ASSOCIAÇÃO ENTRE DISBIOSE INTESTINAL E AUMENTO DA INCIDÊNCIA DE CÂNCER COLORRETAL EM ADULTOS JOVENS  
1ALEXIA PAOLA ULIANA, 2MARIA EDUARDA DE ANDRADE CHINELLATO MORÍLIA, 3IGOR MALAVAZI SERRANO, 4RENAN IZIDORO DE OLIVEIRA, 5PAULO ROBERTO SCARPANTE
1Acadêmica bolsista do PIBIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: O microbioma intestinal, composto por trilhões de microrganismos localizados principalmente no cólon, exerce funções essenciais para a saúde, porém, fatores ambientais acumulados ao longo da vida podem alterar essa comunidade, provocando um desequilíbrio conhecido como disbiose, associado ao surgimento de diversas doenças (De Sousa et al., 2025). Entre essas doenças, tem-se o câncer colorretal, a neoplasia gastrointestinal mais frequente, que ocupa a terceira posição entre os tipos mais comuns de câncer, sendo também a terceira principal causa de morte por neoplasias malignas em nível mundial (Saraiva; Rosa; Claro, 2023). Embora classicamente vinculado a indivíduos acima dos 50 anos, estudos recentes evidenciam o crescimento progressivo de casos em adultos mais jovens (Ahmad Kendong et al., 2021). Com isso, esse fenômeno pode estar relacionado a alterações significativas nos hábitos alimentares desde a industrialização, que criaram um microambiente propício à carcinogênese colorretal (Zhou et al., 2025).
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura acerca da associação entre alterações na microbiota intestinal e a incidência crescente de câncer colorretal em adultos jovens, destacando fatores de risco associados, mecanismos fisiopatológicos e suas implicações para a saúde da população.
Desenvolvimento: O câncer colorretal é tradicionalmente mais prevalente em indivíduos acima dos 50 anos de idade, entretanto sua incidência tem diminuído nessa faixa etária em razão dos programas de rastreamento, em contrapartida, observa-se um aumento alarmante da incidência e prevalência do câncer colorretal precoce (Zhou et al., 2025). Embora estudos demonstrem que mutações genéticas, como as associadas à Síndrome de Lynch e à Polipose Adenomatosa Familiar, sejam responsáveis por cerca de um quarto dos casos de câncer colorretal, a maioria dos casos em adultos jovens ocorre sem fatores de risco conhecidos, sendo frequentemente diagnosticados já em estágios avançados da doença (Atchade et al., 2024). Desse modo, o aumento dos casos de câncer colorretal de início precoce parece resultar de causas multifatoriais, podendo estar ligado a mudanças geracionais no estilo de vida, como dieta, exposições ambientais, ocidentalização da alimentação, sedentarismo e obesidade, que atuam por meio de processos inflamatórios e metabólicos (Zhou et al., 2025). Nesse contexto, Ahmad Kendong et al., (2021) propõem que a disbiose intestinal, caracterizada por um desequilíbrio entre bactérias benéficas e patogênicas e influenciada por fatores ambientais, desempenha um papel importante na carcinogênese colorretal, ao induzir alterações genômicas, metabólicas e imunológicas que comprometem a função protetora da barreira intestinal. Além disso, o microbioma intestinal se forma desde o nascimento e é influenciado por fatores como o tipo de parto, amamentação, uso de antibióticos, dieta pobre em fibras e saúde oral, que podem impactar sua diversidade ao longo da vida (Dharwadkar; Zaki; Murphy, 2022). De acordo com pesquisas que compararam a microbiota de indivíduos com câncer colorretal e pessoas saudáveis, observou-se o aumento de bactérias pró-inflamatórias e redução das espécies benéficas, o que reforça a hipótese de que a composição microbiana contribui para o aumento da incidência de câncer colorretal, inclusive em sua forma precoce (De Sousa et al., 2025). Da mesma maneira, a interação entre dieta e microbiota também tem um papel importante na patogênese do câncer colorretal, uma vez que as dietas ocidentais, caracterizadas pelo alto consumo de carnes, gorduras saturadas e açúcares favorecem a produção de metabólitos carcinogênicos como sulfeto de hidrogênio e ácidos biliares secundários, promovendo inflamação e dano à barreira intestinal (Atchade et al., 2024). Dessa forma, a microbiota intestinal surge como elemento central no desenvolvimento do câncer colorretal de início precoce, integrando fatores ambientais, comportamentais e predisposição genética, e participando ativamente dessa complexa rede de interações (Ahmad Kendong et al., 2021). Logo, padrões alimentares saudáveis, ricos em fibras, frutas, vegetais e grãos, estão associados à menor incidência de adenomas e carcinomas colorretais e podem atuar na proteção contra a forma precoce do câncer colorretal (Atchade et al., 2024).
Conclusão: Portanto, tendo em vista esse cenário, torna-se urgente a ampliação de estratégias de vigilância clínica e o estímulo a intervenções dietéticas associadas a mudanças de estilo de vida, capazes de restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal e reduzir o impacto crescente do câncer colorretal precoce. Além disso, reforça-se a necessidade de mais pesquisas que aprofundem a compreensão da relação entre disbiose intestinal e a carcinogênese colorretal em adultos jovens, a fim de fomentar estratégias preventivas mais eficazes.
Referências:
AHMAD KENDONG, S. M. et al. Gut dysbiosis and intestinal barrier dysfunction: potential explanation for early-onset colorectal cancer. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology,  v. 11, p. 744606, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fcimb.2021.744606. Acesso em: 22 ago. 2025.
ATCHADE, A. M. et al. Unraveling the complexities of early-onset colorectal cancer: a perspective on dietary and microbial influences. Frontiers in Public Health, v. 12, p. 1370108, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fpubh.2024.1370108. Acesso em: 22 ago. 2025.
DE SOUSA, R. G. et al. The Knowledge Gap in Gut Microbiome Characterization in Early-Onset Colorectal Cancer Patients: A Systematic Scoping Review. Cancers, v. 17, n. 11, p. 1863, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.3390/cancers17111863. Acesso em: 22 ago. 2025.
DHARWADKAR, P.; ZAKI, T. A.; MURPHY, C. C. Colorectal cancer in younger adults. Hematology/oncology clinics of North America, v. 36, n. 3, p. 449-470, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.hoc.2022.02.005. Acesso em: 22 ago. 2025.
SARAIVA, M. R.; ROSA, I.; CLARO, I. Early-onset colorectal cancer: A review of current knowledge. World journal of gastroenterology, v. 29, n. 8, p. 1289, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.3390/cancers17111863. Acesso em: 22 ago. 2025.
ZHOU, Z. et al. Beneficial microbiome and diet interplay in early-onset colorectal cancer. EMBO molecular medicine, v. 17, n. 1, p. 9-30, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s44321-024-00177-0. Acesso em: 22 ago. 2025.