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| INTERVENÇÃO ARTÍSTICA COMO FERRAMENTA DE HUMANIZAÇÃO NO CAPS I DE CIANORTE | |
| 1GIOVANNA CAZON TORRES, 2ANDRESSA DE JESUS TABAQUIM, 3ANNA LAURA CAZON, 4JESSYCA DE CAMARGO BARROS TOME, 5MARCO AURELIO PENASSO, 6VICTOR EMMANUEL URIO | |
| 1Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 5Acadêmico do Curso de Psicologia da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O presente trabalho relata a experiência de estágio supervisionado básico II realizado no de Atenção Psicossocial (CAPS I) de Cianorte/PR. A intervenção desenvolvida teve como objetivo humanizar o espaço físico da instituição, promovendo acolhimento e seguindo as diretrizes antimanicomiais que marcam a proposta do CAPS, rompendo assim com a estética hospitalar e asilar, a partir de atividades artísticas coletivas. A hipótese diagnóstica partiu da demanda de tornar o ambiente mais acolhedor e coerente com os princípios do cuidado em liberdade e portas abertas. Observou-se que a identidade visual do CAPS apresentava limitações no estímulo à sensação de pertencimento dos usuários, embora possuísse grande potencial para aprimoramentos, sobretudo no sentido de distanciar-se da estética hospitalar e reforçar simbolicamente os valores de autonomia e protagonismo. Relato de caso: O estágio ocorreu entre abril e maio de 2025, com observação participante, revisão bibliográfica e diálogos com profissionais da equipe multidisciplinar. A intervenção consistiu na pintura de murais e artes interativas, realizadas por estagiários, usuários do CAPS e artistas convidados. O processo buscou ressignificar o ambiente, favorecendo a sensação de pertencimento e fortalecendo o vínculo dos usuários com o serviço. Ao utilizar o espaço físico como suporte para a expressão artística, reforçou-se a compreensão de que os ambientes institucionais não são neutros, mas carregados de significados, como apontam Silva (2003) e Machado (2013). Assim, a proposta foi além da estética, assumindo caráter terapêutico e comunitário, alinhado às diretrizes da Reforma Psiquiátrica. Discussão: Para Vigotski (2001), a arte não se limita a uma experiência estética, mas desencadeia uma ação psicológica e moral capaz de promover reorganização subjetiva e catarse. Essa perspectiva é reforçada por Pereira (2024), que defende a arte como ferramenta de mudança social e inclusão. Estudos citados por Clemesha (2007), destacam como ambientes hospitalares, quando pobres em estímulos, geram estranhamento, tédio ou caos cognitivo, reforçando a necessidade de intervenções que humanizem o espaço. Nesse sentido, a arte atua como estímulo perceptivo e afetivo, capaz de reduzir tensões e ampliar a vinculação terapêutica. J. de la Gândara (2014) também evidencia a relação entre prazer perceptivo, criatividade e saúde mental, ressaltando como a produção artística pode ativar circuitos cerebrais ligados ao prazer e à reorganização psíquica, especialmente em sujeitos em sofrimento. Ademais, é nítido o bem-estar vivenciado por aqueles que participam dessas sessões, a arte para pessoas em sofrimento psíquico é primordial para a garantia de qualidade de vida e para o protagonismo do sujeito no processo terapêutico, segundo Coqueiro, Vieira e Freitas (2010) a arteterapia propicia diversas mudanças nos campos afetivos, relacional e interpessoal, garantindo a melhora do equilíbrio emocional. Além disso, experiências de grafite em espaços de saúde mental, como relatado por Machado (2013), demonstram melhora no vínculo com o serviço e no engajamento terapêutico. Assim, os murais produzidos no CAPS I inserem-se em uma tradição de intervenções artísticas que revitalizam o espaço e fortalecem a dimensão comunitária, como destacam Ribeiro e Duarte (2019) ao analisar a potência transformadora da arte urbana. Conclusão: A intervenção artística possibilitou transformar o CAPS I em um espaço mais acolhedor e alinhado aos princípios do cuidado em liberdade do SUS. Compreendendo que a estética institucional implica-se em mais do que mera aparência, a prática ampliou a sensação de pertencimento, fortaleceu vínculos entre usuários, profissionais e estagiários e promoveu engajamento dos usuários com o processo terapêutico. Os resultados evidenciam que a arte, ao mesmo tempo em que humaniza o espaço físico, potencializa processos de subjetivação, autonomia e empoderamento, funcionando como estratégia de cuidado em saúde mental. Afinal, conforme descrito por Azevedo e Miranda (2011) as oficinas terapêuticas nos CAPS permitem que os usuários expressem conflitos internos e externos através de atividades artísticas, valorizando seu potencial criativo e expressivo, além de fortalecerem a autoestima, autoconfiança, integração de saberes e expressão da subjetividade. |
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| Referências: AZEVEDO, D. M.; MIRANDA, F. A. N. Oficinas terapêuticas como instrumento de reabilitação psicossocial: percepção de familiares. Escola Anna Nery, v. 22, n. 4, jun. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/KyzjNqgnCN9cFrL5dNStkRS/. CLEMESHA, M. R. Arte e Ambiente Terapêutico. Exacta. São Paulo, v. 5, n. 1, p. 57-67, jan./jun. 2007. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/exacta/article/view/1030/800. Acesso em: 08 nov. 2024. COQUEIRO, N. F. et al. Arteterapia como dispositivo terapêutico em saúde mental. Acta Paulista de Enfermagem, v. 23, n. 6, p. 859–862, 2010 J DE LA GÂNDARA, J. Neurobiologia da arte: um modelo de auto–estimulação visual criativa. Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014. Disponível em: https://ap1.sib.uc.pt/bitstream/10316.2/35958/1/6._neurobiologia_da_arte.pdf. Acesso em: 13 nov. 2024. MACHADO, A. C. O uso terapêutico de Estêncil Grafite com adolescentes na Oficina de Artes do CAPS-ad Cascavel. Revista Educação, Artes e Inclusão. UDESC - CNPq Florianópolis - SC, v. 7, n. 1, p. 41-57, 2013. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/arteinclusao/article/view/3806/2611. Acesso em: 11 abr. 2025. PEREIRA, D. L. A arte como agente de transformação social. In: V Congresso Internacional de Educação Inclusiva e V Jornada Chilena Brasileira de Educação Inclusiva, 2024, Campina Grande-PB. Anais CINTEDI, Campina Grande: Editora Realize, 2024. RIBEIRO, R.; DUARTE, C. R. Intervenção de grafite como instrumento de ressignificação do lugar. RESPONSABILIZANDO CIDADES ambiências urbanas e sentidos. Ed. FAU/UFRJ, Rio de Janeiro, 2019, p. 28-33. Disponível em: https://lasc.fau.ufrj.br/public/editor/Anais%20Ressensibilizando%20Cidades%20-%20Oficial_compressed.pdf. Acesso em: 11 abr. 2025. VIGOTSKI, L. S. (2001). Psicologia Pedagógica. Traduzido do original em russo por Paulo Bezerra. São Paulo, Martins Fontes. |
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