ESTRESSE ACADÊMICO E CRONODISRUPÇÃO: EFEITOS COMBINADOS NA PRODUÇÃO DE CORTISOL E ADIPOGÊNESE
1GIULIANA FERNANDES MILITÃO, 2LETÍCIA OLIVEIRA DE QUEVEDO, 3MARIA EDUARDA DE OLIVEIRA VACCARI, 4ISADORA MARTINS PIFFER, 5LUCIANO SERAPHIM GASQUES
1Acadêmica do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do PIC/ UNIPAR
3Acadêmica do PIC/UNIPAR
4Acadêmica do PIC/UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A cronobiologia investiga os ritmos biológicos, entre eles, o ritmo circadiano ( 24 horas), que regula processos metabólicos e a adipogênese (Cedernaes et al., 2019). O estresse acadêmico pode causar cronodisrupção, ou seja, a dessincronização do relógio biológico com o ambiente (Liu, 2016). Esta questão está frequentemente associada à má qualidade do sono e a alterações metabólicas, como aumento de gordura corporal, resistência à insulina e desequilíbrios hormonais relacionados ao apetite (Kahleova et al., 2019; Poggiogalle; Jamshed; Peterson, 2018; Reinke; Asher, 2020). Além disso, o estresse ativa o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (EHPA), elevando os níveis de cortisol, hormônio que estimula a adipogênese, a produção de glicose e contribui para a resistência à insulina (Reinke; Asher, 2020; Zuardi, 2010). Esse processo é agravado pela inflamação do tecido adiposo, que também pode produzir cortisol, perpetuando o acúmulo de gordura (Pereira, 2018).
Objetivo: Investigar a relação entre estresse acadêmico, cronodisrupção e seus efeitos combinados na adipogênese, com ênfase na produção de cortisol.
Desenvolvimento: O sistema circadiano é um mecanismo hierárquico, composto por um relógio mestre no núcleo supraquiasmático e relógios periféricos em diversos tecidos (Challet, 2019). Esses relógios são sincronizados por sinais ambientais, como o ciclo de luz e escuridão, e por fatores comportamentais, como o horário das refeições e a atividade física (Ahluwalia, 2022). A interação entre esses relógios é crucial, já que os genes circadianos (clock genes) controlam a expressão de outros genes, muitos deles diretamente ligados ao metabolismo energético (Cedernaes et al., 2019). O estresse acadêmico, com suas noites de estudo e horários irregulares, atua como um potente disruptor. Ele não apenas compromete a qualidade e a duração do sono, mas também altera o EHPA, resultando na liberação elevada de cortisol (Reinke; Asher, 2020). O cortisol, embora um hormônio secretado no normalmente no ciclo cirdadiano,tem seus níveis elevados por meio da submissão ao estresse crônico, influenciando diretamente o metabolismo. O excesso de cortisol, impulsionado pelo estresse acadêmico e pela cronodisrupção, intensifica a adipogênese. Níveis cronicamente altos desse hormônio estimulam a proliferação e a diferenciação de adipócitos, as células de gordura, promovendo o acúmulo de gordura corporal. Além disso, o cortisol gera resistência à insulina, aumentando os níveis glicêmicos e, prejudicando ainda mais a saúde metabólica (Zuardi, 2010). Esse ciclo é exacerbado pela inflamação, já que o tecido adiposo, pode produzir seu próprio cortisol, criando um ciclo vicioso que favorece a acumulação de gordura (Pereira, 2018).
Conclusão: O estresse acadêmico e a cronodisrupção — a dessincronização do ritmo circadiano causada por noites mal dormidas, são fatores que desequilibram o metabolismo e contribuem para o ganho de peso e o risco de doenças metabólicas. A ativação do EHPA eleva os níveis de cortisol, o que favorece a adipogênese e a resistência à insulina. Esse ciclo de acúmulo de gordura é agravado pela inflamação e torna a cronodisrupção um fator de risco relevante para obesidade e diabetes.
Referências:
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