ALÉM DA CURA: A CIRURGIA PLÁSTICA REPARADORA COMO ETAPA ESSENCIAL NA REABILITAÇÃO PÓS-BARIÁTRICA E ONCOLÓGICA  
1VINICIUS GALBIATI, 2ANA LAURA RUIZ MACENA OLIVEIRA, 3MELISSA SCARPANTE OLIVEIRA LEANDRO, 4ROSILEY BERTON PACHECO, 5ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI
1Acadêmico do curso de medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
5Docente Dra. do curso de Medicina da UNICESUMAR
Introdução: A cirurgia bariátrica e a mastectomia são procedimentos indicados para condições clínicas graves e potencialmente incapacitantes, como a obesidade mórbida e o câncer de mama. Ambas são reconhecidas como intervenções eficazes, mas que geram transformações físicas intensas e, muitas vezes, impactantes. Pacientes submetidos à bariátrica apresentam grande perda ponderal, o que acarreta excesso de pele, flacidez e deformidades corporais, impactando negativamente a qualidade de vida e a autoimagem (SECANHO et al., 2023). De modo semelhante, mulheres que passam por mastectomia frequentemente relatam sofrimento emocional e prejuízos psicossociais associados à alteração do contorno corporal e à feminilidade. Apesar da importância da cirurgia plástica reparadora nesses contextos, muitos pacientes enfrentam barreiras para acessá-la, seja por desconhecimento dos seus direitos, limitação de recursos no sistema público ou pela desvalorização da dimensão estética como parte integrante da saúde integral. A reconstrução corporal deve ser reconhecida não apenas como um procedimento estético, mas como uma etapa essencial no cuidado à saúde integral do paciente (BRANDÃO et al., 2021). Diante disso, torna-se necessário discutir e reforçar a importância da garantia da cirurgia plástica reparadora como parte do tratamento completo de pessoas que passaram por bariátrica e/ou mastectomia, considerando seus impactos funcionais, emocionais e sociais (MATIAS et al., 2022).
Objetivo: Realizar um levantamento bibliográfico a fim de discutir a importância da cirurgia plástica reparadora como parte integrante do tratamento de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica e/ou mastectomia, destacando seus impactos físicos, psicológicos e sociais, e a necessidade de garantir o acesso a esse direito no contexto da saúde pública. 
Desenvolvimento: Cirurgia Bariátrica: A cirurgia bariátrica, embora seja o tratamento mais eficaz para a obesidade grave, resulta frequentemente em consequências físicas como excesso de pele e flacidez em diversas regiões do corpo. Essas alterações podem gerar dificuldades funcionais como assaduras, dores e limitações na prática de atividades físicas, além de afetar negativamente a autoestima. De acordo com Secanho et al. (2023), muitas mulheres relatam sentimentos de vergonha, tristeza e isolamento social antes da realização da cirurgia plástica reparadora, demonstrando a profundidade do sofrimento psicológico causado pela insatisfação com o próprio corpo. Mastectomia: No caso da mastectomia, a retirada parcial ou total das mamas, ainda que necessária para o controle do câncer de mama, também provoca uma ruptura com a identidade corporal da mulher, sendo comum o desenvolvimento de quadros depressivos e baixa autoestima. A reconstrução mamária surge, então, como uma estratégia terapêutica que transcende a estética, promovendo reconfiguração da autoimagem, bem-estar emocional e reinserção social. A reconstrução imediata oferece benefícios significativos, favorecendo inclusive a adesão ao tratamento oncológico e a qualidade de vida após o câncer (BRANDÃO et al., 2021). Barreiras de Acesso: Apesar da relevância clínica e emocional da cirurgia plástica reparadora, o acesso a esse recurso ainda é desigual. Muitos pacientes, especialmente no sistema público, enfrentam longas filas, falta de informação sobre seus direitos ou mesmo o estigma de que a cirurgia tem apenas fins estéticos. Estudos apontam que a desvalorização da dimensão estética dificulta o reconhecimento da cirurgia plástica como parte do processo de reabilitação integral, e não como um luxo ou vaidade (MEINE et al., 2024). Diante disso, torna-se urgente reforçar a importância da cirurgia plástica reparadora como uma extensão do tratamento clínico e cirúrgico de base, especialmente em contextos onde o corpo é profundamente transformado, como na bariátrica e na mastectomia. O cuidado à saúde deve ser ampliado para contemplar o físico, o funcional e o emocional, garantindo dignidade e qualidade de vida no pós-operatório (SAHIUM et al., 2025).
Conclusão: A cirurgia plástica reparadora desempenha um papel fundamental na reabilitação de pacientes submetidos à bariátrica e à mastectomia, indo além da estética para promover saúde física, emocional e social. A sua inclusão como etapa do tratamento completo é essencial para garantir dignidade e qualidade de vida a essas pessoas. Diante dos impactos profundos dessas cirurgias e das barreiras enfrentadas no acesso à reconstrução, é essencial fortalecer políticas públicas que assegurem esse cuidado de forma equitativa e humanizada, ampliando campanhas de conscientização sobre o direito à cirurgia reparadora e garantindo recursos estruturais e profissionais capacitados para atender essa demanda crescente.
Referências:
BRANDÃO, Brenda Lopes et al. Importância da cirurgia plástica para mulheres mastectomizadas e o papel do Sistema Único de Saúde: Revisão integrativa. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, v. 36, n. 04, p. 457-465, 2021.
MATIAS, C. de M. C. et al. Impacto da pandemia na cirurgia plástica reparadora: o que a pandemia nos deixou. Revista Multidisciplinar em Saúde, [S. l.], v. 2, n. 4, p. 331, 2022.
MEINE, Lucas et al. O impacto da cirurgia plástica na autoestima de pacientes no pós-operatório. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 10, n. 10, p. 3940–3947, 2024.
SAHIUM, G. S.; DE OLIVEIRA, A. L. .; CUNHA, M. A. A. As correlações entre cirurgia bariátrica e cirurgia plástica subsequente e outras variáveis associadas à obesidade: estudo transversal. Revista Brasileira de Ciências Médicas, [S. l.], v. 1, n. 1, 2025.
SECANHO, Murilo Sgarbi et al. Acesso à cirurgia plástica reparadora para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica no Sistema Único de Saúde (SUS). Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 50, p. E20233520, 2023.