TRATAMENTO DO AUTISMO COM CANNABIS MEDICINAL: AVANÇOS, DESAFIOS E OPORTUNIDADES   
1LÍVIA ESTEVES BORTOLATO, 2ANA LAURA RUIZ MACENA OLIVEIRA, 3MELISSA SCARPANTE OLIVEIRA LEANDRO, 4ROSILEY BERTON PACHECO, 5MARILIA MORAES QUEIROZ SOUZA, 6ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI
1 Acadêmica do curso de medicina UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
6Docente Dra do curso de medicina da UNICESUMAR
Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado uma condição neuropsiquiátrica caracterizada por déficits na comunicação, na interação social e por comportamentos repetitivos ou estereotipados. Embora ainda não exista cura para o TEA, as intervenções atuais são direcionadas para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados (Engler et al., 2024). Atualmente, devido ao aumento significativo de diagnósticos nas últimas décadas, houve também uma crescente nas pesquisas e nos debates acerca do assunto. Assim, novas modalidades terapêuticas têm emergido, entre elas o uso do canabidiol (CBD), que vem ganhando destaque positivo no controle de sintomas associados ao transtorno do espectro autista (De Carvalho et al., 2025).
Objetivo: Elucidar as manifestações do uso do canabidiol (CBD) como tratamento do Transtorno do Espectro Autista, através da revisão de literatura. 
Desenvolvimento: O interesse científico pelo uso de canabinóides como tratamento para o Transtorno do Espectro Autista tem atraído atenção crescente nos últimos anos (De Abreu; Passos, 2023). Um conjunto diverso de pesquisas têm gerado informações relevantes e progressivas acerca do assunto, especialmente diante da inexistência de uma cura para o TEA. Nesse cenário, a procura por mais alternativas terapêuticas que objetivem a melhora da qualidade de vida, a redução de sintomas e o incentivo à socialização torna-se essencial. (Minella; Linartevichi, 2021). A Cannabis Sativa, planta rica em compostos bioativos conhecidos como fitocanabinoides, apresenta dois principais metabólitos: o cannabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC). O THC é conhecido por seus efeitos psicoativos, enquanto o CBD, que não possui tais efeitos, tem sido amplamente investigado por suas propriedades ansiolíticas, anti-inflamatórias, anticonvulsivantes e neuromoduladoras. Essas características tornam o canabidiol uma alternativa particularmente atraente para o manejo de sintomas associados ao TEA (Almeida et al., 2021). No geral, estudos recentes destacam que o usode CBD pode contribuir para o controle de aspectos estereotipados da síndrome desses pacientes, como hiperatividade, agressividade, distúrbios no sono, ansiedade, crises convulsivas e epilépticas, etc. Em investigações sobre o tema, observam que mais do 80% dos responsáveis por pacientes em uso de cannabis medicinal relataram melhora moderada a acentuada no quadro geral, evidenciando a boa tolerabilidade e o perfil de segurança do composto (Almeida et al., 2021). Apesar dos achados encorajadores, a elucidação do uso do CBD enfrenta limitações importantes, grande parte por se tratar de estudos investigativos observacionais sem larga extensão, além da falta de acessibilidade ao tratamento por enfrentar questões regulatórias e econômicas em muitos países, incluindo do Brasil (Engler et al., 2024). Desse modo, tais barreiras reforçam a necessidade de mais ensaios clínicos randomizados e bem delineados, para confirmar os benefícios observados preliminarmente e se tornar uma alternativa cada vez mais viável para esse tratamento, incentivando a aproximação dos pacientes à essa medicação tão promissora. Outro aspecto relevante é a possibilidade de redução no uso de outros medicamentos psicotrópicos a partir da introdução do canabidiol no tratamento de pacientes com TEA. Isso pode representar um avanço importante, considerando os efeitos adversos e o perfil de segurança limitado de muitas das opções farmacológicas atualmente utilizadas (Engler et al., 2024). 
Conclusão: Em suma, o uso do canabidiol representa uma abordagem complementar no tratamento do TEA, especialmente nos casos refratários aos tratamentos convencionais. Com mais pesquisas de qualidade, é possível que o CBD se consolide cada vez mais como uma alternativa segura e eficaz, contribuindo significativamente para o bem-estar de pacientes e famílias. O incentivo à realização de ensaios clínicos rigorosos, aliado à regulação responsável do acesso ao medicamento, é essencial para que essa terapia se torne uma opção cada vez mais acessível e sólida.
Referências:
ALMEIDA, Maria Tereza Carvalho et al. Tratamento dos sintomas e comorbidades associados ao Transtorno do Espectro Autista utilizando Cannabis sativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 13, n. 4, p. e6922-e6922, 2021.
DE ABREU, Rafaella Raíssa Santos; PASSOS, Marco Aurélio Ninômia. O uso de canabidiol como tratamento do autismo. Revista jrg de estudos acadêmicos, v. 6, n. 12, p. 436-448, 2023.
DE CARVALHO, Danielle Santana et al. Uso de Cannabis como tratamento alternativo do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 8, n. 18, p. e181779-e181779, 2025.
ENGLER, Gabriela Pederiva et al. O uso de Cannabis no tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo–revisão sistemática. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 1, p. 1301-1315, 2024.
MINELLA, Flávia Cristina Osaku; LINARTEVICHI, Vagner Fagnani. Efeitos do canabidiol nos sinais e comorbidades do transtorno do espectro autista. Research, society and development, v. 10, n. 10, p. e64101018607-e64101018607, 2021.