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| ADAPTAÇÕES CARDÍACAS AO EXERCÍCIO FÍSICO: MODIFICAÇÕES ANATÔMICAS E FISIOLÓGICAS | |
| 1CECILIA ALINE LOPES DE SOUZA, 2ANA LAURA NOGUEIRA, 3ISABELLI VITORIA CICHOCKI, 4LEONARDO ALVES DOS SANTOS, 5LAINY LEINY DE LIMA | |
| 1Discente do Curso de Medicina da UNIPAR 2Discente do Curso de Medicina da UNIPAR 3Discente do Curso de Medicina da UNIPAR 4Discente do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente do Curso de Medicina da UNIPAR |
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| Introdução: O exercício físico, quando praticado de forma regular e progressiva, desencadeia um conjunto de adaptações anatômicas e funcionais no sistema cardiovascular, especialmente no coração (La Gerche et al., 2022). Tais alterações são geralmente consideradas benéficas e esperadas em indivíduos treinados, sobretudo atletas de alto rendimento. Contudo, há limites fisiológicos e clínicos importantes que precisam ser observados para distinguir o que é uma remodelação saudável daquilo que pode configurar uma condição patológica (Kovacic e Fuster, 2022). A análise dessas transformações, sob evidências morfofuncionais e dos métodos de imagem cardíaca, permite o entendimento mais preciso do que se convencionou chamar de “coração de atleta” (La Gerche et al., 2022). Objetivo: Examinar, por meio da pesquisa bibliográfica, as adaptações anatômicas e fisiológicas cardíacas induzidas pelo exercício físico, contrastando cargas de volume e de pressão, apresentando as evidências clínicas e ecocardiográficas relacionadas a essas modificações. Desenvolvimento: A literatura reconhece que o exercício físico regular promove amplas mudanças no coração de atletas, com sua expressão máxima em esportes de resistência. Nesse contexto, destaca-se que o exercício regular promove remodelamento estrutural, funcional e elétrico do coração, muitas vezes referido como ʻcoração de atletaʼ, com os esportes de resistência intensa sendo associados ao maior grau de remodelamento cardíaco (La Gerche et al., 2022). Com isso, o autor apresenta o tamanho do impacto do exercício físico sobre o sistema cardiovascular. Segundo Boter, Neto e Junior (2020), “existe uma forte e inversa associação entre exercício físico e morbimortalidade cardiovascular, pois, um corpo que não é usado, deteriora-se com o tempo, o coração torna-se fraco e as artérias, veias e capilares passam a ter menor elasticidade”. Neste mesmo trabalho, a plasticidade cardiovascular é demonstrada nas seguintes formas: os estímulos mecânicos e metabólicos do exercício desencadeiam respostas adaptativas que ampliam a eficiência do miocárdio e promovem maior reserva funcional. Assim, natureza dessas adaptações depende, sobretudo, do tipo de exercício: os exercícios de resistência (aeróbios), como corrida ou ciclismo, geram sobrecarga de volume, ao passo que os exercícios de força (resistidos), como musculação ou levantamento de peso, impõe sobrecarga de pressão (Boter; Neto; Junior, 2020). Nesse sentido, os autores explicam que “o processo de absorção de oxigênio elevado é um fator determinante nas adaptações do sistema cardiovascular, mostrando que quanto maior o esforço imposto ao trabalho cardíaco, maiores são as respostas adaptativas desse sistema”. Para tanto, faz-se relevante a ecocardiografia como uma ferramenta de pesquisa para tais situações, assim, Pedro (2022) explica que a ecocardiografia bidimensional é o método de imagem mais utilizado para avaliação das adaptações anatômicas e funcionais relacionadas ao exercício físico nas diversas modalidades esportivas. Esse método permite a mensuração da espessura das paredes ventriculares, dos volumes intracavitários e da função sistólica e diastólica e auxiliam na compreensão dos contrastes entre atletas de diferentes modalidades. O autor ainda conclui que atletas apresentam adaptações morfológicas cardíacas diretamente relacionadas com a modalidade de treinamento realizado, ou seja, a hipertrofia concêntrica costuma ser observada em praticantes de esportes de força, enquanto a hipertrofia excêntrica, acompanhada da dilatação de cavidades e do aumento do volume sistólico, tende a ocorrer em atletas de resistência. Contudo, nem todas as alterações cardíacas observadas em atletas devem ser consideradas benignas. De acordo com Kovacic e Fuster (2022), embora o exercício físico seja amplamente benéfico, é necessário reconhecer que, em alguns indivíduos, adaptações cardíacas podem evoluir para alterações estruturais potencialmente patológicas, como fibrose miocárdica, especialmente em casos de treinamento excessivo e crônico. Diferenciar entre remodelamento atlético saudável e remodelamento do ventrículo direito pró-arrítmico é relevante ao se considerar a possibilidade de cicatriz miocárdica e sua associação com arritmias. Desta forma, os limites do remodelamento atlético permanecem indefinidos (La Gerche et al., 2022), o que reforça a necessidade de acompanhamento individualizado, com análise da história clínica, avaliação genética e exame físico, somado à análise de imagem. Conclusão: Diante do exposto, compreende-se que o exercício físico induz remodelação cardíaca previsível e, em regra, benéfica, com predominância de sobrecarga de volume e hipertrofia excêntrica nas modalidades de resistência e de sobrecarga de pressão e hipertrofia concêntrica nos exercícios de força. A magnitude e a direção das adaptações dependem do tipo de estímulo, da intensidade, do volume e do tempo de exposição. Para tal, utiliza-se ecocardiografia bidimensional para apresentar essas respostas e auxiliar no diagnóstico diferencial entre adaptação fisiológica. Persistem, entretanto, controvérsias e limites mal definidos, especialmente no trato do ventrículo direito e de sinais de fibrose discreta, fazendo-se necessária a avaliação individualizada do atleta. Dessa forma, a remodelação cardíaca induzida pelo exercício pode tanto refletir um estado de saúde cardiovascular saudável, quanto ocultar padrões de risco. |
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| Referências: BOTER, Diogo Fernando; NETO, Luiz Pecoli; JUNIOR, Ademir Testa. Adaptações cardiovasculares subsequententes aos exercícios físicos aeróbios ou resistidos. Revista MotriSaúde, v. 2, n. 1, 2020. KOVACIC, Jason C.; FUSTER, Valentin. Exercise, cardiovascular disease, and the athleteʼs heart. Journal of the American College of Cardiology, v. 80, n. 11, p. 1088-1090, 2022. LA GERCHE, Andre et al. The athleteʼs heart-challenges and controversies: JACC focus seminar 4/4. Journal of the American College of Cardiology, v. 80, n. 14, p. 1346-1362, 2022. PEDRO, Régis Luz et al. Análise do impacto do treinamento aeróbico de resistência versus anaeróbico de força na fisiologia e morfologia cardíaca de atletas de alto rendimento através da ecocardiografia com speckle tracking. 2022. Dissertação de Mestrado. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. |
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