GLOMERULONEFRITE PÓS-ESTREPTOCÓCICA: ASPECTOS CLÍNICOS, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO  
1CAMILA RAQUEL HUSAK SCHNEIDER, 2ISADORA ALEGRIA PEREIRA, 3LETÍCIA CATELANI DA SILVA, 4MARIA EDUARDA HAGA MATIUSSI, 5IZA PAULA DA SILVA PONDIAN
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A Glomerulonefrite aguda (GNA) após infecção por vias aéreas superiores ou pele é uma doença renal de caráter autolimitado, esse processo infeccioso geralmente acontece entre 7 e 21 dias antes do início dos sintomas. Quando a infecção é causada por cepas estreptocócicas, recebe a denominação de Glomerulonefrite Aguda Pós-estreptocócica (GNAPE), com a subsequente estimulação da resposta imune, a formação de imunocomplexos faz uma infiltração inflamatória difusa dos glomérulos (MARQUES et al., 2010). Segundo Shah (2017), a GN pós-estreptocócica é frequente em crianças de 5 a 12 anos e incomum antes dos 3 anos de idade, ocorrendo duas vezes mais em meninos do que em meninas.
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura integrativa acerca da Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica, bem como seus aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento.
Desenvolvimento: A GNAPE apresenta-se como a principal forma de glomerulonefrite pós-infecciosa, ocorrendo geralmente após episódios de faringite ou impetigo por cepas nefritogênicas do Streptococcus pyogenes. O processo fisiopatológico envolve a deposição de imunocomplexos nos glomérulos e subsequente ativação do sistema complemento, resultando em inflamação e lesão glomerular difusa (MARQUES et al., 2010). Para Shrestha et al. (2024), pacientes com GNAPE podem ser assintomáticos e as características clínicas variam de hematúria microscópica a quadros típicos de síndrome nefrítica aguda, com sintomas de hematúria, edema, hipertensão, proteinúria, azotemia e oligúria. O diagnóstico baseia-se na associação entre história recente de infecção estreptocócica e manifestações clínicas, além de exames laboratoriais que evidenciam hematúria, proteinúria, elevação de ureia e creatinina, além da redução dos níveis séricos de complemento C3. Testes sorológicos, como a dosagem de antiestreptolisina O (ASLO), auxiliam na confirmação da infecção prévia (PEREIRA; ANDRADE; TOFOLO, 2020). A biópsia renal é reservada para casos atípicos ou com evolução desfavorável. O tratamento é, em sua maioria, de suporte, uma vez que a GNAPE tende a ser autolimitada. O manejo inclui controle da hipertensão arterial, restrição hídrica e de sódio, além do uso de diuréticos em casos de sobrecarga volêmica. Em situações mais graves, pode ser necessária a terapia dialítica temporária (AGUIAR et al., 2024). Complicações, incluindo insuficiência cardíaca e encefalopatia hipertensiva, foram observadas em uma proporção considerável de casos, mas nenhuma mortalidade foi relatada (SHRESTHA et al., 2024) Conforme estudo de Kondapalli, Gondi e Mohammed (2019), a recuperação espontânea ocorre na maioria dos casos; crianças com pressão arterial normal e diurese superior a 400 ml podem ser manejadas em casa. O repouso é benéfico para aqueles com edema e hipertensão. A diurese, a ingestão oral e o peso devem ser registrados diariamente. A ingestão de sódio é restrita em todos os casos com edema e hipertensão. Todos os alimentos ricos em potássio devem ser restringidos até que a diurese ultrapasse 400 ml por dia. Se a crise for manejada adequadamente, o prognóstico da glomerulonefrite aguda será favorável.
Conclusão: Conclui-se a partir da pesquisa realizada a importância do conhecimento e identificação precoce da glomerulonefrite aguda pós estreptocócica juntamente com a realização de exames laboratoriais frequentes e um cuidado interdisciplinar, para garantir um manejo clínico adequado como o acompanhamento próximo e individualizado visando a recuperação total do paciente e a prevenção de complicações. Ademais, acrescenta-se a necessidade da elaboração de mais trabalhos sobre o tema supracitado.
Referências:
AGUIAR, G. D. S. S. et al. Glomerulonefrite pós-estreptocócica: principais avanços terapêuticos. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 11, p. 4035–4046, nov. 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/4547. Acesso em: 09/08/2025
KONDAPALLI, C. S.; GONDI, K. C.; MOHAMMED, F. Correlation of clinical and laboratory parameters of acute glomerulonephritis in children. International Journal of Contemporary Pediatrics, v. 6, n. 2, p. 398–405, mar.-abr. 2019. Disponível em: https://www.ijpediatrics.com/index.php/ijcp/article/view/2155. Acesso em: 09/08/2025
MARQUES, V. DE P. et al. Glomerulonefrite aguda após infecção de vias aéreas superiores ou pele: análise descritiva de 82 pacientes entre 14 e 64 anos de idade. Brazilian Journal of Nephrology, v. 32, n. 3, p. 237–241, jul. 2010. Disponível em: https://www.bjnephrology.org/article/glomerulonefrite-aguda-apos-infeccao-de-vias-aereas-superiores-ou-pele-analise-descritiva-de-82-pacientes-entre-14-e-64-anos-de-idade/. Acesso em: 09/08/2025
PEREIRA, J. L. dos S.; ANDRADE, R. L. de; TOFOLO, C. Diagnóstico e tratamento de glomerulonefrite pós-infecciosa – revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, suplemento vol. 59, artigo e4254, set. 2020. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/4254. Acesso em: 09/08/2025
SHAH, G. Post-infective glomerulonephritis in children: a hospital based study. Journal of Patan Academy of Health Sciences, Lalitpur, v. 4, n. 1, p. 26-31, jun. 2017. Disponível em: https://jpahs.edu.np/index.php/JPAHS/article/view/70. Acesso em: 09/08/2025
SHRESTHA, M. et al. Acute Post-infectious Glomerulonephritis in Children Admitted to a Tertiary Care Hospital: A Descriptive Cross-sectional Study. JNMA Journal of the Nepal Medical Association, v. 62, n. 272, p. 264–268, abr. 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11025485/. Acesso em: 09/08/2025