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| AUTENTICIDADE ROUBADA: A SÍNDROME DA IMPOSTORA COMO SINTOMA SOCIAL DO PATRIARCADO | |
| 1JULIA FÂNZERES CAMINHA MUTSCHLER, 2LISIENNE DE MORAIS NAVARRO GONÇALVES SILVA | |
| 1Discente da Universidade Paulista – São Paulo 2Docente da UNIP |
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| Introdução: O estudo analisa a Síndrome da Impostora como resultado de estruturas sociais e históricas, ligadas ao patriarcado e à lógica neoliberal, que impõem às mulheres alta performance, múltiplas responsabilidades e geram exaustão e sentimento de inadequação. Baseado em Bauman (2001), Foucault (1986), Dardot e Laval (2016) e Caminha, Almeida e Silva (2025), destaca a desvalorização da experiência feminina e a necessidade de descolonizar o feminino por meio da ancestralidade, ciclicidade e sexualidade. Mostra ainda que, após a década de 1960, as conquistas femininas ampliaram a autonomia, mas também aumentaram as pressões sociais. Conclui que a síndrome é expressão de um feminino domesticado, moldado por discursos que perpetuam a desigualdade de gênero. Objetivos gerais: Investigar de que maneira os papéis de gênero contribuem para a manifestação da Síndrome da Impostora em mulheres de diferentes contextos sociais e acadêmicos, considerando tanto aspectos individuais quanto socioculturais. Objetivos específicos: Analisar os relatos de mulheres em rodas de conversa sobre suas experiências de gênero e a vivência da Síndrome da Impostora; Identificar padrões de autossabotagem e insegurança associados às expectativas sociais relacionadas ao feminino; Examinar o papel dos círculos de mulheres e da prática da escuta como estratégias coletivas de fortalecimento da autenticidade feminina; Dialogar com pesquisas anteriores sobre autenticidade e descolonização do feminino (Caminha; Almeida; Silva, 2025; Caminha; Silva, 2025), articulando-as às reflexões de Bauman (2001), Dardot e Laval (2016), Debord (1979), Foucault (1983, 1986), Padro Filho e Martins (2007) e Ortega (2004). Desenvolvimento: A pesquisa investigou a Síndrome da Impostora (FI) e o feminino domesticado (FD) por meio de rodas de conversa realizadas entre março/2024 e junho/2025, com 121 mulheres de 35 a 71 anos, em Niterói (RJ), Barueri (SP) e Santana de Parnaíba (SP). O método foi qualitativo, com questionários pré e pós-vivências, meditações, exercícios corporais e observação participante. Os resultados revelaram que, embora muitas mulheres se considerem capazes, predominam insegurança, autocrítica, perfeccionismo e crenças limitantes como “preciso dar conta de tudo sozinha” e “melhor calar”. • Classe média alta: sobrecarga, medo de falhar e busca intensa por perfeição. • Classe baixa: exaustão, falta de autonomia financeira e silenciamento. Apesar das diferenças, ambos os grupos compartilham medo de não dar conta, culpa por descansar e desvalorização das próprias conquistas, atribuindo sucesso à fé ou sorte. Mulheres de classes altas se identificaram mais diretamente com o termo “impostora”, enquanto as de classes baixas relataram sentimentos semelhantes sem nomeá-los. O estudo articula-se com: Bauman (2001): insegurança ligada à fluidez da subjetividade, Dardot & Laval (2016): autocobrança como efeito do neoliberalismo, Debord (1997): influência do olhar externo na autoimagem. Conclui-se que a Síndrome da Impostora não é individual, mas uma “patologia social” que limita a autenticidade feminina e afeta o bem-estar das mulheres. Considerações Finais: O estudo interpreta a Síndrome da Impostora como resultado do patriarcado e da lógica neoliberal, que controlam e mercantilizam a vida. O fenômeno afeta diferentes classes sociais, manifestando-se de formas variadas conforme o contexto cultural. As vivências em círculo mostraram-se eficazes na redução da ansiedade e no fortalecimento da autoestima, oferecendo um espaço de acolhimento, pertencimento e resistência cultural. Essa prática, acessível e de baixo custo, complementa a terapia individual e contribui para a libertação feminina e a ressignificação das dores pessoais como questões sociais e históricas. Ressalta-se que o trabalho em círculo não substitui a terapia individual, mas pode ser utilizado de forma complementar, potencializando o processo de libertação da mulher em relação à Síndrome da Impostora. |
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| Referências: BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. BOUÇAS, C. M.; NASCIMENTO, M. L. O Efeito Foucault: Desnaturalizando Verdades, Superando Dicotomias. Universidade Federal Fluminense, 2001. CAPRA, Fritjof. O Tao da Física: um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental. São Paulo: Cultrix, 1995. CAMINHA MUTSCHLER, J. F.; ALMEIDA, A.; SILVA, L. M. N. G. Uma Análise Multidisciplinar das Raízes Culturais e Psicológicas da Autenticidade Feminina, 2025 CAMINHA MUTSCHLER, J. F.; SILVA, L. M. N. G. A Descolonização do Feminino: Por que mulheres atuais precisam despertar a consciência feminina, 2025 CLANCE, P. R.; IMES, S. A. The impostor phenomenon in high achieving women: dynamics and therapeutic intervention. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, [S.l.], v. 15, n. 3, p. 241-247, 1978. DARDOT, P.; LAVAL, C. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016. ORTEGA, Francisco. Biopolíticas da saúde: reflexões a partir de Michel Foucault, Agnes Heller e Hannah Arendt. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, 2004. PADRO FILHO, K.; MARTINS, S. A Subjetividade como objeto da(s) Psicologia(s). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007.a |
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