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| TRANSPLANTES HEPÁTICOS NA PANDEMIA DO COVID-19: RECOMENDAÇÕES DE CONDUTAS NO PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO | |
| 1JOÃO FELIPE ZAFANELLI DORIA PADILHA, 2LÍVIA ESTEVES BORTOLATO, 3MARCELL FLORES JUNIOR, 4MARIANA MASSUIA MENDES VALERIANO, 5MARIANA VITORIA GASPERIN | |
| 1Académico do curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, é uma infecção respiratória reconhecida pela OMS como pandemia global em 2020. Seus sintomas variam de leves a graves, podendo evoluir para insuficiência respiratória e óbito. O impacto foi profundo em diversos setores da saúde, incluindo os programas de transplantes de órgãos. Apesar do controle atual, as repercussões ainda persistem. Durante o pico da pandemia, 14 dos 17 centros de transplante em 12 países suspenderam ou reduziram suas atividades, priorizando medidas de contenção. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEPATOLOGIA, 2020). Neste contexto, serão apresentadas recomendações pré e pós-operatórias adotadas por profissionais de saúde, ainda vigentes, com o objetivo de aprimorar a conduta cirúrgica. Objetivo: Apresentar as principais recomendações adotadas durante a pandemia da COVID-19 para transplantes hepáticos, abrangendo as fases pré e pós-operatória de doadores, receptores e pacientes transplantados. Desenvolvimento: A pandemia gerou preocupações quanto à segurança de todos os envolvidos nos transplantes hepáticos, exigindo protocolos rigorosos que ainda influenciam a prática atual. A escassez de conhecimento inicial sobre o SARS-CoV-2 levou a rápidas adaptações, afetando diretamente a captação de órgãos. Entre fevereiro de 2020 e dezembro de 2023, um estudo acompanhou 542 pacientes transplantados de fígado, dos quais 281 foram diagnosticados com COVID-19, totalizando 307 episódios. (Fernández Fernández, Clara et al., 2025). Como medida preventiva, doadores e receptores passaram a ser submetidos à triagem rigorosa, incluindo testes rRT-PCR em dois dias consecutivos, com intervalo mínimo de 24 horas. Mesmo com resultados negativos, não se descarta totalmente a infecção. (Sharma, A. et al., 2020). Complementarmente, recomendava-se radiografia de tórax e quarentena de 14 dias para doadores vivos de áreas endêmicas. A indicação de transplantes foi restrita a casos de urgência, conforme critérios da AASLD: insuficiência hepática aguda, cirrose complicada, doenças hepáticas metabólicas e complicações sistêmicas de hepatopatia crônica. (Mohamed, Sherief et al., 2020). Para candidatos ao transplante, recomendava-se transporte próprio, com apenas um acompanhante, e priorização de enxertos com baixo risco de disfunção tardia, visando reduzir complicações e tempo de internação. (Sharma, A. et al., 2020). As equipes cirúrgicas também se adaptaram: testagem obrigatória, uso de máscaras N95/FFP2, face shields, roupas impermeáveis e luvas duplas. (Jessop, et al., 2020). As cirurgias passaram a ocorrer em salas com pressão negativa e alta renovação de ar (HEPA, >25 trocas/hora), com número reduzido de profissionais, especialmente em intubação/extubação, e intervalo mínimo de uma hora entre procedimentos para descontaminação. (Somashekhar, et al., 2020). Tais medidas foram essenciais para garantir segurança e demonstraram a resiliência das equipes diante do cenário pandêmico. No pós-operatório, adotaram-se estratégias para reduzir exposição e otimizar o acompanhamento: uso de telemedicina, exames laboratoriais locais e monitoramento dos níveis de imunossupressores. Reforçou-se a vacinação contra Streptococcus pneumoniae e influenza, essenciais à proteção imunológica. (Boettler, et al., 2020). Estudos internacionais evidenciam riscos associados à infecção por COVID-19 no pós-operatório. Em uma amostra de 614 casos, 48 foram diagnosticados com infecção precoce, sendo 14 agudos e 34 eletivos. A infecção esteve associada a maior risco de trombose da artéria hepática e aumento da mortalidade precoce. Modelos de regressão indicam que o status positivo para COVID-19 pode dobrar o risco de óbito pós-operatório. (Moradi, et al., 2023). Conclusão: A pandemia exigiu adaptações profundas nos transplantes hepáticos, desde a triagem até o acompanhamento remoto. As medidas adotadas foram eficazes na proteção de pacientes e equipes, e os dados reforçam o risco elevado da infecção por SARS-CoV-2 no pós-transplante. Mais que uma crise, o período trouxe aprendizados que seguem influenciando a prática médica. Para o futuro, é essencial manter protocolos seguros, vigilância constante e capacidade de adaptação, assegurando qualidade assistencial diante de novos desafios. |
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| Referências: BOETTLER, T. et al. Care of patients with liver disease during the COVID-19 pandemic: EASL-ESCMID position paper. JHEP Reports, v.2,n.3,p.100113,jun.2020. NIRIELLA, M. A. et al. Challenges for liver transplantation during recovery from the COVID-19 pandemic: insights and recommendations. In: Transplantation proceedings. Elsevier, 2020. p. 2601-2606. SHARMA, A. et al. Challenges for liver transplantation during recovery from the COVID-19 pandemic: insights and recommendations. Transplantation Proceedings, v. 52, n. 9, p. 2601–2606, nov. 2020. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0 JESSOP, Z. M. et al. Equipamentos de proteção individual para cirurgiões durante a pandemia de COVID-19: revisão sistemática de disponibilidade, uso e racionamento. British Journal of Surgery, v. 107, n. 10, p. 1262–1280, 24 ago. 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7273 SOMASHEKHAR, S. P. et al. Adaptações e modificações de segurança para realizar cirurgia segura de acesso mínimo (cirurgia minimamente invasiva: laparoscopia e robótica) durante a pandemia de COVID-19. Surgical Innovation, [S.l.],v.28,n.1,p. 1–9, out. 2020. MOHAMED, Sherief et al. Liver transplantation in the era of COVID-19. Arab Journal of Gastroenterology, Amsterdam, v. 21, n. 2, p. 69–75, jun. 2020. FERNÁNDEZ FERNÁNDEZ, Clara et al. O impacto e a evolução do COVID-19 em receptores de transplante de fígado ao longo da pandemia "ondas" em um único centro. Viruses, Basel, v. 17, n. 2, p. 273, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/1999-4915/17/2/273. SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEPATOLOGIA. Nota técnica da SBH sobre o manejo do transplante de fígado em adultos na pandemia COVID-19. São Paulo: SBH, dez. 2020. MORADI, Alimohammad et al. Does COVID-19 infection significantly affect liver transplantation? Results of liver transplantation in the COVID-19 era at a single, high-volume centre. BMJ Open Gastroenterology, London, v. 10, n. 1, e001084, 2023. |
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