METODOLOGIAS ATIVAS COMO FERRAMENTA PARA O DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL
1MARIA CLARA DE OLIVEIRA, 2SABRINA DO AMARAL CICERI, 3ELISANGELA ALVES DOS REIS
1Acadêmica do curso de Pedagogia da Unipar
2Acadêmica do curso de Pedagogia da Unipar
3Docente da UNIPAR
Introdução: A presente pesquisa explana sobre a relevância do desenvolvimento das competências socioemocionais a partir de metodologias ativas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Competências socioemocionais são um conjunto de habilidades relacionadas a emoções, empatia, colaboração e tomada de decisões responsáveis, e têm sido amplamente discutidas nos diversos cenários, sobretudo no campo educacional (Brasil, 2018). Isso porque, temos urgente necessidade da formação integral do estudante, ou seja, para além do domínio de conteúdos acadêmicos. Nesse contexto, as metodologias ativas configuram-se um recurso potencialmente significante para auxiliar no aprimoramento de habilidades socioemocionais em escolas, estimulando atividades cooperativas e promoção do diálogo, ações fundamentais para a criação de espaços seguros, inclusivos, que estimulam o cognitivo e o emocional de forma intrínseca (Moran, 2018).
Objetivo: Apresentar as contribuições das metodologias ativas no desenvolvimento das competências socioemocionais nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Desenvolvimento: Sob os fundamentos da BNCC, trazemos o recurso de metodologias ativas como uma forma promoção da autonomia, a colaboração e a resolução de problemas em contextos significativos. Nesse contexto, devemos oportunizar propostas pedagógicas que despertem o interesse dos alunos no próprio processo de aprendizagem (Moran, 2018).  Dentre elas, podemos destacar metodologias baseadas em projetos; a sala de aula invertida e atividades colaborativas, em que os estudantes são estimulados a reconhecer e lidar com suas emoções, a desenvolver empatia, cooperação, comunicação e responsabilidade. Para tanto,  o mediador/professor disponibiliza materiais teóricos (vídeos, livros, textos, imagens, estudos de caso) para estudos a priori, e os estudantes precisam problematizar o conteúdo e trazê-lo em uma situação comunicativa. Essa ação contribui para que o estudante se torne o centro do processo de ensino e participe ativamente do processo de ensino/aprendizagem, abandonando ideais tradicionais em que o professor é apenas o transmissor de conhecimento (Malta, 2024). A partir do desenvolvimento das competências emocionais, o estudante adquire segurança e melhora as habilidades de concentração e engajamento nas atividades, ações fundamentais para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores (Vygotsky, 2007). Dentre as possibilidades de trabalho, o mediador/professor pode criar um mural das emoções semanal, onde cada aluno identifica como se sente diariamente, faz o registro e, ao final da semana, participa de uma roda de conversa para compartilhar seus sentimentos, desenvolvendo assim a autoestima e o autoconhecimento. Como atividade de registro, pode-se trabalhar com atividades em que os alunos possam elaborar um texto sobre os sentimentos, conforme sobre o gênero textual trabalhado no mês, divindo as partes da escrita para que cada estudante fique responsável por um trecho e posteriormente, possam juntar as partes e fazer a conexão, trabalhando cooperação, escuta ativa e comunicação.
Conclusão: A pesquisa mostrou que práticas pedagógicas que favorecem a autonomia e participação dos alunos, como aprendizagem baseada em projetos e sala de aula invertida, promovem a resolução de problemas. Essas ações configuram-se metodologias ativas pois, para além dos recursos utilizados, promoverem a participação efetiva dos alunos no processo de aprendizagem, possibilitam não apenas a construção do conhecimento acadêmico, mas também o desenvolvimento de habilidades socioemocionais fundamentais para a vida em sociedade. O professor, como mediador, deve instigar os alunos a aprofundar seu conhecimento científico.
Referências:
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em https://basenacionalcomum.mec.gov.br/.
MALTA, Daniela Paula de Lima Nunes; SILVA E SILVA, Ádila Marta da; PORTES, Cristiani Soeiro Vieira; GADELHA, Deborah de Souza; MENDONÇA, Ilmarcia Ribeiro Lima; CARDOSO, José Cleudo Matos; SOUZA, Lucas Vinícios Silveira de; CAMPOS, Luciane Domingues de. A influência das metodologias ativas e das tecnologias no desenvolvimento de competências socioemocionais em escolas de tempo integral. Revista Aracê, São José dos Pinhais, v. 6, n. 3, p. 8687-8703, 2024. DOI: https://doi.org/10.56238/arev6n3-257.
MORAN, José Manuel. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda. In: BACICH, Lilian; MORAN, José Manuel (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018. p. 25-46.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.