INTOLERÂNCIA AO GLÚTEN: UM OLHAR SOBRE A DOENÇA CELÍACA E A SENSIBILIDADE NÃO CELÍACA
1GIOVANNA DE LIMA TAMIOSO, 2SOPHYA SOUZA TOSCANO, 3TAYNARA DE OLIVEIRA ROCHA, 4PAULO ROBERTO SCARPANTE
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A doença celíaca (DC) é uma desordem sistêmica desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos, caracterizando-se por inflamação crônica da mucosa do intestino delgado e consequente atrofia das vilosidades intestinais, o que leva à má absorção de nutrientes (BORBA; OLIVEIRA; CORREA, 2023). Já a sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC) é caracterizada pela presença de sintomas gastrointestinais após a ingestão de alimentos com glúten, sem, contudo, apresentar comprometimento imunológico ou alterações histológicas típicas da DC (BORBA; OLIVEIRA; CORREA, 2023). Ambas as condições representam desafios diagnósticos e terapêuticos relevantes no campo da gastroenterologia.
Objetivo: Compreender a diferença entre a doença celíaca e a sensibilidade ao glúten não celíaca com base em artigos publicados a partir de 2021. 
Desenvolvimento: A DC é uma condição autoimune, relacionada à presença dos antígenos leucocitários humanos (HLA) classe II, em especial os alelos HLA-DQA1 e HLA-DQB1. A resposta imunológica ao glúten provoca lesão imunomediada no intestino delgado, causando sintomas clássicos como diarreia, esteatorreia, distensão abdominal e perda de peso. Em adultos, o quadro pode ser mais variado, com manifestações extraintestinais ou associação a outras doenças autoimunes, como diabetes mellitus tipo 1 e doença autoimune da tireoide (MARQUES et al., 2022). A prevalência global da DC é de aproximadamente 1%, com dois picos de início: um na infância, logo após a introdução do glúten na dieta, e outro na idade adulta, sobretudo entre mulheres (MARQUES et al., 2022). O diagnóstico é considerado desafiador devido à diversidade de apresentações clínicas, incluindo formas assintomáticas. Ele envolve exames sorológicos (anticorpos anti-transglutaminase tecidual e anti-peptídeo gliadina deaminada), biópsia intestinal e avaliação clínica (BARCELOS et al., 2024). O tratamento da DC consiste em dieta isenta de glúten por toda a vida. Contudo, a adesão é dificultada pelo risco de contaminação cruzada e pela presença de glúten em diversos alimentos industrializados. Nesse sentido, a conscientização do paciente, o acompanhamento multiprofissional (médico e nutricional) e a rotulagem adequada dos alimentos são fundamentais para a eficácia terapêutica (KAMINSKI; GRACIOTO; KAMINSKI, 2024).
Conclusão: A DC é uma condição autoimune e multissistêmica, caracterizada pela intolerância permanente ao glúten, cujo diagnóstico precoce e manejo adequado são essenciais para evitar complicações nutricionais e sistêmicas. A dieta sem glúten permanece como único tratamento eficaz, exigindo maior conscientização de pacientes, familiares e profissionais de saúde. A SGNC, embora não apresente alterações imunológicas, também requer atenção clínica, devido ao impacto na qualidade de vida dos indivíduos. A implementação de políticas públicas que ampliem a oferta de produtos seguros e a clareza nos rótulos alimentares é fundamental para garantir a adesão terapêutica e reduzir riscos. Assim, a abordagem interdisciplinar é indispensável para o acompanhamento integral dos pacientes celíacos e com SGNC.
Referências:
BARCELOS, C. G. ​et al. Doença celíaca: diagnóstico, tratamento e desafios na prática clínica. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 8, p. 641–652, 2024. 
BORBA, B. C. R. de; OLIVEIRA, R. C. de; CORREA, D. Doença Celíaca Sensibilidade ao Glúten: Revisão Narrativa e Desenvolvimento de Material Educativo. Disponível em: https://doi.org/10.47879/ed.ep.2023670p96
KAMINSKI, V. de L.; GRACIOTO, P. G. A.; KAMINSKI, V. de L. Revisão da abordagem nutricional para o controle e tratamento da doença celíaca. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/47818. Acesso em: 6 set. 2025.
MARQUES, E. T. da F. et al. Uma análise acerca das características da Doença Celíaca. Revista Eletrônica Acervo Médico, v. 15, p. e10722, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.25248/reamed.e10722.2022.