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| FATORES DE PROTEÇÃO ASSOCIADOS AO SUCESSO ESCOLAR DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA DO ENSINO MÉDIO DA REDE PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE FRANCISCO BELTRÃO - PR | |
| 1ROBERTHA TREVISAN CORADASSI BUFF, 2VALENTINA INÊS GILLES, 3ALINE PERIN PADILHA, 4THAIS CRISTINA GUTSTEIN NAZAR | |
| 1Acadêmico do PIC/UNIPAR 2Acadêmica do PIC/UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Análise Comportamental Clínica e Terapias Contextuais Ênfase Em Act, Fap e Dbt) da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A adolescência ocorre entre os 12 e os 18 anos e caracteriza-se por mudanças significativas no comportamento influenciadas por contingências filogenéticas, ontogenéticas e culturais (Bee; Boyd, 2011; Brasil, 1990; Papalia; Olds; Feldman, 2013). Fatores de proteção, entendidos como circunstâncias que afastam os jovens de situações de perigo, mantém estreita relação ao sucesso escolar, processo que envolve aprendizagens expressivas ligadas a conhecimentos, valores e atitudes (Gatti, 2010; Neufeld, 2017; Canha et al., 2021; Gutstein Nazar; Schirmann; Ribeiro, 2025). Considerando que pessoas com deficiência (PCDs) são aquelas que, em razão a impedimentos de longo prazo e barreiras sociais, veem limitada sua participação plena e igualitária na sociedade limitada e que, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (2024), 2,9% dos estudantes do Ensino Médio no país são PCDs, torna-se pertinente compreender como fatores de proteção se relacionam com o sucesso escolar dessa parcela da população. Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar a relação entre fatores de proteção e sucesso escolar de estudantes PCDs do Ensino Médio da rede pública de um município do sudoeste do Paraná. Material e Métodos: A partir de um delineamento quantitativo de caráter correlacional, o presente estudo observou os parâmetros éticos estabelecidos pela Resolução nº 422/2012, contando com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Paranaense (UNIPAR), sob parecer nº 5.836.801. A coleta dos dados ocorreu por meio da aplicação do Questionário Juventude Brasileira em uma amostra de 1.626 adolescentes matriculados no Ensino Médio da rede estadual de ensino, em Francisco Beltrão, no Paraná (DellʼAglio et al., 2011). Para a análise, foram consideradas as perguntas sobre ter algum tipo de deficiência, já ter reprovado, renda mensal familiar do seu domicílio, grau de instrução do pai e da mãe, ter algum problema mental/psicológico ou dos nervos e participar de alguma atividade em grupo, além de questões referentes ao sentimento em relação à escola e à família. O tratamento estatístico foi conduzido no software IBM SPSS Statistics © (versão 27), utilizando-se o teste exato de Fisher para tabelas 2x2 e o teste do qui-quadrado com correção pelo método de Monte Carlo nos casos em que a frequência esperada fosse inferior a 5 em número elevado de células. Foram analisados os dados de alunos com deficiência (n=104), entre estes 78% visual, 5% auditiva, 7% física e 10% “outra”, e posteriormente comparados com os dados dos demais alunos da amostra (n=1277). Resultados: Em relação aos alunos com deficiência, observou-se associação estatisticamente significativa entre aprovação e maior renda domiciliar (V = 0,40; p = 0,005), bem como entre aprovação e grau de instrução da mãe (V = 0,45; p = 0,004). No que se refere aos demais alunos, a associação da aprovação com renda domiciliar (V = 0,16; p < 0,001), grau de instrução da mãe (V = 0,17; p < 0,001) e do pai (V = 0,16; p < 0,001), mostraram-se significativas. Os demais itens, relacionamento familiar, participar de grupo social, relacionamento com o ambiente escolar e problema mental ou psicológico, não apresentaram correlação. Os resultados sugerem que as variáveis socioeconômicas constituem um elemento relevante na associação entre sucesso escolar e fatores de proteção. Discussão: O contexto socioeconômico parece desempenhar papel significativo na relação entre sucesso escolar e fatores de proteção, como renda domiciliar e nível de instrução materna, corroborando com a literatura (Rosa; Fernandes; Lemos, 