SÍNDROME DE EHLERS-DANLOS TIPO IV  
1GABRIELLE DE OLIVEIRA MENDES, 2ANNA HELOISA DE SOUZA CICUTO, 3LÍVIA LUNELLI DAL MOLIN, 4ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI
1Acadêmica do curso de medicina da Unicesumar
2Acadêmica do curso de medicina da Unicesumar
3Acadêmica do curso de medicina da Unicesumar
4Docente Dr do curso de medicina da Unicesumar
Introdução: A Síndrome de Ehlers-Danlos tipo IV (EDS tipo IV), também chamada forma vascular, representa de 5 a 10% dos casos de EDS, cuja prevalência global estimada varia entre 1/10.000 e 1/15.000 (Germain, 2007; Miklovic; Sieg, 2023). De acordo com Asanad et al., (2022) a síndrome trata-se de uma condição hereditária autossômica dominante ocasionada por mutações no gene COL3A1, o qual faz a codificação do procolágeno tipo III. Em específico, a síndrome Ehler Danlos tipo IV, tipo vascular é individualizada por acometer características faciais (acrogeria), tecidos finos e frágeis, com vasos subcutâneos visíveis no tronco e lombar, aneurismas, hematomas fáceis e rupturas arteriais, sobretudo em artérias de grande e médio porte, digestivas, uterinas, que na generalidade não são observados nos outros tipos de EDS.
Objetivo: Foi realizada uma revisão de literatura com busca de trabalhos na plataforma PubMed com palavras “Ehler Danlos Tipo IV” e “gene COL3A1” e foram selecionados 5 trabalhos para discussão.
Desenvolvimento: A forma vascular da síndrome de Ehlers-Danlos é, na maioria dos casos, causada por mutações patogênicas heterozigotas no gene COL3A1. Aproximadamente dois terços dessas mutações resultam na substituição de resíduos de glicina dentro das repetições típicas (Gly-Xaa-Yaa) do domínio helicoidal triplo (Asanad et al., 2022). Um número menor de casos, envolve pequenas deleções ou inserções in-frame. Essas mutações exercem um efeito dominante negativo, pois mesmo que apenas metade das cadeias pro-α1(III) seja defeituosa, cerca de 87,5% dos homotrímeros formados tornam-se anormais. Algumas variantes, como substituições de glicina nas regiões canônicas da tripla hélice ou mutações que eliminam o éxon terminal carboxila, provocam quase total bloqueio da secreção do procolágeno tipo III pelos fibroblastos. Isso resulta no acúmulo intracelular de colágeno tipo III no retículo endoplasmático rugoso (RER) (Malfait et al., 2020). Como consequência, entre os sintomas, já citados anteriormente, estão: a acrogeria, a qual é caracterizada por traços faciais distintivos, como rosto emagrecido, maçãs do rosto salientes, nariz comprido e fino, assim como os lábios, bochechas encovadas e olhos proeminentes, essa aparente proptose pode ser acompanhada por vários sinais oculares, que incluem lagoftalmo, hiperemia conjuntival, telangiectasias ao longo da margem palpebral e quemose; a ocorrência de aneurismas preexistentes, sua progressão e o aparecimento de novos aneurismas, correm risco de ruptura espontânea, requerendo reparo emergencial; a fragilidade tecidual da EDS, que pode levar à ruptura prematura arterial, intestinal ou uterina, embora, todas as regiões anatômicas possam ser acometidas, há uma predileção por artérias de grande e médio calibre, regularmente, afeta as ramificações proximais do arco aórtico, bem como a aorta torácica descendente e a aorta abdominal, adicionalmente, os ramos mais distais da aorta, as artérias renal, mesentérica, ilíaca e femoral, são mais suscetíveis (Germain, 2007). A maioria das perfurações intestinais ocorre no cólon sigmóide, mas o intestino delgado pode ocasionalmente ser afetado. Rupturas espontâneas do baço e do fígado também foram observadas. Ademais, quando se trata de ruptura prematura uterina o risco é elevado durante o trabalho de parto, parto e período pós-parto imediato. Estima-se que até os 40 anos, 80% dos portadores terão pelo menos uma complicação (Germain, 2007; Chu et al., 2012; Asanad et al., 2022). O tratamento e o manejo dos pacientes devem se caracterizar multidisciplinarmente, com foco na prevenção da progressão da doença e suas complicações, uma vez que não há cura. O reparo das feridas frequentes, deve ser meticuloso, incluindo o uso de fechamentos profundos, mantendo a suturas mais tempo que o comum. Quanto à hipermobilidade, para evitar luxações, é necessário focar no aconselhamento rigoroso ao paciente quanto à limitação de atividades de risco, como esportes de contato ou levantamento de peso. O monitoramento cardíaco, se faz essencial, visto à fragilidade dos vasos, para evitar as complicações de ruptura e insuficiência cardíaca congestiva (Miklovic; Sieg, 2023).
Conclusão: Conclui-se que a Síndrome de Ehlers-Danlos tipo IV, decorrente de mutações heterozigotas no gene COL3A1, representa uma condição de alta complexidade clínica devido à fragilidade dos tecidos e elevado risco de eventos vasculares graves. Embora não exista cura, o manejo precoce e multidisciplinar é essencial para a prevenção de complicações e melhora da qualidade de vida dos pacientes.
Referências:
ASANAD, S. et al. Ehlers-Danlos syndromes and their manifestations in the visual system. Frontiers in Medicine. Setember 26, 2022. Front. Med. 9:996458. doi: 10.3389/fmed.2022.996458.
CHU, L. et al. Vascular Complications of Ehlers-Danlos Syndrome: CT Findings. American Journal of Roentgenology. November 23, 2012
November 23, 2012. https://doi.org/10.2214/AJR.11.6603.
GERMAIN, D.P. Ehlers-Danlos syndrome type IV. Orphanet J Rare Dis. Jul 19;2:32, 2007. doi: 10.1186/1750-1172-2-32. PMID: 17640391; PMCID: PMC1971255.
MALFAIT, F. et al. The Ehlers–Danlos syndromes. Nat Rev Dis Primers 6, 64, 2020. https://doi.org/10.1038/s41572-020-0194-9
MIKLOVIC, T; SIEG, V. Ehlers-Danlos Syndrome. StatPearls. May 29, 2023. ID: NBK549814PMID: 31747221.