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| USO DA DEXMEDETOMIDINA INTRANASAL EM COELHOS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA | |
| 1MARCO ANTÔNIO TODERO GALLI, 2CIBELLY BERALDI DOS REIS, 3SALVIANO TRAMONTIN BELETTINI | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR, bolsista PIBIC/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O uso de animais de laboratório é prática consolidada em pesquisas biomédicas, sendo os coelhos da raça Nova Zelândia (Oryctolagus cuniculus) amplamente empregados devido à docilidade, ao porte médio e à fisiologia favorável. A sedação adequada é indispensável, pois reduz o estresse, facilita a contenção e melhora a qualidade experimental. A dexmedetomidina, agonista seletivo dos receptores α2-adrenérgicos, apresenta propriedades sedativas, analgésicas e ansiolíticas, com mínima depressão respiratória e possibilidade de reversão com atipamezol. A via intranasal surge como alternativa promissora à via intramuscular, pois contorna o metabolismo de primeira passagem, permite rápida absorção pelo sistema nervoso central via nervos olfatório e trigêmeo, e reduz o estresse de contenção associado às aplicações injetáveis (PARDESHI; BELGAMWAR, 2013). Objetivo: Revisar a literatura científica sobre os efeitos sedativos da dexmedetomidina administrada por via intranasal em coelhos, destacando sua eficácia, segurança e o papel da reversão farmacológica com atipamezol. Desenvolvimento: Estudos pioneiros já demonstravam que a administração intranasal de anestésicos em coelhos promovia absorção rápida, estabilidade hemodinâmica e redução significativa do estresse durante a contenção (ROBERTSON; EBERHART, 1994). Mais recentemente, Wei et al. (2023) avaliaram a administração intranasal de medetomidina em coelhos japoneses e observaram latência média de aproximadamente 5 minutos, com manutenção da frequência cardíaca e respiratória em valores fisiológicos. Esses achados confirmam que a via intranasal proporciona instalação rápida do efeito e segurança cardiovascular. Comparações entre vias de administração apontam vantagens da intranasal sobre a intramuscular. Em estudo randomizado, Surendar et al. (2014) verificaram que a dexmedetomidina intranasal induziu sedação eficaz com menor variabilidade cardiovascular e menor tempo para início do efeito quando comparada a outros fármacos administrados pela mesma via, como midazolam e cetamina. A via intramuscular, embora eficaz, foi associada a maior resposta ao estresse durante a contenção inicial e latência prolongada. Outro aspecto relevante é a possibilidade de reversão farmacológica. Wagner et al. (2017), ao validar um sistema de escore de sedação em coelhos, demonstraram que o uso de atipamezol reduziu em aproximadamente 50% o tempo de recuperação da sedação, com retorno rápido à atividade espontânea, sem intercorrências cardiorrespiratórias relevantes. Esse recurso amplia a segurança experimental e o controle do pesquisador sobre a duração da sedação. Além da eficácia clínica, a adoção da via intranasal está em consonância com os princípios dos 3Rʼs (Replacement, Reduction, Refinement), propostos por Russell e Burch (1959). O refinamento, nesse contexto, é alcançado ao proporcionar contenção menos estressante, protocolos mais previsíveis e maior bem-estar animal durante os experimentos. Dessa forma, a dexmedetomidina intranasal se configura não apenas como alternativa farmacológica eficaz, mas também como ferramenta ética de aprimoramento no uso de animais de laboratório. Conclusão: A dexmedetomidina intranasal configura-se como alternativa eficaz e segura na sedação de coelhos da raça Nova Zelândia, apresentando absorção rápida, estabilidade fisiológica e menor estresse durante a aplicação. A possibilidade de reversão com atipamezol amplia a segurança do protocolo e contribui para o refinamento das práticas anestésicas em experimentação animal. A consolidação dessa via como substituta da intramuscular depende, contudo, da ampliação de estudos comparativos que forneçam parâmetros hemodinâmicos, escores de sedação e desfechos de segurança mais robustos. |
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| Referências: PARDESHI, C. V.; BELGAMWAR, V. S. Direct nose to brain drug delivery via integrated nerve pathways bypassing the blood–brain barrier: an excellent platform for brain targeting. Expert Opinion on Drug Delivery, v. 10, n. 7, p. 957-972, 2013. ROBERTSON, S. A.; EBERHART, S. E. Efficacy of the intranasal route for administration of anesthetic agents to adult rabbits. Laboratory Animal Science, v. 44, n. 2, p. 159-165, 1994. RUSSELL, W. M. S.; BURCH, R. L. The Principles of Humane Experimental Technique. London: Methuen, 1959. SURENDAR, N. M. et al. A comparative evaluation of intranasal dexmedetomidine, midazolam and ketamine for their sedative and analgesic properties: a triple blind randomized study. Journal of Clinical Pediatric Dentistry, v. 38, n. 3, p. 255-261, 2014. WAGNER, M. C. et al. Evaluation of a sedation scoring system in laboratory rabbits. Journal of the American Association for Laboratory Animal Science, v. 56, n. 3, p. 250-258, 2017. WEI, Y. et al. The sedative effect of intranasal administration of medetomidine using a mucosal atomization device in Japanese White rabbits. Journal of Veterinary Medical Science, v. 85, n. 4, p. 471-478, 2023. |
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