![]() | |
|---|---|
![]() | |
| A RELAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA NA ANSIEDADE EM ADOLESCENTES DO ENSINO MÉDIO | |
| 1JEISY KELI SCHIRMANN, 2FABIANA TEIXEIRA VARGAS, 3THAIS CRISTINA GUTSTEIN NAZAR | |
| 1Acadêmica de Psicologia e PIC/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Psicologia/PIC da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: Adolescência, é compreendida pela (OMS, 2014), como o período entre 10 e 19 anos, marcada por profundas transformações biopsicossociais. Sob a ótica da Análise do Comportamento, o desenvolvimento humano envolve a aquisição e reorganização de repertórios a partir das contingências ambientais (Skinner, 2003; Baum, 2017). A adolescência constitui uma etapa em que as condições de reforçamento presentes na família, na escola e nos grupos sociais exercem função decisiva na modelagem de novos comportamentos e na adaptação às demandas próprias dessa fase. Por vezes ao vivenciar esta fase, os adolescentes passam por estressores que podem ocasionar a ansiedade que é a “antecipação de um estímulo perturbador futuro” (Skinner, 2003, p. 390). A atividade física pode ser fator protetivo em detrimento da ansiedade e de papel fundamental na adolescência por favorecer o movimento físico, a autoestima e a integração social. Apesar de seus benefícios amplamente reconhecidos, a prevalência de inatividade permanece elevada, alcançando 85,2% no Brasil e 81% no mundo (Costa, et al., 2021). Objetivo: Investigar a relação da atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes do Ensino Médio de escolas públicas. Material e Métodos: A pesquisa de campo é descritiva e de natureza quantitativa. O objetivo foi o levantamento de dados associados à prática de atividade física voltado à sintomatologia da ansiedade. Participaram da pesquisa 1626 adolescentes de 14 à 18 anos de 12 escolas públicas de um município do sudoeste do Paraná. Os participantes estavam devidamente matriculados na rede pública de ensino e assinaram o Termo de Livre Consentimento Esclarecido (TCLE). A pesquisa foi aprovada pelo pelo Comitê de Ética conforme a Resolução nº 422/2012, com CAAE de número 50753221.0.0000.0109 e parecer de aprovação número 5.836.801. Os dados foram coletados com a aplicação do Questionário Juventude Brasileira fase II (Versão Fase II DellʼAglio, et. al., 2011). Para realização da análise de dados foi utilizado o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) na versão 27.0. Resultados: Há relação Direta e Significativa indicando que os dados mostram a atividade física como um fator que influencia diretamente a ansiedade. O valor de significância (p < 0,001) e coeficiente F (39,987) confirmam que essa relação não é aleatória e que o modelo estatístico é válido. Houve o Impacto Negativo da Atividade Física na Ansiedade, denotando que o coeficiente de regressão para a atividade física foi negativo (B = -1,469). Isso revela correlação inversa entre as duas variáveis: quanto maior o nível de atividade física praticado, menores são os índices de ansiedade observados nos adolescentes. Ainda refere a diminuição da ansiedade, pois para cada aumento de um ponto na escala de atividade física, a pontuação média de ansiedade diminui em cerca de 1,469 pontos. Essa evidência reforça a importância da prática regular de exercícios como um mecanismo de redução da ansiedade neste grupo populacional. Demonstra ainda valor importante da Ansiedade na ausência de Atividade Física, inferindo o valor da constante (B = 9,590) sugere que, na ausência de atividade física, o nível de ansiedade dos adolescentes tende a ser de aproximadamente 9,59 pontos. Discussão: O estudo identificou correlação significativa entre atividade física e ansiedade entre alunos do ensino médio de escolas públicas. A cada 1 ponto a mais em atividade física, os níveis de ansiedade caem em média 1,469 pontos, o que indica que a prática regular de exercícios contribui para a redução da ansiedade em adolescentes. Pesquisa realizada em Goiânia-GO, em 2018, com 516 estudantes da rede pública (277 do período parcial e 239 do integral), constatou-se que 93,5% dos alunos de período parcial e 98,3% de período integral eram fisicamente inativos. Aplicando a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse para Adolescentes (EDAE-A), verificou-se que 19,2% relataram dificuldade para se acalmar, 26,6% reagiam exageradamente a situações ao longo da semana, 25,2% sentiam nervosismo constante, 25,8% não conseguiam relaxar, indicando altos níveis de estresse (Costa et al., 2021). Em estudo com cerca de 73.399 adolescentes, dividiu os participantes por nível de atividade física semanal: ativos (≥300 min), insuficientemente ativos (<300 min) e inativos (0 min). Adolescentes inativos apresentaram 16% mais chances de desenvolver transtornos mentais comuns (TMCs). A prevalência de TMCs foi de 37,2% entre os que não praticavam esportes e 25,9% entre os que praticavam; e de 39,5% entre os que não participavam das aulas de educação física, contra 29,6% entre os que participavam. A atividade física no lazer reduz em 26% o risco de TMCs, independentemente da frequência ou duração (Ferreira et al., 2020). Conclusão: O estudo mostrou-se válido, proporcionando resultados extremamente favoráveis acerca de práticas físicas em benefício da saúde mental de adolescentes em escolas públicas brasileiras, abrindo possibilidades para pensar essas práticas como fatores de proteção no cotidiano de jovens escolares com ênfase na prevenção e redução de danos relacionados a transtornos mentais. |
|
| Referências: BAUM, W. M. Compreender o behaviorismo: comportamento, cultura e evolução. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. COSTA, M. P. S. [et al.]. Inatividade física e sintomas de depressão, ansiedade e estresse em adolescentes estudantes. Acta Paulista de Enfermagem. São Paulo, v. 34, eAPE 03364, 2021. DOI: 10.37689/acta-ape/2021AO03364. Disponível em: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AO03364. Acesso em: 01, ago. 2025. FERREIRA, V. R. et al. Inatividade física no lazer e na escola está associada à presença de transtornos mentais comuns na adolescência. Rev Saúde Publica. 2020;54:128. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/WYy4npBGn9DcK8LXFr3cgTp/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 20, jul., 2025. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Prevenção do suicídio: um imperativo global. Genebra, 2014. Disponível em: SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. 11. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. (Obra original publicada em 1953). |
|