QUADRO DA DISPONIBILIDADE DE POTÁSSIO NOS SOLOS DO NOROESTE PARANAENSE  
1ADRIELY VECHIATO BORDIN, 2JOÃO HENRIQUE CASTALDO, 3FERNANDO HENRIQUE DA SILVA, 4THAYNARA GARCEZ DA SILVA, 5MARIA LUIZA DA SILVA FREITAS, 6ANTONIO NOLLA
1Engenheira Agrônoma no Programa Paraná Mais Orgânico – Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama-PR
2Docente – Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama-PR
3Técnico do Laboratório de Análises de Solos e Plantas – Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama-PR
4Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados-MS
5Discente do curso de graduação em Agronomia – Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama-PR
6Docente – Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama-PR
Introdução: O potássio é um macronutriente importante por desempenhar diversas funções nas plantas, mantendo seus processos vitais. Contudo, em solos arenosos e de regiões tropicais, a perda de K+ é intensificada pela lixiviação (Novais et al., 2007). Portanto, é essencial avaliar a disponibilidade de potássio nos solos, permitindo que, quando houver necessidade, seja adotado um manejo da adubação eficiente, garantindo máximo potencial produtivo das culturas.
Objetivo: O objetivo do trabalho foi verificar a disponibilidade de potássio nos solos da região noroeste do Paraná.
Material e Métodos: Foram coletadas 100 amostras de solo de diversas condições de uso na profundidade de 0-20 cm com o uso de pá de corte, em 51 municípios da região noroeste do Paraná. O solo das amostras foi seco ao ar na sombra, moído e tamisado em malha de 2 mm, obtendo-se o solo fino seco ao ar (SFSA). No laboratório de análises de solos e plantas (LASP) da Universidade Estadual de Maringá, campus Fazenda em Umuarama-PR, realizou-se a caracterização do teor de potássio disponível, em triplicata laboratorial, sendo utilizados os valores médios. A determinação seguiu a metodologia proposta por Tedesco et al. (1995). O teor de potássio disponível foi avaliado e submetido à análise estatística descritiva, utilizando o programa computacional estatístico Genes versão 1990.2018.39.
Resultados: O teor de potássio disponível das 100 amostras de solo analisadas foi comparado com as classes de interpretação do Manual de Adubação e Calagem para o Estado do Paraná (Pauletti e Motta, 2019) e se enquadraram desde o nível muito baixo ao nível médio (0,01 cmolc kg-1 a 0,20 cmolc kg-1). A maior parte (57 amostras) estiveram no nível muito baixo de potássio (< 0,06 cmolc dm-3), 31 amostras no nível baixo (0,06-0,12 cmolc dm-3) e 12 amostras no nível médio (0,13-0,21 cmoldm-3). Dessa forma, percebe-se que os solos analisados da região noroeste do Paraná apresentam carência de potássio disponível, pois predominaram teores muito baixo a baixo, inclusive a média do teor de K+ das 100 amostras foi interpretado como baixa (0,07 cmolc kg-1).
Discussão: A condição de baixo nível de potássio nos solos amostrados está associada ao fato que regiões tropicais, em que as temperaturas são altas e ocorre grande disponibilidade de água pelas chuvas, principalmente em locais com boa drenagem, favorece uma avançada intemperização, que propicia perdas de K+ por lixiviação (Novais et al., 2007). Além disso, pelo potássio ser um cátion monovalente, pode ser lixiviado com facilidade, uma vez que outros elementos com carga maior ficam predominantemente adsorvidos na CTC (Santos, 2009). Também deve ser considerado que grande parte dos solos analisados apresentaram textura arenosa com baixa CTC, fato que potencializa a lixiviação (Werle et al., 2008). Na pesquisa de Miranda et al. (2013), testando fontes de potássio aplicadas em solo argiloso e solo arenoso, foi constatado que ocorreu maior lixiviação de K+ em solo arenoso do que em solo argiloso, de forma que a textura do solo interfere de maneira significativa nas perdas do potássio por lixiviação. Werle et al. (2008) avaliando a dinâmica do K+ no perfil do solo em função da textura e do teor do nutriente, verificaram que a lixiviação de potássio ocorreu com maior intensidade em solo de textura arenosa quando comparado com solo de textura argilosa.
Conclusão: O teor de potássio disponível para a maior parte dos solos do noroeste do Paraná analisados, foram caracterizados na faixa muito baixa e baixa, respectivamente. O valor médio do teor de K+ das 100 amostras foi de 0,07 cmolc kg-1.
Referências:
MIRANDA, M. C. C.; et al. Lixiviação de potássio proveniente de diferentes fontes de potássio em dois tipos de solo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 34, 2013, Florianópolis. Anais. Florianópolis: CBCS, 3 p.
NOVAIS, R. F.; et al. Fertilidade do solo. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007.
PAULETTI, V.; MOTTA, A. C. V. Manual de calagem e adubação para o estado do Paraná. 2. ed. Curitiba: Núcleo Estadual Paraná da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo – NEPAR-SBCS, 2019.
SANTOS, P.M. Propriedades físicas e químicas de um Neossolo Quartzarênico submetido a lâminas de lixiviação. 2009. Tese (Doutorado em Agronomia – Ciência do Solo) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2009.
TEDESCO, M. J.; et al. Análise de solo, plantas e outros materiais. 2. ed. Porto Alegre: Departamento de Solos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1995.
WERLE, R.; GARCIA, R.A.; ROSOLEM, C.A. Lixiviação de potássio em função da textura e da disponibilidade do nutriente no solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 32, n. 6, p. 2297-2305, 2008.