, portanto, torna-se condição para a emergência de novas subjetividades no “entre” dessas relações, possibilitando a manifestação do desejo, conceito trabalhado por Deleuze e Guattari (2002) como criação, a invenção, o motor do processo, como algo que se cria, que se produz. A desterritorialização, adaptação ao novo, (re)criar-se e o (re)inventar-se é expressa no filme quando a família, diante de uma situação em que o caminho tradicional seria esconder-se em cavernas, opta por seguir outra direção, pois aquele já não cabia mais dentro da sua realidade, pois "A subjetividade não é um conjunto de traços adquiridos, mas um processo de produção constante, uma máquina de guerra que trava suas batalhas no plano dos afetos e dos fluxos." (Rolnik, 2012, p.45). Assim no filme, a entrada do personagem Guy, foi essencial para que ocorresse a desterritorialização. Conclusão: Conclui-se que a introdução de novas formas de existência pode gerar violência em gerações com uma territorialização mais rígida, especialmente quando comparadas às que têm maior contato com a tecnologia. Entretanto, como destaca Rolnik (2012), os processos subjetivos são constantes: a resistência de Grug cede lugar à adaptação, demonstrando que, mesmo sob rigidez, a plasticidade, seja cerebral, seja cultural, permite a desterritorialização.. O medo, nesse contexto , pode funcionar como ponto de partida, para a construção de novas memórias e para a abertura ao novo. |
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| Referências: DOIDGE, Norman. O cérebro que se transforma. 23. ed. Rio de Janeiro: Record, 2024. Tradução de Ryta Vinagre. Tradução de: The brain that changes itself. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. São Paulo: Editora 34, 2002. FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1979. ROLNIK, Suely. Manifesto antropofágico para uma vida em devir. São Paulo: Iluminuras, 2012. ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. São Paulo: Estação Liberdade, 1989. |
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