AROMATERAPIA NA SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DO TABACO  
1GABRIEL AUGUSTO RODRIGUES BEIRÃO, 2FABIANA PEREIRA ALVES DA SILVA, 3FLAVIO ANTONIO ZOLIN JUNIOR, 4KENNY TSUYOSHI SAKANE, 5MARIA GRACIELA IECHER FARIA NUNES, 6ZILDA CRISTIANI GAZIM
1Acadêmico bolsista CNPq chamada nº 69/2022 e pós-graduação em Biotecnologia Aplicada à Agricultura da UNIPAR
2Acadêmico bolsista CNPq chamada nº 69/2022 e pós-graduação em Biotecnologia Aplicada à Agricultura da UNIPAR
3Acadêmico do Programa de Pós-Graduação Em Biotecnologia Aplicada à Agrigultura da UNIPAR
4Acadêmico do Programa de Pós-Graduação Em Ciência Animal com Enfâse em Produtos Bioativos da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: O abuso de substâncias é um problema de saúde pública global. No Brasil, estima-se que 11,7 milhões de pessoas são etílicas (Lenad II, 2012), e 1,2 milhões possuem dependência em cocaína e/ou crack (Lenad III, 2023). Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2019 aproximadamente 400 milhões de pessoas desenvolveram transtornos por uso de álcool e drogas (OMS, 2024), enquanto o UNODC (2021) indica 39,5 milhões com transtorno por uso de drogas, e apenas 20% desse total recebeu tratamento. A luta contra o tabaco não é recente. Em 2003 foi assinado um tratado na Convenção-Quadro da OMS (Artigo 14) comprometendo os países a reduzirem a demanda por tabaco. Apesar disso, no levantamento da Organização Mundial da Saúde, em 2019, cerca de 13% da população adulta brasileira eram tabagistas ativos (OMS, 2019). No Brasil, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), instituída pela Portaria GM/MS nº 3.088/2011, do Sistema Único de Saúde, oferece práticas integrativas e complementares em saúde, que incluem aromaterapia. 
Objetivo: Realizar um breve levantamento sobre o potencial do uso de óleos essenciais para tratamento coadjuvante na síndrome de abstinência do tabaco. 
Desenvolvimento: A dependência de nicotina pode causar muitos sintomas, como insônia, constipação, ansiedade, inquietação, irritabilidade, tristeza (Rosemberg, 2004). As opções terapêuticas para os transtornos de dependências variam desde grupos de apoio, orientações particulares, tratamento medicamentoso e terapias integrativas. Apesar disso, é um desafio às organizações de saúde padronizar um tratamento, devido à variedade de substâncias psicoativas disponíveis, somado a características individuais de resposta. Usuários de crack tendem a apresentar sintomatologia ansiosa após o uso da droga, devido ao seu mecanismo de ação, e a falta da droga no organismo causa angústia e desejo para obter a sensação novamente (craving) (Chaves Neto et al., 2017, apud Formigoni, 2014). Para tratar essa ansiedade é comumente prescrito múltiplas medicações, incluindo barbitúricos, carbamatos, noradrenérgicos, anti-histamínicos, ácido glutâmico e buspirona. Devido a ampla gama de opções medicamentosas, muitos são os efeitos adversos, há também o risco de novas dependências e não é possível estabelecer um padrão (Braga, 2011). Neste sentido, Chaves Neto et al. (2017) investigou o efeito do óleo essencial (OE) de Citrus aurantium L. em usuários de crack, e constatou diminuição da ansiedade. Cordel e Buckle (2013) investigou o uso dos OE de Piper nigrum e Angelica archangelica em colaboradores de uma universidade, e foi observado uma melhora nos sintomas causados pela abstinência de nicotina em ambos os óleos essenciais utilizados. O craving, foi reduzido de forma mais intensa com a inalação o OE de P. nigrum, enquanto isso, a inalação do OE de A. archangelica aumentou o tempo entre a necessidade de redose. O uso da pimenta foi observado também em um relato de um indivíduo privado de liberdade. Ele afirmou ter aprendido com outros detentos a utilizar cigarros artesanais de pimenta-do-reino para aliviar os sintomas de abstinência do tabaco. O uso foi de no máximo 4 unidades-dia, observando melhora dos sintomas de craving (Wellef et al., 2022). Rose e Behm (1994) investigaram o uso do OE da pimenta do reino em dispositivos tipo cigarro. Foi avaliado a amostra (OE de P. nigrum), um controle (mentol) e um controle negativo. Foi observado que o grupo amostra teve estímulos sensoriais de ʻfumarʼ, reduzindo o craving e ansiedade de abstinência. 
Conclusão: O tratamento dos dependentes de substância emprega a necessidade de tratar o vício em si e também os sintomas do vício, como ansiedade, craving, insônia. O uso de óleos essenciais na aromaterapia pode ser utilizado como tratamento coadjuvante, para redução dos sintomas do vício. Entre o levantamento realizado, o óleo essencial de Piper nigrum é relatado em contextos variados, e apresentando efeitos positivos.
Referências:
BRAGA, J. E. F. Ensaios farmacológicos clínicos com o extrato das raízes do Panax ginseng C. A. Meyer no controle da ansiedade. 2013. Tese (Doutorado em Farmacologia) - Universidade Federal do Paraíba, João Pessoa, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html. Acesso em: 25 ago. 2025.
CHAVES NETO, G. et al. Anxiolytic effect of Citrus aurantium L. in crack users. Evid Based Complement Alternat Med, New York, v. 2017, n. 1, p. 7217619, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1155/2017/7217619. Acesso em: 25 ago. 2025.
CORDELL, G.; BUCKLE, J. The effects of aromatherapy in nicotine craving on a U.S. campus: a small comparison study. J Alternat Complemt Med, New York, v. 19, n. 8, p. 709-713, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1089/acm.2012.0537. Acesso em: 25 ago. 2025.
FORMIGONI, M. L. O. S. SUPERA: Sistema para detecção do uso abusivo e dependência de substâncias psicoativas: encaminhamento, intervenção breve, reinserção social e acompanhamento. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo; Universidade Virtual do Estado de São Paulo; Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2018.
IBGE. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
LENAD II, Levantamento Nacional de Álcool e Drogas: Consumo de Álcool no Brasil: Tendências entre 2006/2012. In: INSTITUTO NACIONAL DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA PARA POLÍTICAS PÚBLICAS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS. São Paulo: INPAD, 2014. Disponível em: https://inpad.org.br/wp-content/uploads/2014/03/Lenad-II-Relat%C3%B3rio.pdf. Acesso em: 25 ago. 2025.
LENAD III, Levantamento Nacional de Álcool e Drogas: Resultados Preliminares. In: INSTITUTO NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA POLÍTICAS PÚBLICAS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS. São Paulo: INPAD, 2023. Disponível em: https://inpad.org.br/lenad-iii. Acesso em: 25 ago. 2025.
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ROSE, J. E.; BEHM, F. M. Inhalation of vapor from black pepper extract reduces smoking withdrawal symptoms. Drug and Alcohol Dependence, New York, v. 34, n. 3, p. 225-229, 1994. Disponível em: https://doi.org/10.1016/0376-8716(94)90160-0. Acesso em: 25 ago. 2025.
ROSEMBERG, J. Nicotina: droga universal. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Câncer, 2004. Disponível em: https://www.santoandre.sp.gov.br/biblioteca/pesquisa/con_detalhe.asp?ID=147582. Acesso em: 25 ago. 2025.
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