TENDÊNCIA DAS TAXAS DE MORBIDADE HOSPITALAR POR TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS NO PERÍODO DE 2009 A 2024 NO ESTADO DO PARANÁ  
1GABRIELA DUTRA RODRIGUES, 2MARIA LUÍZA GUERRINI FRANCISCO, 3KATIA BIAGIO FONTES
1Acadêmico do Curso de Enfermagem PIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: Os transtornos mentais e comportamentais comprometem a capacidade cognitiva, as emoções e os comportamentos do indivíduo, manifestando-se em diferentes quadros clínicos que afetam pessoas de todas as idades, sexos e condições socioeconômicas (Araripe et al., 2023). Tais distúrbios exercem impacto direto na saúde e na qualidade de vida. Nesse contexto, o presente estudo analisa a evolução das internações psiquiátricas no Paraná, entre 2009 e 2024, considerando as transformações promovidas pela Rede de Atenção Psicossocial.
Objetivo: Analisar a evolução da taxa de morbidade hospitalar por tipo de Transtorno Mental e Comportamental no estado do Paraná, durante o período de 2009 a 2024.
Materiais e Métodos:  Estudo ecológico de série temporal utilizando-se dados demográficos e de morbidade hospitalar disponíveis na página da internet do Departamento de Informática do SUS (DATASUS).  Foram calculadas taxas de morbidade hospitalar por tipos de transtornos mentais e comportamentais, segundo a média de internamentos e da população nos 4 quadriênios (2009-2012; 2013-2016; 2017-2020; 2021-2024) e calculado o percentual de variação.
Resultados: Os resultados evidenciaram uma redução geral das internações por transtornos mentais no Paraná, cuja taxa passou de 46,54/100.000 habitantes no período de 2009-2012 para 29,59/100.000 em 2021-2024, representando uma queda de 70,41%. Ao analisar por sexo, verificou-se que entre os homens a taxa reduziu de 66,07 para 39,00/100.000 (-61%), enquanto entre as mulheres houve uma diminuição ainda mais expressiva, de 27,66 para 16,80/100.000 (-83,20%).  Destaca-se que os transtornos relacionados ao uso de álcool mantiveram as maiores taxas no sexo masculino, embora tenham reduzido de 233,91 para 93,50/100.000. No sexo feminino, os transtornos de humor (afetivos) foram os mais frequentes, apresentando queda de 10,46 para 5,43/100.000. A esquizofrenia e transtornos correlatos mantiveram taxas elevadas entre os homens (187,63 para 124,54/100.000), ao passo que entre as mulheres a redução foi mais significativa (10,45 para 5,55/100.000).  Ressalta-se ainda que, diferentemente das demais categorias, o uso de outras substâncias psicoativas entre mulheres apresentou discreta elevação, variando de 2,80 para 3,31/100.000. Discussão: Os resultados deste estudo evidenciaram redução significativa das internações psiquiátricas no Paraná entre 2009 e 2024, embora os transtornos relacionados ao uso de álcool permaneçam como principal causa entre os homens. Galduroz e Caetano (2004), destacaram que no período de 1988 a 1999 o álcool foi responsável por cerca de 90% das internações por dependências mostrando que, apesar da queda, o problema segue relevante. De forma semelhante, Rocha et al. (2021) identificou os transtornos por uso de substâncias psicoativas como principal diagnóstico de internação, seguidos por esquizofrenia e transtornos de humor, padrão também observado nesta análise. Já Simas et al. (2025) destacaram maior prevalência de internações entre homens, o que se confirma no presente estudo, reforçando a influência de fatores sociais e de gênero no perfil epidemiológico.  Em síntese, a redução geral das internações evidencia avanços na assistência em saúde mental, mas o impacto persistente do álcool, da esquizofrenia e do uso de outras substâncias reforça a necessidade de estratégias específicas de prevenção, acompanhamento e tratamento especializado.
Conclusão: O estudo evidenciou redução geral das internações por transtornos mentais no Paraná entre 2009 e 2024, indicando avanços na reorganização da assistência em saúde mental e na implementação de estratégias comunitárias. Entretanto, a persistência de altas taxas de internação relacionadas ao uso de álcool e à esquizofrenia, especialmente entre homens, assim como a elevação discreta do uso de outras substâncias psicoativas entre mulheres, reforça a necessidade de políticas públicas direcionadas, com enfoque em prevenção, acompanhamento contínuo e tratamento especializado.
Referências:
ROCHA, K. B. et al. Internações psiquiátricas pelo Sistema Único de Saúde no Brasil ocorridas entre 2000 e 2014. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 14, 2021. DOI: https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2021055002155.
GALDUROZ, J. C. F.; CAETANO, R. Epidemiologia do uso do álcool no Brasil. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 26, supl. I, p. 3-6, 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/hpPKpzj6VNZ9pNVdqX3J5pF/?format=pdf&lang=pt.
SIMAS, R. et al. Internações hospitalares por esquizofrenia no Brasil: estudo do perfil e tendência temporal entre 2010 e 2023. Revista de Epidemiologia e Saúde Pública – RESP, p. 82-97, 2025. Disponível em: https://respcientifica.com.br/index.php/resp/article/view/164/89.
ARARIPE, M. C. et al. Mortalidade e incidência por transtorno mental e comportamental: revisão sistemática. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 4, n. 3, p. 86-100, 2023. DOI: https://doi.org/10.51161/integrar/rems/3881.