2020). Entretanto, outros fatores protetivos frequentemente apontados não demonstraram associação com o sucesso escolar em ambos os grupos analisados, como a participação em grupos, a ausência de condições de saúde mental, a qualidade do relacionamento familiar e qualidade da relação com o ambiente escolar (Nunes et al., 2014; Machado; Böck; Mello, 2022; Santos; Rodrigues, 2024). Tal resultado pode estar relacionado ao tamanho relativamente reduzido da amostra ou a características intrínsecas dessa população ou do contexto de obtenção dos dados. Ainda, em comparação aos demais estudantes, não foram identificadas disparidades expressivas, como seria esperado, considerando estudos que associam a presença de deficiência como fator de risco para o baixo rendimento escolar (Zaqueu et al., 2021; Glat, Stef, 2021). Conclusão: Os resultados obtidos indicam que o funcionamento familiar constitui um elemento relevante para a promoção do sucesso escolar, mas os demais fatores indicados pela literatura não apresentaram significância estatística na amostra analisada. Observou-se também que estudantes com deficiência não apresentaram rendimento escolar inferior em comparação aos demais, ao contrário do que era esperado. Tais achados demonstram a necessidade de aprofundar as investigações acerca dos estudantes com deficiência no município de Francisco Beltrão, assim como de ampliar o tamanho da amostra. |
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| Referências: BEE, H. L.; BOYD, D. R. A criança em desenvolvimento. 12. ed. Tradução de Cristina Monteiro. Porto Alegre: Artmed, 2011. 568 p. BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 ago. 2009. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 135, p. 13563, 16 jul. 1990. CANHA, L. M. Processos de resiliência na transição para vida adulta de adolescentes com deficiência. Rev. Subj., Fortaleza, v. 21, n. 3, p. 1-13, dez. 2021. DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i3.e11481. DELLʻAGLIO, D. et al. Revisando o Questionário da Juventude Brasileira: uma nova proposta. In: DELLʻAGLIO, D.; KOLLER, S. H. (Orgs.). Adolescência e juventude: vulnerabilidade e contextos de proteção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011. p. 259–270. GATTI, B. A. Sucesso escolar. In: OLIVEIRA, D. A.; DUARTE, A. M. C.; VIEIRA, L. M. F. (Orgs.). DICIONÁRIO: trabalho, profissão e condição docente. Belo Horizonte: UFMG/Faculdade de Educação, 2010. GUTSTEIN NAZAR, T. C.; SCHIRMANN, J. K.; RIBEIRO, F. C. G. Fatores de risco e de proteção a adolescentes estudantes em regime de internato. Revista PsicoFAE: Pluralidades em Saúde Mental, v. 13, n. 2, p. 22-33, 2025. DOI: https://doi.org/10.55388/psicofae.v13n2.465. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Censo Escolar da Educação Básica 2023: resumo técnico – versão preliminar. Brasília, DF: INEP, 2024. MACHADO, R.; BÖCK, G. L. K.; MELLO, A. G. A escolarização das pessoas com deficiência no Brasil: educação inclusiva e produção de sentidos. In: SILVA, S. C. da; BECHE, R. C. E.; COSTA, L. M. de L. (Orgs.). Estudos da deficiência na educação: anticapacitismo, interseccionalidade e ética do cuidado. Florianópolis: UDESC, 2022. p. 49-77. NEUFELD, C. B. (Org.). Terapia cognitivo-comportamental para adolescentes: uma perspectiva transdiagnóstica e desenvolvimental. Porto Alegre: Artmed, 2017. NUNES, T. G. R. et al. Fatores de risco e proteção na escola: reprovação e expectativas de futuro de jovens paraenses. Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 18, n. 2, p. 203-210, maio/ago. 2014. DOI: 10.1590/2175-3539/2014/0182732. PAPALIA, D. E.; OLDS, S. W.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. ROSA, A. R.; FERNANDES, G. N. A.; LEMOS, S. M. A. Desempenho escolar e comportamentos sociais em adolescentes. Audiology – Communication Research, São Carlos, v. 25, e2287, 2020. DOI: 10.1590/2317-6431-2019-2287. SANTOS, R. M.; RODRIGUES, J. M. C. Políticas de educação especial e sucesso escolar de pessoas com deficiência visual: revisão de literatura. Linguagens, Educação e Sociedade – LES, Teresina, v. 28, n. 58, p. 1–27, 2024. DOI: https://doi.org/10.26694/rles.v28i58.4677. |
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