A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO NA ABORDAGEM FAMILIAR DE POTENCIAIS DOADORES DE ÓRGÃOS  
1ANA LAURA FERNANDES DOS SANTOS, 2LARISSA DA COSTA MIRANDA, 3GABRIELA FAVERO ESPOLADOR
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: O Brasil ultrapassa recordes de transplantes realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024, com registro de mais de 30 mil procedimentos (Brasil, 2025). O Paraná é o estado que lidera as doações de órgãos, com 42,3 doadores por milhão de população (pmp) em 2024. Os indicadores de órgãos efetivamente transplantados foram 36 pmp, contra 17,5 pmp da média nacional (SESA-PR, 2025). A Enfermagem é fundamental no processo de doação de órgãos, centraliza a humanização no momento do acolhimento aos familiares e no momento de luto delicado e complexo (Fontenele et al., 2023). A assistência de Enfermagem de qualidade é o elemento chave durante o acompanhamento e a abordagem ao familiar no processo da doação de órgãos, transita entre cada uma das etapas e aprimora a gestão que garante o cuidado humanizado ao familiar e o planejamento assertivo para um processo ideal de doação e transplante de órgãos (Saraiva et al., 2025).
Objetivo: Analisar a importância do enfermeiro durante a abordagem familiar de potenciais doadores de órgãos a partir de dados bibliográficos.
Desenvolvimento: O estudo foi realizado por meio de uma revisão integrativa nos bancos de dados: Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), PubMed e Google Acadêmico, para complementar e credibilizar o estudo, realizou-se buscas na associação com ênfase em pesquisas de Transplantes e Doação de Órgãos no Brasil - Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), na plataforma do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná (SEST/PR), a partir de dados da Organização de Procura de Órgãos (OPO) e Comissão Intra-hospitalar (CIHDOTT). O protocolo de doação de órgãos no Brasil é regido por normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde (MS) e coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que regulamenta todas as etapas que envolvem o processo de doação de órgãos. O processo se inicia com a identificação de um potencial doador, geralmente um paciente com diagnóstico de morte encefálica em unidades de terapia intensiva (UTIs), por meio da equipe médica. O diagnóstico deve ser confirmado por critérios clínicos e exames complementares, já pré-estabelecidos pela OPO por meio de um fluxograma (SEST/PR). Após essa confirmação, é necessário realizar uma notificação obrigatória à Central de Transplantes, que coordena a sequência de ações visando uma possível doação. Nesse cenário, o enfermeiro assume um papel crucial e multidimensional, participando da identificação precoce do potencial doador, monitora os parâmetros clínicos para manutenção dos órgãos viáveis, realiza registros adequados e sobretudo, oferece suporte humanizado aos familiares (Saraiva et al., 2025). Um dos momentos mais sensíveis e de suma importância de todo esse processo é a entrevista familiar, pois, essa etapa é obrigatória e determinante para a autorização da doação. Mesmo após a confirmação da morte encefálica, a doação só poderá ocorrer mediante consentimento familiar (Fontenele et al., 2023), conforme determina a Lei Nº 9.434 de 4 de Fevereiro de 1997. A entrevista com os familiares é realizada por um profissional enfermeiro devidamente capacitado, ocorrendo em um ambiente reservado, acolhedor e respeitoso. O enfermeiro deve usar uma comunicação clara, empática e honesta, explicando todo o processo que levou ao diagnóstico de morte encefálica cuja a irreversibilidade já foi confirmada, todo o conceito de doação de órgãos, enfatizando como esse ato pode beneficiar diversas vidas, podendo a família também ressignificar a partida do paciente, oferecendo todo suporte psicológico e esclarecendo quaisquer dúvidas, sem utilizar de persuasão sobre a decisão que é única e exclusivamente da família do paciente. Os resultados bibliográficos em geral mostraram que compreender os fatores psicossociais que afetam as decisões emocionais dos familiares, agrega o enfermeiro em conjunto a sua equipe no intuito de prevenir o transtorno de estresse pós-traumático e o luto complicado (Saraiva et al., 2025). A comunicação assertiva e explicações do processo adequado, auxiliam aos familiares envolvidos a entender o benefício do processo de doação e transplante de órgãos e dizer a equipe o tão esperado sim.
Conclusão: O processo de doação de órgãos exige atuação essencial e indispensável do enfermeiro, especialmente na comunicação clara, assertiva e empática com os familiares em todas as etapas. A ética, o respeito e o cuidado humanizado ajudam os familiares a tomarem decisões conscientes. Informações corretas facilitam a compreensão sobre o estado crítico do paciente, contribuindo para a aceitação da morte e a possível decisão pela doação.
 
Referências:
BRASIL. Lei n. 9.434, de 4 de fevereiro de 1997. Dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 135, n. 25, p. 1, 5 fev. 1997.
BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil bate recorde de transplantes e anuncia medidas para modernizar sistema e aumentar doações. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/junho/brasil-bate-recorde-de-transplantes-e-anuncia-medidas-para-modernizar-sistema-e-aumentar-doacoes. Acesso em: 7 jul. 2025.
FONTENELE, R. M. et al. Doar ou não doar: significados da negação familiar para a doação de órgãos e tecidos. Revista de Enfermagem da UFPI, Teresina, v. 12, n. 1, e3613, 2023. DOI: https://doi.org/10.26694/reufpi.v12i1.3613.
PARANÁ. Secretaria de Estado da Saúde. Dois anos seguidos: relatório confirma Paraná como líder nacional em doação de órgãos. Curitiba, PR: Secretaria de Estado da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.parana.pr.gov.br/aen/Noticia/Dois-anos-seguidos-relatorio-confirma-Parana-como-lider-nacional-em-doacao-de-orgaos. Acesso em: 7 jul. 2025.
PARANÁ. Sistema Estadual de Transplantes. Protocolo para diagnóstico de Morte Encefálica 2023. Curitiba, PR: Sistema Estadual de Transplantes, 2023. Disponível em: https://www.paranatransplantes.pr.gov.br/Pagina/Protocolo-para-diagnostico-de-Morte-Encefalica. Acesso em: 4 set. 2025.
SARAIVA, A. M. et al. Abordagem do enfermeiro para doação de órgãos. Cuadernos de Educación y Desarrollo, [S. l.], v. 17, n. 1, p. e7305, 2025. DOI: 10.55905/cuadv17n1-128. Disponível em: https://ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/7305. Acesso em: 8 set. 2025.