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| A CONSTRUÇÃO SOCIAL DOS PAPÉIS DE GÊNERO: EXPECTATIVAS, RELAÇÕES E IMPLICAÇÕES SOCIAIS | |
| 1MARIA IZABEL VARGAS, 2LUIZ AUGUSTO MUGNAI VIEIRA JUNIOR | |
| 1Acadêmico de Psicologia - PIC/UNIPAR - Cascavel 2Docente e Pesquisador da UNIPAR/PIC - Cascavel |
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| Introdução: Contribuições fundamentais de algumas das principais teóricas dos estudos de gênero e feministas mostram que os papéis de gênero constituem construções socioculturais que atribuem, direta ou indiretamente, comportamentos, funções e expectativas distintas a indivíduos com base em seu sexo biológico. A análise do tema evidencia que tais constructos não possuem origem natural ou biológica, mas são produtos histórica e socialmente instituídos. Estes mecanismos societais operam desde a primeira infância, moldando e normatizando a performatividade de homens e mulheres no que tange à vestimenta, cognição, conduta e posicionamento social (Louro,2010). Vale destacar que embora exista uma pluralidade de perspectivas teóricas sobre a conceptualização de gênero, o consenso académico majoritário reconhece-o como uma categoria analítica que transcende o determinismo biológico, enfatizando sua natureza fundamentalmente social e histórica. De acordo com a autora Judith Butler (1990) o conceito de gênero não deve ser encarado como algo estático, amparado pela biologia, mas sim uma construção a partir da cultura não sendo algo que está acabado, mas em constante construção, dessa forma temos que o gênero seria uma performance que se repete conforme normas sociais. Objetivo: Analisar como os papéis e as expectativas de gênero são construídos socialmente e como influenciam comportamentos e relações sociais entre as pessoas. Trata-se de uma pesquisa de caráter bibliográfico baseado na análise de livros, artigos científicos e publicações acadêmicas sobre gênero e sexualidade. As principais autoras utilizadas são: Judith Butler, Joan Scott e Simone de Beauvoir. Desenvolvimento: De acordo com a historiadora feminista Joan Scott (1995) gênero não deve ser visto como aepnas um reflexo biológico do sexo, ele é construido cultural e socialmente por meio de praticas, normas, instituições e discursos. Segunda a pesquisadora, gênero é capaz de organizar a sociedade e definir papéis e relações de poder entre homens, mulheres e demais identidades. Ainda segundo a autora, “o gênero é uma forma primária de dar significado a relações de poder”. Ou seja, o gênero é um dos fundamentos principais nas estruturas sociais por meio do qual o poder é distribuído e justificado, de forma a qual colabore para sustentar e manter desigualdades, desse modo percebe se que para além de uma identidade pessoal, o gênero tem um papel importante na estrutura social, sendo ele um dispositivo simbólico. Tanto que é comum nas nossas relações sociais escutarmos discursos que tendem a justificar desigualdades estruturais por discursos socais que reproduzem falas, como, por exemplo: “mulheres nasceram para cuidar” ou “mulheres têm instinto materno”. Tais tipos de falas não somente não tem embasamento teórico e científico, como também, agem para a manutenção da desigualdade de gênero, bem como a sobrecarga de trabalho feminino (Federici, 2017) naturalizando o cuidado desempenhado pelas mulheres nos mais diversos ambientes e corroborando para uma imagem irreal da maternidade (Davi, 2016), como se a mesma, desse a mulher o poder de solucionar as demandas sozinha por uma “espécie de sexto sentido”, fato que pode gerar danos psicológicos pela autocobrança e comparação constante com outras mães que possuem realidade e acessos diferentes. Ademais, ao pensarmos a famosa frase “Não se nasce mulher, torna-se” da escritora existencialista Simone de Beauvoir (2019) a noção de identidade feminina (assim como a masculina) não é algo inato e pré determinado, mas sim construída social e culturalmente ao longo da vida da pessoa. Essa frase nos traz a reflexão e provocação acerca de papéis impostos pelo patriarcado que historicamente julgou as mulheres como inferiores e subalternas dos desejos masculinos; ideia moblizadora para o movimento feminista questionar e que nos convida a refletir sobre a liberdade de escolha das mulheres acerca de quais espaços ocupar numa estrutura hierarquica de poder centralizado no masculino. Considerações finais: Diante do que foi exposto observa-se que os papéis de gênero são construções sociais historicamente reproduzidas que influenciam profundamente as relações sociais, o acesso a direitos, e frequentemente, acaba reforçando injustiças na vida das pessoas que estão fora da norma de poder de gênero (Scott, 1995). Desse modo, é fundamental compreender e refletir como os papéis de gênero se formam a partir de expectativas sociais e como eles se sustentam ao longo da história, analisando assim os discursos e os pensamentos que são reproduzidos de forma naturalizada e não construída. Ainda, é importante afirmar que romper padrões e superar visões limitadas acerca das possibilidades de existência sobre o feminino e o masculino proporciona o vivenciar o que envolve gênero de forma diversa (Coelho, 2018) com liberdade e inclusão. |
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| Referências: BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: fatos e mitos. 4. ed. Tradução de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. COELHO, Mateus Gustavo. Gêneros desviantes: o conceito de gênero em Judith Butler. 2018. 118 f. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018. DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Tradução de Heci Regina Candiani. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2016. FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução de Coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017. LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 11. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71–99, jul./dez. 1995. SILVA, Luiz Henrique Passador. Notas sobre epistemologia, ciência e profissão: a psicologia na encruzilhada. Liberabit, São Paulo, v. 27, n. 1, p. 175–190, 2021. |
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