HIERARQUIA DAS NECESSIDADES DE MASLOW PARA MICROEMPREENDEDORES INDIVIDUAIS E MICROEMPRESAS
1RAFAEL FERNANDES DE MEDEIROS, 2PEDRO LACHOVICZ NETO
1Aluno do curso de administração da Universidade Paranaense - campus Cascavel.
2Docente da UNIPAR
Introdução: As microempresas e os MEIs são fundamentais para a economia brasileira, mas muitos enfrentam dificuldades de continuidade, principalmente por falta de planejamento estratégico e estrutura organizacional (SEBRAE, 2023). Com base na hierarquia de necessidades de Maslow, este trabalho propõe um formulário para organizar, de forma hierárquica, informações estratégicas dessas empresas.
Objetivo: Esta pesquisa objetivou compreender um mecanismo de definição de prioridades organizacionais, contribuindo para a sustentabilidade dos negócios.
Desenvolvimento: A utilização de uma hierarquia de prioridades possibilita a ordenação das etapas de um processo segundo seu grau de essencialidade, permitindo identificar quais atividades são fundamentais e quais se apresentam como secundárias para o alcance dos objetivos organizacionais. Esse ordenamento evidencia a interdependência das etapas, uma vez que determinadas ações não podem ser plenamente executadas sem a realização prévia de outras. Por exemplo, compreender as preferências do cliente pode ser comprometido se não houver um acompanhamento eficaz no pós-venda. Ademais, ainda que exista uma lógica sequencial comumente adotada, a definição das prioridades específicas nessa pirâmide hierárquica prepotente depende das decisões dos proprietários e gestores, sendo influenciada pelo tipo de produto, serviço e perfil de cliente atendido. De modo complementar, pode-se estabelecer uma analogia entre o ser humano e a organização: assim como a vida constitui condição essencial para a existência das necessidades humanas, o registro da empresa em situação ativa configura requisito básico para a aplicação de qualquer metodologia de gestão. Para tanto, faz-se necessário, no mínimo, possuir um CNPJ regularmente ativo, além de atender a outras exigências legais e operacionais que garantam sua efetividade. Esse requisito fundamental pode ser representado como o primeiro “degrau” na construção de uma pirâmide organizacional, a partir do qual se estrutura a hierarquia de prioridades do negócio de fato. a) Base: paralelo à “Fisiologia” da empresa, se caracteriza por definir qual será o ramo e natureza das atividades realizadas pela empresa, tendo como regra a obrigatoriedade de passar pelas etapas de definição do  tipo de empresa (MEI, ME, LTDA), atividades registradas no CNAE, endereço fiscal, contrato social, registro na junta comercial, CNPJ/DBE; IE/IM, alvarás e cadastro no E-social. b) Fisiológico: para manter o “corpo” da empresa “vivo” é necessário manter alguns itens ativos, como as declarações fiscais/contábeis, tributos, alvarás, registros contábeis, recolhimento de encargos trabalhistas, frequência de emissão de NF e atualização de certificados. c) Segurança: dimensão que cria um sentimento de familiaridade, conforto e ausência de perigo, como a fidelização de clientes e fornecedores, estabilidade geográfica e estrutural, segurança nos processos e retenção de talentos. d) Relacionamento: os degraus não precisam estar 100% satisfeitos para o avanço na pirâmide, por isso, pode-se ter uma retenção de talentos de 80% da grade de funcionários e, concomitantemente, focar no fortalecimento da cultura organizacional (ALMEIDA et al., 2019). São os elementos da dimensão social o clima organizacional, liderança acessível, fit cultural e fortalecimento dos valores. e) Auto-Estima: a auto-estima surge como uma vontade de se estabelecer no mercado com uma boa aparência, agregando valor à marca, são os ativos intangíveis como a avaliação por parte dos stakeholders; certificados de qualidade (GPTW, FS 22000), premiações, bons resultados em KPIs e PPRs. f) Autorrealização: o alcance da missão da empresa, “sonho” dos fundadores, donos e/ou sócios. Uma busca constante por motivações, é a concretização da Self-Actualization, o alcance da almejada essência. Destarte, é necessário desmembrar cada item em etapas menores e então desenvolver um plano de ação para alcançar o potencial máximo em cada um, identificando características em fidelização de clientes em ordem de prepotência: o pós-vendas auxiliará no cumprimento das promessas e ofertas, gerando um atendimento humanizado de referência, com canal de ouvidoria e abertura para feedbacks (CSAT, NPS). Monitoramento do cenário de mercado, trabalhando com preços adequados. Com isso, deverão ser estabelecidos KPIs para acompanhamento das etapas, garantindo a melhoria contínua das atividades por meio de metodologias como o PDCA (Plan, Do, Check e Action).
Conclusão: O modelo hierarquia de Maslow aplicada a empresas para organizar prioridades e fortalecer a gestão  contribui para o alcance dos objetivos de sustentabilidade e longevidade, oferecendo um caminho estratégico que fortalece a gestão e amplia as chances de continuidade no mercado. Com ele é possível serem criadas técnicas de autoavaliação e busca contínua pela melhoria dos processos organizacionais. Sugere-se que estudos empíricos sejam realizados para validação da metodologia analisada nesta pesquisa.
Referências:
ALMEIDA, Ivonez Xavier; SCHELSKE, Franciel Levi; ROVER, Ardinete. Perception of Maslowʼs motivational factors in the organizational context. Unoesc & Ciência - ACSA Joaçaba, v.10, n. 1, p. 37-44, jan./jun. 2019. Disponível em https://unoesc.emnuvens.com.br/acsa/article/download/15915/12359. Acesso em: 07 set. 2025.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda, 2004.
KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: Duas formas de pensar. 1. ed. São Paulo: Objetiva Editora, 2012. 
MASLOW, Abraham H. Hierarchy of needs: a theory of human motivation, 2011. E-book. Disponível em: https://www.amazon.com.br/gp/product/B004JKMUKU/ref=kinw_myk_ro_title . Acesso em: 5 set. 2025.
ROSENZWEIG, Saul. The picture-association method and its application in a study of reactions to frustration. E-book. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-6494.1945.tb01036.x . Acesso: 7 set. 2025.
SEBRAE. A taxa de sobrevivência das empresas no Brasil. SEBRAE, 29 mar. 2023. Artigo. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/a-taxa-de-sobrevivencia-das-empresas-no-brasil,d5147a3a415f5810VgnVCM1000001b00320aRCRD . Acesso em: 5 set. 2025.